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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Apenas um quarto (Por Salatiel Correia)

As batidas do coração aceleravam à medida em que o meu carro passava pelo trevo de Santa Rita do Sapucaí. Trevo, hoje, embelezado com uma escultura da santa da qual porta o nome. Fazia bem uns trinta anos desde que pisara pela última vez na terra de dona Sinhá Moreira.
De imediato, senti uma necessidade, vinda do interior da alma, no sentido de atar as duas pontas de minha vida. Naquele momento, consegui unir o que hoje sinto com o que um dia senti, quando cheguei, pelas rodas da Transul, a um lugar ao qual jamais tinha ido. A lupa de meu tempo voltou há 38 anos, quando, ainda um rapazola mal saído da adolescência e repleto de insegurança, aventurei-me a navegar em mares, por mim, nunca antes navegados.

A sensação dessa junção momentânea de meu passado distante se tornou presente. Bateu-me, então, um misto de melancolia e alegria. Era natural essa sensação, pois o atar das duas pontas da vida cria um fluxo momentâneo em que passado e presente se fundem numa coisa só.

“Aqui em Santa Rita, basta dar uma volta na praça ou ir ao mercado para encontrar todo mundo.” Assim me disse o simpático porteiro do Hotel Tadini. Fiz o que ele me disse. Já era assim há 38 anos. Santa Rita, embora tenha crescido, continua acolhedora. Ainda encontramos pessoas conhecidas no centro da cidade.

É bem verdade que velhos hábitos já não existem mais. Não existe mais o vaivém de um lado para o outro da praça, quando a missa acaba, mas o coreto da praça continua o mesmo. Como continuam os mesmos o prédio do fórum e o velho cinema, a igreja São Benedito e a casa do meu saudoso amigo Mauro Longuinho.

Nesse meu trafegar na terra de dona Sinhá, meu coração acelerou mais no momento em que me aproximei da mais profunda lembrança. Chegara ao mercado, bem de frente onde, por três anos, morei nos meus tempos de Santa Rita. A loja estava lá do mesmo jeito que a vi pela última vez, há mais de trinta anos: a Casa Marques, do meu querido amigo José Élcio Marques, carinhosamente conhecido por Brechó.

Parei o carro. As lembranças, cada vez mais intensas, impulsionavam mais ainda as batidas do coração. Atravessei a rua.

- Goiano, quanto tempo! - Assim me recebeu a simpática dona Dita, esposa de um querido amigo. Senti aquela alegria interior que a gente sente quando quer bem um ao outro.
- Cadê o Élcio? - Indaguei.
-Está lá no fundo da loja, - respondeu dona Dita.
Segui, em passos acelerados, rumo ao fundo da loja. Ia do presente ao encontro de meu passado. Lá estava ele, de costas, tomando café com a nora e um dos filhos, o Janilton. Este, quando eu morava no fundo da loja do pai, engatinhava. Hoje é um homem feito, pai de família. Como o tempo passa!

Toquei no ombro de meu dileto amigo que, naqueles tempos, foi um pai para mim. Ele se voltou com aqueles olhos verde-claros que nunca me saíram da memória. Deu-me um caloroso abraço fraterno. Abraço de dois amigos com uma amizade solidificada pelo tempo.
- Vem cá, goiano, ver como está seu quarto! - O coração disparou mais ainda. Era apenas um quarto, mas significava muito para mim.

- Fiz dele um depósito - me disse Élcio.
- Tem ainda o banheiro? - Perguntei.
- Sim. Não mexi nele.

Nisso, o atar das duas pontas de minha vida acelerou o fluxo entre o início e o fim desses 38 anos. Quanta água correu neste rio. Quantas alegrias! Quantas intempéries vencidas ou esquecidas! Amadureci. E lá estava eu recordando um rapazola na procura incessante pelo seu porto seguro. Hoje, caminhando para a terceira fase da vida, restou-me dizer ao Élcio e à dona Dita Marques o quanto eles foram uma família para mim. Foi uma alegria rever essa gente tão generosa para com o próximo. Gente que tanto quero bem. Amigos para sempre e que carrego no fundo do coração!

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento. É autor, entre outras obras, do livro Cheiro de Biblioteca. Obras que fazem nossa época.)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O cosmopolita Inatel (Por Salatiel Correia)

Aeroporto de Barajas, em Madri, capital da Espanha. Um homem moreno e calvo aproximou-se de mim e disse, em português: “Conheço o senhor de algum lugar?”. A fisionomia dele me era realmente familiar. “Tenho certeza de que nos conhecemos, sim!” respondi. “– Sou de São Paulo. Trabalho na Vivo de lá”, respondeu-me ele. Benedito!
Alguns anos depois, a mesma cena se repetiu em outro recanto do planeta. Desta vez, eu estava na loja da Apple, em São Francisco, na Califórnia. Novamente, alguém de mim se aproximou. Era um senhor loiro de mais ou menos um metro e oitenta: “De onde nos conhecemos?”.  Indagou-me ele. Creio que lá das Minas Gerais, brinquei trazendo na memória uma longínqua lembrança do passado. São Benedito!

Mais uma cena ocorrida há uns cinco anos: nesta, a situação foi diferente. Novamente encontrei alguém de fisionomia familiar. Nossos olhares cruzaram. Ele, eu conhecia. Ele também me conhecia. Tinha a lembrança de seu nome e sobrenome. Era um amigo de longa data. Após anos que não nos víamos vieram os cumprimentos amistosos de dois amigos que sempre se gostaram. Ele, trabalhando na Siemens, em Brasília, tinha vindo a trabalho à minha cidade de berço e residência, Goiânia. Era Edson Curto, colega de faculdade. Glorioso São Benedito!

