terça-feira, 16 de novembro de 2010

Como a Segunda Guerra influenciou Santa Rita do Sapucaí

Ninguém gosta de sofrimento. Não há dúvida de que a Segunda Grande Guerra foi um marco de dor e de escuridão em todo o planeta. Entretanto, para que milhões e milhões de pessoas inocentes fossem salvas, alguma coisa precisava ser feita e o mundo não viu outra alternativa, senão pela força. Nesse cenário onde os valores chocavam-se com a realidade, a obrigação e a necessidade, a civilização toda mudou. Nesta matéria especial do Empório, mostraremos como a segunda guerra interferiu na vida dos nossos conterrâneos.
Recepção dos pracinhas em Santa Rita do Sapucaí.
Explode a Segunda Guerra Mundial.

Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o governo do Estado Novo não tomou posição. Entretanto, à medida em que a guerra evoluiu, o Brasil viu-se obrigado a alinhar-se entre as nações democráticas, contra a Alemanha, a Itália e o Japão. A partir de fevereiro de 1942, os temidos submarinos alemães bombardearam muitos navios brasileiros. Ao todo, dezenove embarcações foram afundadas, com centenas de vítimas. Em agosto, o governo brasileiro declarou guerra às nações do Eixo. O Brasil tomava parte na Segunda Grande Guerra Mundial.
Recepção dos brasileiros em Montese.
A participação dos brasileiros

Em setembro de 1942, foi realizada a mobilização geral para o conflito. Dentre os voluntários que se alistaram para tomarem parte no confronto, diversos santarritenses. As consequências da guerra para Santa Rita do Sapucaí

Com a entrada do Brasil na Guerra, algumas medidas de segurança foram tomadas em todo o país. Em Santa Rita do Sapucaí, o então prefeito Frederico de Paula Cunha solicitou a produção de diversos cartões de racionamento de alimentos, afim de que fossem distribuídos entre a população com o objetivo de que não houvesse desperdício.
Cupom de racionamento de alimentos em Santa Rita do Sapucaí.
A batalha de Montese

A Batalha de Montese foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial, de 14 a 15 de abril de 1945, em território italiano, tendo como combatentes, de um lado, a Força Expedicionária Brasileira, e do outro, as tropas alemãs. Do lado brasileiro, estava o então Tenente Paulo Cunha Azevedo, que também lutou em Monte Castelo
 A infantaria brasileira iniciou o seu avanço, sob forte resistência do inimigo. Mesmo sem comunicações, as tropas brasileiras avançaram, fazendo o inimigo recuar para a margem esquerda do rio Panaro. No dia seguinte, 15 de Abril, os alemães se renderam.

O retorno

O Jornal “O Correio do Sul” noticiou como foi a chegada de alguns dos santa-ritenses à cidade. Leia um trecho a seguir:
Recepção dos pracinhas em Santa Rita do Sapucaí. Em destaque, Capitão Paulo.
A recepção feita aos nossos pracinhas da FEB, pela população desta cidade, vem assumindo proporções crescentes de uma verdadeira consagração popular.

Soldado Mesquita, o primeiro a chegar, desembarcou  inesperadamente. Modesto e tímido, não se fez anunciar. Mesmo assim, o povo, as autoridades, bem como os estudantes, foram à sua residência e lhe prestaram com entusiasmo e orgulho, carinhosa manifestação de apreço. O TG 210, em peso, esteve lá presente e lhe prestou honras militares. Foi um espetáculo tocante em sua expressiva simplicidade.
O segundo, o destemido e simpático Hugo Dias, teve um acolhimento solene e concorridíssimo, pois o povo compareceu à estação para o vivar e acolher sua envolvente gratidão.

O terceiro, o nosso querido José Pata, provocou uma onda de entusiasmo de tal modo caloroso, que a recepção que lhe foi prestada resultou em um triunfo delirante. O pracinha santa-ritense não pôde pisar a terra carinhosa de seu berço senão à porta da matriz. Foi literalmente arrebatado do carro em que viajara e conduzido nos braços e aos ombros da massa compacta que o fôra esperar, entre fogos, vivas e às notas de duas bandas de música. Honra a vocês: José, Hugo e Mesquita! Vocês já saíram vitoriosos! O triunfo foi digno da luta – e dos lutadores!

Em outra matéria, o jornal relata a volta de “Capitão Paulo”:

De regresso da Itália, onde esteve integrando a gloriosa FEB, chegará hoje a esta cidade, pelo trem das 2 horas, o nosso particular amigo Ten. Paulo Cunha Azevedo. É mais outro expedicionário que volta à sua terra natal após uma campanha cheia de glórias para o Brasil. Como os demais, esse expedicionário será festivamente recebido por seus inúmeros amigos e admiradores. Bem avaliamos o contentamento reinante entre os seus, pelo auspicioso acontecimento. Mas essa onda de prazer não se circunscreve ape-nas ao âmbito de sua família. Espalha-se entre nós tornando-nos também venturosos.

Maurício e João no “Correio do Sul”

Retornam Maurício e João Adami, dois simpáticos e queridos conterrâneos, representantes da nova geração brasileira. Dois jovens santa-ritenses, cuja moral se tornou mais robusta, desde o momento da partida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário