sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O misterioso caso do "coisa ruim" da Borda

Com autorização de Monsenhor Pedro Cintra, autor do presente artigo, e com o consentimento do Vigário da Paróquia Pe. Édson Oriolo, diretor responsável pela publicação da “Folha Paroquial”, reproduzimos o artigo referente ao título acima, publicado na Folha Paroquial número 6, junho de 1999, Ano III.
 
“Antes de encerrarmos o ano de 1953, convém descrever o rumoroso caso que chamou atenção de todo o país, devido ao sensacionalismo da imprensa, aqui chamada por determinadas pessoas”.
“Eis o que vimos, ouvimos e observamos”:

“Em meados de fevereiro de 1953, o Sr. Alberto Simões de Carvalho, português, residente no bairro denominado Ponte de Pedra, pediu-me para levar a benção da Igreja à sua residência, pois certos barulhos estranhos, ouvidos à noite, traziam a família preocupada. Benzi a casa e fiz o exorcismo breve do “Ritual Romano”, “Exorcismus Sabtanam Et Angelos Apostaticos”.

Notei na família um certo afastamento dos deveres religiosos. O casal havia tempo não fazia a páscoa. Os filhos, alguns já moços, ainda não haviam feito a primeira comunhão. Dei à família os conselhos religiosos necessários e orientei a todos para a confissão e comunhão. Fui informado depois que, naquela noite o barulho aumentou. E o fenômeno continuou a repetir-se quase diariamente.

Por ocasião as Semana Santa, quando a família se movimentou para cumprir o dever da comunhão pascal como eu havia aconselhado, o caso tomou outro caráter. Surgiu também uma voz estranha na casa do Sr. Alberto, juntamente com os estrondos ouvidos à distância. A voz falava o nome de pessoas da casa e do bairro como se estivesse comandando animado baile, ao mesmo tempo que se ouvia o tropel de gente a dançar. Falava palavrões e dizia chamar-se Chiquinho. A voz era muitas vezes ouvida, também durante o dia nas cercanias da casa por pessoas da família e por camaradas em trabalho. A jovem Natalina de 14 anos, filha do Sr. Alberto, achando-se só, certo dia, na cozinha da casa, a preparar o almoço, viu um pretinho, que, saindo de um dos quartos, passou por ela, cumprimentando-a com um cínico “bom dia”, desaparecendo em seguida. Assustada, alarmou, chamando pelos pais que se achavam em afazeres perto da residência, mas nada puderam ver.

Novamente procurado pelo Sr. Alberto e por ele informado dos novos fenômenos, comecei a acreditar haver de fato algo de extraordinário. Pedi ao mesmo que fosse à Ouro Fino relatar o fato a Frei Belchior, sacerdote capuchinho experimentado que já havia realizado um exorcismo na Itália. Frei Belchior me escreveu, afirmando tratar-se realmente de um caso de exorcismo.

Comuniquei a opinião de Frei Belchior ao Sr. Bispo Diocesano, Dom Otávio Chagas de Miranda que mandou jurisdição a mim e a Frei Belchior, para que aplicássemos o exorcismo, caso fosse necessário e prudente.

Tendo a viajar e permanecer ausente por mais de uma semana, pedi a Frei Belchior que assumisse a responsabilidade do caso.

No dia 16 de abril, acompanhado do Rev.mo. Padre José Oriolo, Vigário Cooperador da Paróquia e do Sacristão Manuel Cardoso, Frei Belchior pernoitou na residência do Sr. Alberto para observar os fenômenos. Às 20h30, a um sinal característico dos cães, foi ouvida a voz estranha e cavernosa: “Boa noite” – Frei Belchior respondeu: “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”. A voz retrucou: “Vai mal, tem padre hoje aqui” …e começou a pronunciar palavrões. Frei Belchior começou o exorcismo solene.

Em um momento interrogou em dialeto Italiano, de quem era aquela voz, “Eu sou o diabo, o capeta”, respondeu. O Capuchinho, tomando uma relíquia de Santa Terezinha na mão, sem que ninguém soubesse, perguntou o que era. A voz foi logo afirmando: “isso não vale nada, é de uma menina”. Tomou então a medalha de Nossa Senhora, e imediatamente a voz: “isso não presta”.

O exorcismo durou duas horas e durante todo esse tempo a voz resmungava, dizia palavrões e fazia ameaças.
Antes e durante o exorcismo, Padre José Oriolo e o Sr. Manuel Cardoso, com lanternas, fizeram a mais rigorosa investigação ao redor da casa e no porão da mesma. A casa ao tinha forro em nenhum cômodo. A entrevista do Padre Capuchinho foi encerrada com estas palavras da voz: “Vamos para o inferno comigo…”
A notícia se difundiu com a ida do Padre Capuchinho e o Padre Oriolo ao sítio do Sr. Alberto. E agora era a multidão que lá comparecia, levada pela curiosidade. 