Glorioso, glorioso São Benedito. Era assim que a música da igreja me acordava na manhã que tinha missa. Morava eu atrás da igreja nos meus tempos de estudante em Santa Rita do Sapucaí. Trinta e quatro anos já se passaram, mas as lembranças continuam bem vivas dentro da  minha alma. Encontrei esses três companheiros, em diferentes partes do mundo. Algo nos unia em um tempo que marcou nossas vidas.

Faz bem a gente recordar situações como essas no cinquentenário da escola que nos educou para a vida, o Instituto Nacional das Telecomunicações. Todos somos filhos de um mesmo sonho, germinado pelo professor José Nogueira Leite.

O cinquentão Inatel que conheci ainda adolescente se globalizou com qualidade. No próximo dia 6 de setembro, inúmeros filhos oriundos dessa instituição têm um encontro marcado no alto da Avenida João de Camargo, nº 510.

Um misto de emoção, orgulho e saudades brotará do coração de todos aqueles que um dia passaram pelo Inatel, que tanta contribuição deu e continua dando ao país, para que o Brasil possa, cada vez, mais se integrar pelas telecomunicações nessa sociedade globalizada em re-de. Parabéns, Inatel! Que os sinos da igreja São Benedito dobrem por ti no ano do teu cinquentenário.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro de “Cheiro de Biblioteca. Obras e personalidades que fazem nossa época.)”

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Santa Rita, Goianésia e o empreendedorismo (Por Salatiel Correia)

Conquanto distantes um município do outro, Goianésia e Santa Rita do Sapucaí têm um ponto em comum quando o assunto é o empreendedorismo. Comparemos essas duas trajetórias.

De ocupação recente, Goianésia começou a consolidar-se como município, a partir da década de 1940, com a chegada dos pioneiros Laurentino Martins Rodrigues e sua esposa Berchiolina Rodrigues. O povoado nasceu como município, no dia 21 de agosto de 1948. Localiza-se no estado de Goiás, distante 170Km da capital desse estado e 200Km do Distrito Federal.  

O desenvolvimento de Goianésia começou de fato a ser impulsionado com o eng. Jalles Machado de Siqueira, de notável capacidade empreendedora. Seguindo o dinamismo desse empresário, chegaram ao município a energia elétrica e as estradas e, ainda, alcançou o primeiro lugar na produção de um produto com o qual Goiás se destaca no cenário nacional: o arroz.

De pai para filho, assumiu o comando político da região o também engenheiro Otávio Lage de Siqueira, que era já um líder político e empresarial do município. De prefeito, Otávio se elegeu a governador do estado. Estávamos no fim da década de 1960.

No comando político de Goiás, o filho de Jalles Machado realizou uma gestão planejada e modernizadora. Nessa época, Goiás passou da condição de importador para exportador de e-nergia elétrica, e este fato diretamente influenciou na modernização da agropecuária goiana através dos programas de eletrificação rural.

Concluído seu mandato de governador, Otávio voltou para Goianésia para exercer a outra face de sucesso de sua vida: a de empresário. Engenheiro formado pela Universidade de São Paulo, ele influenciou para que seus filhos — Rodrigo, Otávio e Jalles — fizessem o mesmo curso que ele fizera, coisa que aconteceu numa escola de semelhante prestígio que a do progenitor deles. Todos os filhos desse empreendedor se formaram na Universidade Federal de Minas Gerais. Todos fizeram MBA no Brasil ou no exterior. 

Sob o comando político da família Lage de Siqueira – seja na liderança política, seja na empresarial — Goianésia teve um impulso extraordinário. Para que isso ocorresse, muito contribuíram inúmeros empreendimentos dessa família, os quais geraram milhares de empregos na região.

Com a implantação de uma destilaria de álcool combustível, a produção de cana-de-açúcar teve considerável desenvolvimento na região comandada pelos Lage de Siqueira. Além disso, os empreendimentos da família foram os pioneiros, por estes lados do Brasil, no uso da cogeração para geração de eletricidade. Suas usinas termoelétricas abastecem não só o complexo empresarial, como também vendem eles o excedente para o sistema elétrico nacional.

Goianésia é hoje um “brinco” de cidade! Lá habitam 65 mil pessoas usufruindo de uma infraestrutura de dar inveja à maioria dos municípios, e isso muito se deve a uma elite empreendedora que adotou a mesma mentalidade na administração do município. Aliás, administrações pensadas estratégica e altamente continuadas.

Não necessito falar muito da história de Santa Rita do Sapucaí para os santa-ritenses, pois já a conhecem de cor e salteado. Por essa razão foco nas semelhanças e diferenças entre os dois municípios.  Tanto num quanto no outro a influência de suas elites foram funcionais. Por essa razão, o benefício que essas elites trouxerem para suas regiões foram superiores aos custos que causam às sociedades por elas influenciadas. Nesse sentido, a família Moreira, representada por Francisco Moreira da Costa, Sinhá Moreira e o ex-ministro Bilac Pinto, desempenhou papel semelhante ao dos Lage Siqueira em Goianésia. O fato de gerações continuadas desta família comandarem politicamente a prefeitura municipal se tornou decisivo para a notável infraestrutura da qual hoje dispõe Goianésia. Infraestrutura da qual não dispõe Santa Rita no mesmo patamar. Creio que a mentalidade de continuidade administrativa de longo prazo existente no Inatel e em outras instituições não foi de certa forma cooptada pela política local deste outro município. O inverso aconteceu em Goianésia - onde a mentalidade empreendedora da família Lage de Siqueira foi cooptada na administração do município. Lá a razão preponderou.

 Entretanto, a elite santa-ritense, articulada nacionalmente, teve mais sucesso que a elite de Goianésia no tocante à qualidade educacional. Nesse sentido, a Escola Técnica Francisco Moreira da Costa, o Instituto Nacional das Telecomunicações e a Escola de Administração foram decisivos não só na sustentabilidade do polo de eletrônica, como na difusão de uma educação de qualidade para os filhos da terra. Talvez seja por essa razão que o índice de Desenvolvimento Humano dos santa-ritenses seja um pouco mais elevado do que o do município liderado política e empresarialmente pela família Lage Siqueira. E, assim, Goianésia é hoje um dos polos do agronegócio do país, enquanto que  Santa Rita do Sapucaí é um respeitável polo de eletrônica nesse mesmo país.  Duas histórias de empreendedorismo diferentes e com resultados até certo ponto distintos, mas com a mesma ideologia modernizadora de suas elites.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Luiz Gomes e os 50 anos do Inatel (Por Salatiel Correia)

Todo autor é um escritor de si mesmo e do que viveu. Nesse sentido, a memória é um dos assuntos mais recorrentes da obra literária. Um homem apreciando uma xícara de chá e saboreando uma Madeleine já se tornou uma cena emblemática da literatura mundial na pena de um escritor do primeiro time da prosa moderna. Falo do francês Marcel Proust.
Entre um gole e outro de chá, Proust transportou todos os recursos da memória para sua escrita. Nascia assim um dos maiores romances do mundo em tamanho (três mil páginas) e conteúdo: “Em Busca do Tempo Perdido”. Neste, Proust narra, num tempo extremamente lento, o passar de sua infância e adolescência, na pequena Combray - a vida mundana nos saraus de Paris. 

Confesso que tive um desses momentos proustianos ao entrar, dias atrás, no site do Inatel e deparar-me, na comemoração do seu cinquentenário, com a figura do Diretor da escola nos meus tempos de instituto. Trata-se do Professor Luís Gomes da Silva Júnior. Olha que já faz uns 35 anos! Naquela época, o Inatel era um adolescente; hoje, é um se-nhor maduro, prestes a completar 50 anos.

O Professor Luís Gomes foi o último diretor da escola, importado de Itajubá. Depois dele, veio o ciclo dos diretores da chamada “prata da casa”, cuja principal obra foi, a meu ver, consolidar a identidade da escola. Conseguiram isso. Gestão continuada, competência e compromisso com a instituição foi a receita do sucesso da consolidação dessa identidade.

O Inatel deve muito ao idealismo do mestre de Itajubá que, apesar de ser de lá, sempre teve a escola de Santa Rita no seu coração. Vestiu de verdade a camisa da instituição. No seu tempo, a escola idealizada pelo professor José Leite viveu o primeiro ciclo das grandes construções. Sob a batuta da dinâmica gestão do Professor Luís Gomes, prédios, laboratórios e o auditório Aureliano Chaves se tornaram realidade. Hoje, pelo andar da carruagem, o ritmo frenético das construções que ocorrem no campus da escola, demandadas pelo crescimento da instituição, fará com que o Inatel chegue até à Igreja de São Benedito!

Naquele tempo era imprescindível ter bom relacionamento com o Ministério da Educação - na distante Brasília - do primeiro ao segundo escalão. Ciente disso, o mestre de Itajubá soube usar sua astúcia política no sentido de construir bons aliados que poderiam ajudar o Inatel a consolidar-se como instituição, aliás, recentemente reconhecida pelo Ministério da Educação.

Homem carismático, Luís Gomes sabia construir relacionamentos com políticos que ajudaram a consolidar o Inatel como instituição. O primeiro deles era contemporâneo seu dos tempos de faculdade em Itajubá - Aureliano Chaves, na época, Vice-Presidente da República. Tinha ele também boa convivência com o ministro Bilac Pinto e com seu filho, à época, deputado federal, Francisco Bilac Pinto.

“Jogar confete” no segundo escalão do Ministério da Educação fazia-se necessário também. Tudo em nome da escola que o professor Luís Gomes administrava com o maior entusiasmo e dedicação. Enquanto escrevo estas linhas, vem-me à memória aquela placa que foi colocada, às pressas, num lote baldio ao lado do Inatel, para homenagear um simples burocrata do segundo escalão, o então Chefe do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação que visitava o Instituto. Coisas assim convergiam aos interesses da escola ainda em processo de consolidação, acima de tudo.

Luís Gomes da Silva Júnior foi um diretor de importância na história do cinquentenário do Inatel. Idealismo, honestidade e competência resumem a grandeza da alma de um homem que teve sua importância para a instituição. Um homem que, de fato, sempre amou o Inatel.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica)

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Barão de Mauá ou Eike Batista? (Por Salatiel Correia)

Embora tenham eles atuado empresarialmente em épocas muito distanciadas uma da outra, tem-se a impressão de que a crença de ambos no empreendedorismo com geração de riqueza foi exatamente a mesma.
 O primeiro viveu nos tempos do Segundo Reinado, no século dezenove, quando predominava o poder moderador do imperador. O segundo vive os dias atuais do século vinte e um, em cuja realidade impera a volatilidade dos capitais globalizados que se locomovem ante a velocidade das informações. É extraordinário pensar nos feitos daquele menino pobre, órfão de pai, chegando, ainda criança, com nove anos, ao Rio de Janeiro para trabalhar como caixa de um armazém, por mais de 15 horas, em troca de casa e comida.

A falência desse estabelecimento levou nosso personagem a mudar de emprego. Foi indicado, no distante ano de 1830, para trabalhar na empresa de importação do escocês Richard Carruther. Aprendeu tudo com ele: das técnicas de contabilidade e planejamento a falar inglês. 

Conheceu a Inglaterra, berço do capitalismo mais avançado do mundo, onde se gestou a Revolução Industrial. Ao retornar ao Brasil, lutando contra uma mentalidade escravocrata e rural, iniciou seu império industrial. Veja-se alguns de seus feitos: implantação da primeira ferrovia brasileira, a estrada de ferro do Rio de Janeiro. Pioneiro na exploração do rio Amazonas e afluentes, bem como no Rio Grande do Sul, em barcos a vapor, a iluminação pública a gás do Rio de Janeiro, a criação do primeiro Banco do Brasil e a instalação do cabo submarino entre a América do Sul e Europa.