Cheguei de viagem no dia 21 de abril e encontrei a paróquia alarmada. Os repórteres do Rio e São Paulo começam a chegar. Neste mesmo dia, depois de ouvir a opinião de Frei Belchior e Padre Oriolo, que me afirmaram tratar-se realmente do demônio, rumei à noite, apenas acompanhado do confrade Vicentino Benedito Matos dos Santos, para o sítio do Sr. Alberto de Carvalho. Chegando, rezei o terço com a família e alguns curiosos de Pouso Alegre que lá encontrei. 

Às 22h, quando, depois do latido característico dos cães, uma voz rouquenha e masculina nos saudou: “Boa noite”. Era de impressionar! Perguntei imediatamente: “In nomine Sanctissimae Trinitatis, Patris, Fillii et Spiritu Sancti, praecipio ibi ut dicas, quis sis tu”, a tradução é: “Em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu te ordeno que digas que és tu?” A resposta veio fulminante e irritada depois do latido característico dos cães: “ Eu sou o diabo. E eu não gosto desse padre e por isso, não fico aqui”. Formulei outras perguntas em latim, adrede preparadas. Não obtive respostas. A voz pronunciou ainda alguns palavrões. Repetiu que não gostava “deste padre”. Fez ameaças de matar a todos e desapareceu.Fiz então o exorcismo breve do ritual romano.

No dia seguinte 22 de abril lá estive novamente. Fui acompanhado por algumas pessoas de responsabilidade. Nada de anormal. Rezei o terço com a família e apliquei mais uma vez o exorcismo breve. Dia 23 voltei acompanhado de Dr. Luiz Apocalipse, Juiz de Direito, Dr. Paulo Guimarães e Dr. Luiz Miranda, advogados. Essas pessoas tiveram a máxima preocupação em realizar a mais rigorosa investigação quanto a um possível embuste. Apliquei o exorcismo solene do Ritual Romano, que todas acompanharam com grande respeito. A voz foi ouvida às 21h.

Terminara o exorcismo, estávamos conversando. O Sr. Alberto acabara de dizer: “ele mudou a hora, costumava vir mais cedo”. A resposta, antecedida pelo latido característicos dos cães foi imediata: “Boa noite, meu horário agora é das 21h em diante”. Formulei a mesma pergunta do dia anterior, em latim. Respondeu: “Já disse que sou o diabo”, “Não fico mais aqui, porque tem padre aqui, e ao gosto deste padre”, “Não volto mais nesta casa”. Fiz outras perguntas em latim preparadas com antecedência. Não obtive resposta. Acrescentou tolices e ameaças e desapareceu a voz para sempre.

No dia 24 informei o Sr. Bispo, que mandou cessar os exorcismos. Mas, tornei a visitar a residência do Sr. Alberto para evitar a invasão de pessoas indesejáveis. Rezei o terço com a família, o fenômeno não se repetiu.

Dia 25, Padre José Oriolo fez a entronização do Sagrado Coração de Jesus, no lar do Sr. Alberto Simões de Carvalho que se mostrava então, tranqüilo. Tudo continuou em paz. 

Era realmente o demônio? Na minha humilde opinião, trata-se de uma obsessão diabólica real. Não se explica de outra maneira. Estudei todas as possibilidades de um embuste. Procurei me esclarecer em livros sobre parapsicologia. Todas as hipóteses aventadas caem ante as investigações rigorosas realizadas por todos que lá estiveram comigo. Esta é também a opinião dos dois colegas que presenciaram o fato: Padre José Oriolo e Frei Belchior.”

(a)    Côn. Pedro Cintra (a)
(Retirado do Livro de Tombo nº 2, pág. 89, 1953) .

(Texto retirado do livro "Borda da Mata e sua História"m de autoria de João Betolaccini)

4 comentários:

  1. Sandra Nadja - Santa Rita do Sapucai8 de janeiro de 2011 14:17

    Fui aluna do competente, dedicado, gentil e simpático mestre Dr. LUIZ RENAULT APOCALYPSE, citado nesta matéria, na nossa querida FDSM de Pouso Alegre. Lembro-me até hoje que ele, numa noite em que conversávamos, me falou sobre este episódio por ele presenciado e, com um leve e enigmático sorriso, disse a seguir: "Entre o céu e a terra existe muito mais mistério do que desconfia nossa vã filosofia"...

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  2. esse coisa ruim existiu msm ...

    né toninho e Adalberto

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  3. Esta manifestação refere-se a um caso de Infestação, vinculado ao local, não a uma pessoa em especial. Também de Obsessão dado que havia vozes. É explicado pela Teologia.

    francisco Seixas
    fseixas@uol.com.br

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  4. O meu pai já havia me contado o caso do
    "coisa ruim da borda".
    a um serto tempo passou no
    "programa do ratinho" a materia sobre o "coisa ruim da borda".
    ai eu decidi buscar no google
    e ví que que os relatos.
    batiam com o que meu pai e todos que conheciam sobre o coisa ruim da borda.
    esse é sim um caso real.
    O COISA RUIM QUER QUE AGENTE
    PENSE QUE É MENTIRA
    MAIS ISSO É UM GOLPE DELE.
    ASS .Abraao silva. Facebook.
    fiquem com DEUS.

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