No auge de seu império, controlava 17 empresas localizadas em seis países (Brasil, Uruguai, Argentina, Inglaterra, França e Estados Unidos). Sua fortuna, em 1867, de 115 mil contos de réis, ultrapassava o orçamento do próprio Império, de 97 mil contos de réis.

Detalhe: se atualizarmos a fortuna desse empreendedor para os dias de hoje, chegaremos à espantosa cifra de 60 bilhões de dólares. Tratava-se de um verdadeiro Bill Gates do Império.
Falemos agora do segundo empreendedor. Abandonou o curso de engenharia metalúrgica, na Alemanha, com o intuito de se tornar um homem rico no Brasil. Sonho sonhado, iniciou sua trajetória comercializando ouro de uma pequena mina de sua propriedade para os centros mais dinâmicos do país e, posteriormente, para o exterior. Ganhou dinheiro e montou empreendimentos no Canadá. Faliu.

De volta ao Brasil, concentrou seus negócios no país. A volta por cima veio com a providencial ajuda do capitalismo de Estado brasileiro que sempre irriga de boa vontade quem financia campanhas políticas dos donos do poder. Fomentado pelo BNDES e outras fontes, vieram empreendimentos que revigoraram os negócios de Eike Batista. A termoelétrica do Ceará (conhecida por termoluma, em alusão a então esposa do empresário, Luma de Oliveira). A venda de uma mineradora para a poderosa Anglo, foi outro negócio da China. Detalhe: como não produziu minério suficiente, deu um prejuízo de mais de 4 bilhões de dólares para a empresa britânica, com isso, custando a cabeça da principal executiva do grupo.

Bons negócios foram o combustível que deu origem a inúmeras empresas que se agruparam na sugestiva letra multiplicadora X— OGX (Petróleo), LLX (logística), MMX (mineração), etc. O empreendedor de que vos falo tem um talento inegável para vender riquezas, mesmo que estas ainda não tivessem sido geradas.

Do otimismo exagerado aliado à euforia de um país com PIB crescente contribuíam para a valorização das ações desse empresário. Chegou ele a tornar-se o sétimo homem mais rico do mundo, com fortuna estipulada em 27 bilhões de dólares.

Certamente, ele não teria conseguido acumular tamanha fortuna se a regulação de capitais no Brasil não fosse tão frágil como se mostrou ser. O resultado dessas falhas acumuladas ao capitalismo, de laços em torno das instituições de fomento ao desenvolvimento, levou o mundo X por água abaixo no momento em que as projeções, tão apregoadas empreendedor, mostraram a verdade dos fatos. O petróleo prometido simplesmente não existia. Resultado: a partir daí, o império X desmoronou, assim, começando o inferno astral de seu fundador.

Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, é o primeiro personagem; Eike Batista, o segundo. Ambos com o discurso em torno do empreendedorismo, mas com práticas completamente diferentes um do outro, a começar da origem.

O Barão de Mauá saiu da pobreza. Fez-se absolutamente sozinho. Eike Batista, admita ele ou não, sempre, teve a ajuda do pai nos momentos decisivos (a jornalista Malu Gaspar nos conta detalhadamente esses fatos no livro que escreveu a respeito do mundo X. Leia-se: “Tudo ou Nada”).

Mauá gerou empreendimentos que produziram não só riquezas que impulsionaram a débil economia do Segundo Reinado, mas de grande parte da América do Sul. Eike gerou sonhos em Power Points que capitaneava investidores externos em um período que estes acreditavam na pujança do país. O Barão não contou com as benesses do Estado. Ao contrário: contou, sim, foi com os ciúmes de uma classe rural retrógrada, de uma economia que lucrava com o tráfico de escravos. Além disso, o imperador, um tanto quanto conservador, não comungava do mesmo espírito dinâmico do empreendedor. E, então, quem esteve imbuído do verdadeiro espírito empreendedor - o Barão de Mauá ou Eike Batista? Sem dúvidas, fico com o espírito empreendedor de Irineu Evangelista de Souza. E você?

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quarta-feira, 18 de março de 2015

O reitor, o ministro e o que os unia: Santa Rita do Sapucaí (Por Salatiel Correia)

“Vá lá a Brasília. Procure o mi-nistro no Supremo Tribunal Fe-deral, fale em meu nome. Peça a ele que convide o ministro Aliomar Baleeiro para vir a Goiânia encerrar nosso Congresso de Direito.” - assim, solicitou o reitor ao diretor da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Com essa incumbência dada pelo Magnífico, ele me relatou o que fez:
 “Dito e feito. Fui para Brasília e me dirigi ao Supremo Tribunal Federal. Lá chegando, a secretária do ministro anunciou meu nome. O magistrado não me conhecia, mas bastou falar o nome do reitor para que as portas se abrissem. O ministro, pessoa de fino trato, prontamente me atendeu com a maior simpatia, colocando-me de frente a seu colega, considerado o maior tributarista do Brasil: Aliomar Baleeiro. Fiz o convite e Aliomar Baleeiro veio a Goiânia encerrar, com brilho, o Congresso de Direito.” 

O ministro em questão era o doutor Francisco Rezek, nascido na mineira Cristina, mas santa-ritense de coração e adoção. O reitor da PUC era outro santa-ritense de coração e adoção. Falo do então padre Vaz, que, anos mais tarde, tornar-se-ia reitor de outra Pontifícia Universidade Católica e, posteriormente, seria promovido a bispo de Petrópolis.

Relatou-me esse episódio, enquanto esperávamos para sermos atendidos pelo oftalmologista, um velho amigo de minha família que fora diretor da Faculdade de Direito da PUC, no fim dos anos de 1970, na época em que o reitor era o padre Vaz. Ao ouvir o relato, logo pensei: dois homens de destaque e um elo comum entre eles, estivessem onde estivessem: Santa Rita do Sapucaí.

Aproveitei aquele momento para relatar ao ex-diretor da Faculdade de Direito velhas histórias sobre o padre Vaz que todo santa-ritense conhece, mas que o diretor, homem dessas bandas do Brasil central, desconhecia.

Histórias como a decisiva participação de Dom Vaz na consolidação da maior Escola Técnica de Eletrônica da América Latina. Histórias de amor do povo de Santa Rita ao pastor educador que por lá viveu deixando sua marca no coração da população.

Na época em que o padre Vaz viveu entre nós, Goiânia tinha quase um milhão de habitantes. Hoje, beira a um milhão e meio. Numa cidade grande assim, a realidade de interação com a sociedade não se concretiza tão fácil como é em uma cidade como Santa Rita. Porém, mesmo numa cidade dessas dimensões, padre Vaz deixou sua marca de grande educador, sentida até hoje na memória da instituição que dirigiu: foi um dos melhores reitores da história da Universidade Católica. Não tenham dúvidas de que o sucesso de sua administração em Goiânia foi o passaporte para que o apóstolo educador se credenciasse para dirigir a mais importante PUC do Brasil – a do Rio de Janeiro. Francisco Rezek e Dom Vaz ganharam o mundo sem se esquecerem de seus caminhos cruzados naquela pequena cidade, nas montanhas do sul das gerais de Guimarães Rosa: Santa Rita do Sapucaí.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro A Construção de Goiás.)

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Um lorde inglês em Santa Rita do Sapucaí (Por Salatiel Correia)

Lembro-me como se fosse hoje daquele porte ereto, aquela voz pausada, aquele andar elegante. “Um típico lorde inglês”, assim bem definia um colega do qual só me recordo do eco da sua voz. Afinal, já faz bem uns 36 anos daquele seu comentário a respeito de nosso professor.
Bem me recordo que suas aulas aconteciam aos sábados, pois, durante a semana, estava ele envolvido com seu doutoramento lá na Unicamp, em Campinas. Vencia o personagem destes escritos os 220 quilômetros, toda a semana, da cidade de Carlos Gomes até Santa Rita para nos embevecer com sua sabedoria.

“Tomava banho pensando nas expressões matemáticas”, disse-me ele, certa vez, na época árdua da elaboração de sua tese. Tempos depois, passando eu próprio uma temporada lá em Campinas, encontrei-me, no restaurante da Unicamp, com o professor Dalton Soares Arantes, este, doutor pela Universidade norte-americana de Cornell. Dalton, que fora professor dele na pós-graduação, confidenciou-me algo que deveras me encheu de satisfação: “a tese dele foi a primeira a ser defendida a respeito do assunto telecomunicações no Brasil”. E acrescentou: “Trata-se de uma pessoa muito séria e determinada.” Eu já sabia disso. 

Anos mais tarde, tive notícias dele por meio de um amigo comum. Tinha ele se tornado diretor da Universidade Mackenzie. Foi reconhecido pela sociedade paulistana com o título de cidadão.

O lorde de que vos falo, e bem recordo com carinho, respeito e admiração, é o Doutor Adonias da Costa Silveira. Quem conhece sua trajetória de vida bem sabe que se trata de um vencedor. De origem humilde, estudou na ETE, foi diretor da escola, aluno e professor do INATEL e da UNIFEI por décadas. Doutor Adonias é, antes de tudo, um administrador nato, que ajudou a construir essa grande instituição que é reconhecidamente o INATEL.

Homem de Deus, religioso ao extremo, devotou sua vida a uma das atividades mais nobres do ser humano: formar gente. Ainda me lembro das suas antigas apostilas de circuitos transistorizados, quando mal se falava em circuitos integrados. Tempos atrás, fui fazer um curso de aprimoramento de inglês em Londres. Vagueando, no final da tarde, pelo bairro de Notting Hill, imortalizado pela atriz Julian Roberts em um belo filme, observava o ir e vir daqueles elegantes senhores, devidamente acompanhados de suas esposas com seus portes eretos, aqueles andares elegantes, com aquele inglês pausado e bem falado. Pronto. Logo me veio como um flash na memória a imagem do genuíno lorde.  Naquele momento, entendi o porquê, há 36 anos, já associavam aquela imagem ao querido professor Adonias, o Lorde do Vale da Eletrônica. Caro professor, não nos vemos há décadas. Vai daqui meu abraço fraterno de quem guarda de você uma boa recordação dos tempos em que a vida ainda nos permitia cultivar o dom da inocência.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Administrador de Empresas e Mestre em Planejamento. É autor, entre outras obras, do livro A E-nergia na Região do Agronegócio)

Fale com o Salatiel: salatielcorreia1@hotmail.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Um exemplo de imaginação política (Por Salatiel Correia)

O som de João Gilberto, com aquela voz doce e superafinada, ganhava o mundo afora. Nara Leão se tornava a musa inspiradora dos jovens abastados da zona sul carioca. Florescia com toda força o cinema novo de Glauber Rocha, que adquiria respeitabilidade internacional. Na arquitetura, a força expressiva de Oscar Niemeyer moldava os tempos modernos que chegavam entre nós. Pintores, escritores e escultores expressavam-se num ambiente altamente favorável. No futebol, o Brasil conquistava, pela primeira vez, o título mundial. No tênis, Maria Ester Bueno saiu vitoriosa daquele que é considerado o mais importante torneio do planeta: Wimbledon. Essa era a face mais visível de um país que construía a passos acelerados sua identidade.
Estradas rasgavam os sertões do país integrando o centro-sul - um Brasil que o Brasil ainda não conhecia. Usinas hidroelétricas eram construídas, não só tirando milhões de brasileiros da escuridão, como sustentavam nossas indústrias, assim, impulsionando o São Paulo moderno. E, então, o país crescia economicamente a taxas comparáveis às da China de hoje.

O sonho acalentado desde os tempos de Dom Pedro II se tornava uma realidade. Nascia uma nova capital incrustada no coração do Brasil e que integraria os quatro cantos do país. Estávamos nos tempos daquele que é considerado o mais empreendedor presidente que o Brasil já teve: Juscelino Kubitschek de Oliveira. As coisas boas não acontecem por acaso. Por trás delas, existe um rigoroso planejamento alicerçado pela vontade política de fazer - e JK fez!

Para tanto, ele se cercou de gente de primeira qualidade. Não ligou para clientelas tão arraigadas na nossa cultura política. Criou uma estrutura paralela e com esta governou. Tudo gente de primeira qualidade e léguas distantes dos aduladores. O desenvolvimento do Brasil não se deu só na dimensão econômica, mas também cultural. 

Nos tempos em que governou o Brasil o marido de dona Sara, o país vivenciou a fase mais visível que alimenta seu corpo - energia, transportes, a nova capital - mas também se impregnou da fase mais invisível que alimenta a alma humana: a cultura. As coisas boas não acontecem por si só; elas são o resultado de planejamento, vontade política e muita imaginação.

É a imaginação política que conduz por caminhos incertos as sociedades que têm visão e lide-rança para conduzir o processo de desenvolvimento. Visão para enxergar mais adiante, liderança para encantar seguidores.

Um belo exemplo de uso da imaginação política aconteceu recentemente em Santa Rita do Sapucaí com o advento da Cidade Criativa, liderada pelo competente vice-prefeito e ex-diretor do Inatel, professor Wander Wilson Chaves. Ao corpo do desenvolvimento santa-ritense, expresso pelo seu respeitável polo de eletrônica, agregou-se a alma emanada da Cidade Criativa. Puro exercício de imaginação política. Palestras, peças teatrais e shows trouxeram uma dimensão humana para o processo de desenvolvimento local.

Processos dessa natureza se tornam ainda mais sustentáveis quando são resultantes da vontade política emanada pelo poder público. Vontade política que vai além do trivial da construção de praças e estradas, pois agrega à alma dos cidadãos a descoberta de si mesmos a partir da cultura. Que a Cidade Criativa se torne um acontecimento corriqueiro, na terra de Sinhá Moreira, como é a festa de Santa Rita. Acontecimentos como o Cidade Criativa vão sempre em busca da transformação do homem pelo homem por meio do que realmente alimenta e torna a vida neste mundo merecida de ser vivida: a cultura.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, dentre ou-tras obras, do livro Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica)

Oferecimento:

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O Vale do Silício, o Vale da Eletrônica e o empreendorismo (Por Salatiel Correia)

Anotem aí: se fosse possível contabilizar a riqueza gerada pelas 18 mil empresas fundadas pelos alunos e ex-alunos da Universidade norte-americana de Stanford, esta formaria a décima nação do mundo com Produto Interno Bruto de 1,27 trilhão de dólares. É o que nos diz a Associação da História de uma importante região dos Estados Unidos.
Quem proporciona essa excepcional geração de riqueza na economia mais dinâmica e inovadora do mundo é o Vale do Silício. Este se constitui na face mais visível do sucesso de articulação entre governos e iniciativa privada, fomentando, dia a dia, ano a ano, durante décadas, o espírito que faz da sociedade dos Estados Unidos o que ela hoje é: empreendedora. Não tenham dúvidas de que, por trás de grandes ideias, existem grandes personalidades que transformam sonhos em realidade.

Intenciono, neste artigo, enfatizar a figura daquele que é considerado o fundador do Vale do Silício e que tanto fomentou o empreendedorismo na região. Refiro-me ao professor Fred Terman. Falemos um pouco desse grande homem.

Nativo da cidade de Palo Alto (onde fica Stanford), Fred Terman se graduou em química. Cursou mestrado em Stanford e doutorado em engenharia no prestigiadíssimo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Após o término do doutoramento, Ferman se tornou aquilo que seu pai já tinha sido: um renomado professor de Stanford.

Nessa condição, ele se transformou no grande líder na universidade, sempre a incentivar o empreendedorismo entre seus alunos. Entre estes se destacaram dois homens de gênio  e que se tornariam empreendedores de reconhecido sucesso por meio da empresa que viriam a fundar: David Packard e Bill Hewlett, personalidades que fizeram da companhia que funda-ram, a HP, uma empresa de respeito mundial.

A liderança de Fred Terman não ficou só no incentivo. Sob sua notável influência, a universidade concedeu terras sob a forma de leasing para que empresas de alta tecnologia se instalassem nas suas cercanias. Nascia, assim, o Parque Industrial de Stanford. 

O ambiente da época, imerso na Segunda Guerra Mundial e na posterior Guerra Fria, contribuiu para o notável desenvolvimento das indústrias da região. Transistores e circuitos integrados para a corrida aeroespacial norte-americana saíram da região do Vale do Silício.

Apple, Google, Facebook, HP e Intel são símbolos visíveis da globalização que se concentra nessa região, onde o futuro é cotidianamente pensado. No Vale do Silício, pulsa cada vez mais intensamente o espírito da grande liderança que foi o professor Fred Terman. Este, sem dúvida, foi um grande homem de merecido respeito.

Do Vale do Silício, na Califórnia, para o Vale da Eletrônica, no sul de Minas Gerais, as diferenças em termos de dimensão são consideráveis. O que não é diferente é o espírito de grandes personalidades que tiveram a visão de que o futuro se constrói com empreendedorismo e inovação.

Nesse sentido, o Vale da Eletrônica e o seu coirmão mais rico se confundem. Fred Terman, Sinhá Moreira, o professor José Nogueira Leite e o ex-prefeito Paulo Frederico de Toledo são as duas faces de uma mesma moeda. Do mesmo espírito. Optaram, cada um ao seu tempo, pela renúncia a si mesmos, a fim de pensar no bem de toda uma sociedade, em torno da construção do futuro.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica)

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Santa Rita, Rio Verde e a Globalização (Por Salatiel Correia)

Rio Verde e Santa Rita do Sapucaí são dois municípios distantes um do outro, mas ligados ao mesmo momento histórico: o da globalização de suas economias. Falemos um pouco desse momento nos dois municípios.
Localizado no sudoeste do estado de Goiás, a 220 quilômetros da capital, Goiânia, Rio Verde foi ocupado territorialmente no final do século dezenove. Politicamente, a cidade despontou no contexto estadual com a Revolução de 1930, tendo à frente aquele que se tornaria o maior líder da política goiana: o médico Pedro Ludovico, este, fundador de Goiânia e grande aliado do presidente Getúlio Vargas por estes lados do Planalto Central.

Vencida a Revolução de 1930, cujo pano de fundo estadual se centrava na luta entre a agricultura representada pela família Ludovico e a pecuária pela família Caiado (do deputado Ronaldo Caiado), Rio Verde se firmou na política estadual e começou a despontar economicamente até se tornar o que hoje é: um dos celeiros do agronegócio no país. 

Conheci a cidade ainda jovem, quando esta não tinha mais que 50 mil habitantes. De lá para cá, o progresso foi avassalador. O crescimento da economia da terra de Pedro Ludovico refletiu no crescimento da cidade, que conta hoje com cerca de 200 mil habitantes. Para lá migraram, não só gente do sul e sudeste do país, mas dos Estados Unidos, Holanda e até da Rússia. Todos foram para Rio Verde atraídos pela extrema fertilidade de seu solo. Só para se ter uma ideia da riqueza gerada na região, o alqueire de soja tratada chega a custar cerca de 300 mil reais. Falemos um pouco de Santa Rita.

A ocupação da cidade se origina também no distante século dezenove. Desde os seus primórdios, a base cultural da terra da benemérita Sinhá Moreira se centrou na migração europeia (portuguesa, italiana) e do Líbano para a região.

Embora pequena em dimensões, Santa Rita se tornou visível politicamente na chamada República Velha, tendo como figura mais expressiva o ex-Presidente da República Delfim Moreira e, posteriormente, essa visibilidade se elevou pela influência do ex-ministro e presidente da Câmara dos Deputados, Olavo Bilac Pinto. 

As conexões políticas santa-ritenses se manifestavam nas conexões com o governo federal; já as de Rio Verde não eram tão diretas assim, pois passavam pela intermediação do interventor Pedro Ludovico.

A qualidade de vida em Santa Rita, mensurada pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é elevada (0,810). A de Rio Verde, embora elevada, é menor que a de Santa Rita (0,754). Penso que o que elevou o IDH santa-ritense seja algo de que ainda carece Rio Verde: mão de obra qualificada.

Entretanto, a riqueza gerada por pessoa em Rio Verde - considerando dados do IBGE  de 2010 - é mais expressiva do que a constatada em Santa Rita. Traduzindo em números, isso quer dizer que a renda per capita em Rio Verde é de 31.000 reais, enquanto que em Santa Rita ela não passa de 21.000 reais.

Estabelecidas as semelhanças e diferenças, os dois municípios vivem o mesmo momento histórico de um mundo que se globaliza em teias que buscam a vocação econômica de cada região.

A teia de Rio Verde é o agronegócio de poderosas indústrias, como a Perdigão, que se instalaram no município. Já a teia de Santa Rita e seu Vale da Eletrônica vêm se inserindo, paulatinamente, na globalização através dos produtos originados nas suas 150 micro e pequenas empresas.

Embora diferentes nas origens do seu processo civilizatório, conquanto tão distantes uma da outra (cerca de 1400 quilômetros), Rio Verde e Santa Rita se tornam tão iguais no novo Brasil, que está a exigir inovação proveniente da educação que eleva a produtividade de sua economia.

O agricultor da enxada de outrora em Rio Verde tem, atualmente, de lidar com poderosas máquinas colheitadeira de soja, altamente computadorizadas. Já o desafio do trabalhador qualificado santa-ritense se centra na inovação dos produtos advindos de suas indústrias. A economia de Santa Rita mudou a principal base geradora de sua economia, antes alicerçada na agropecuária, para, hoje, centrar-se na indústria. Tanto num quanto noutro município pulsa o espírito empreendedor, motor maior da geração da riqueza numa nova ordem mundial que se globaliza.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, de A Energia na Região do Agronegócio.)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O tempo econômico e o tempo político (Por Salatiel Correia)

Aquele foi um dia festivo no Inatel. O recinto onde aconteceria a solenidade se encontrava repleto de professores, funcionários, estudantes e políticos. A figura central daquele acontecimento era o então Vice-presidente da República, Aureliano Chaves. Este visitava a escola para inaugurar o auditório com seu nome.
Sinhá, Luís Gomes, Bilac e Carminha Moreira.
Figura imponente, física, política e moralmente, Aureliano ocupava o centro na composição da mesa. Uma mesa repleta do poder político da região. À direita do ex-governador das Gerais, com seus cabelos embranquecidos, sentava-se o ministro Olavo Bilac Pinto, acompanhado do seu filho, o deputado Federal Francisco. À esquerda do ex-presidente, encontrava-se o então diretor do Inatel Luís Gomes da Silva Júnior.

Aureliano, bom orador, mostrou, em seu discurso, intimidade com a região. Ainda retenho na memória sua entusiasmada saudação à família Bilac Pinto, especialmente à cunhada do ministro Olavo: Sinhá Moreira. O que mais fez Aureliano naquele dia foi ressaltar, com muita justiça, os feitos da maior benemérita da região.

Aquele acontecimento, visto pela lupa do tempo, representa, com precisão, algo muito presente na Santa Rita anterior ao Vale da Eletrônica: o sincronismo entre o tempo econômico e o tempo político. Tanto um como o outro tinha a mesma velocidade.

As pioneiras lutas de dona Sinhá Moreira em prol de levar uma escola de eletrônica para a cidade e as lutas da sociedade santa-ritense no sentido de instalar o Inatel na cidade evidenciam o sincronismo entre a política e a economia na terra de Delfim Moreira. 

A política e a economia, de mãos dadas, trouxeram escolas que criaram a ambiência necessária para que eclodisse algo que, a partir dos anos de 1980, descolou o tempo econômico do tempo político: o Vale da Eletrônica. Certamente, a eclosão do Vale da Eletrônica e suas indústrias deram uma nova dinâmica à economia da região. A política. simplesmente. não conseguiu acompanhar tal dinâmica.

Percebo, claramente, essa cisão ao visitar com certa frequência o site do Inatel. O que se desenvolve no mundo do campus se encontra perfeitamente conectado com uma nova ordem imposta por um mundo que se globaliza cada vez mais. Inovação, internacionalização e empreendedorismo são valores inerentes a esse mundo. Empresas como a Leucotron, o hospital Maria Thereza Rennó e as dezenas de indústrias do Vale da Eletrônica também vivem essa dinâmica.

Infelizmente, o tempo político não consegue acompanhar essa nova realidade. Basta observar o site do compromissado Giácomo Costanti, o Vale Independente, para perceber os déficits infraestruturais da cidade. A inexistência de uma infraestrutura hoteleira condizente com essa nova ordem que vive o tempo econômico do inovador Vale da Eletrônica é outro indicador que se observa.

Mas isso não ocorre apenas em Santa Rita. O Brasil inteiro vive esse descompasso entre o tempo econômico e o tempo político. Um bom exemplo é o centro-oeste brasileiro e, mais ao norte, o estado do Tocantins. Nessa região, o que desconecta o tempo econômico do político é outra forma de geração de riqueza: o agronegócio.

O Produto Interno Bruto cresce, apesar dos governos. A dinâmica da soja para exportação é quem dita os rumos que infraestruturas como o asfalto e a energia elétrica devem seguir. A ferrovia norte-sul nada mais é do que o braço infraestrutural que atenderá ao escoamento da soja para mercados distantes como a China.

Nada mais adequado para encerrar estes escritos do que os versos de nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, a respeito do tempo numa cidade interior: “onde homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar as janelas olham”. Este tempo convive, hoje, no mesmo espaço geográfico que o espírito empreendedor dos Bill Gates da pós-modernidade, onde o tempo econômico é um; e o político, outro.

Salatiel Correia é Engenheiro, Administrador de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, de A Energia na Região do Agronegócio.

FALE COM O SALATIEL CORREIA: salatielcorreia1@hotmail.com

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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eu e minha xícara de chá - Por Salatiel Correia

Paris, em um dia qualquer de dezembro de 2013. Estava nessa cidade, a qual tenho por hábito revisitar a cada dois anos. Desço do metrô na Praça San Michel, no coração do bairro famoso pelas livrarias, cafés, pelos majestosos jardins de Luxemburgo e pela Universidade de Sorbonne que lá se localizam: o Quartier Latin. O frio estava de lascar. Entro num café e faço, ao garçom, num francês hoje fluente, meu pedido:
─ Por gentileza, um bolo Madeleine e um chá quente. 

Não se passaram mais que cinco minutos e lá veio o simpático garçom com minha solicitação prontamente atendida. Um bolo Madeleine, uma xícara de chá e Paris. Tudo se encaixava com o maior romance — em tamanho e envergadura — escrito pelo grande escritor francês do século XX: Marcel Proust. Marcel Proust, no seu magistral "Em Busca do Tempo Perdido", expressa, em seis volumes, que totalizam 3 mil páginas, o lento passar do tempo naquela bucólica, mas já cosmopolita Paris do início do século XX, tão repleta de saraus, de passeios a pé pela Avenida dos Campos Elísios.

Degustar uma xícara de chá, para ele, era como voltar à sua primeira infância, passada na pequena Combray, quando Proust lá passava as férias na casa da avó. A vida de criança, as primeiras paixões da adolescência, a vida adulta em Paris, enfim: o lento passar do tempo vinha à memória deste grande escritor, enquanto tomava uma xícara de chá, saboreando um Madeleine. O lento e contínuo fluxo do tempo transcorria.

Confesso que, estar em Paris e repetir o hábito de Proust, já tendo enfrentado sua obra-prima, veio-me à memória a minha Combray dos tempos em que eu era ainda um jovem estudante na pequena e agradável Santa Rita do Sapucaí.

Ao primeiro gole e à primeira mordida no Madeleine, vieram-me cenas do frio de maio, quando eu subia a pé a João de Camargo. Eu ia atrás, na minha frente, seguia  um jovem estudante de uma turma anterior à minha e que, anos mais tarde, tornar-se-ia um grande gestor do nosso querido Inatel: Wander Chaves. Parece que foi ontem, quando, pela João de Camargo, eu trafegava e via o nosso querido professor Justino montado na sua Brasília conduzida vagarosamente. Jaleco branco... a barba preta ornamentava uma alma generosa e ávida por nos transmitir seu imenso conhecimento. Na descida da João de Camargo, a primeira pessoa que me vem à memória, enquanto aprecio meu chá, é a figura mãe dos estudantes que nossa querida dona Hespanha representava para muitos de nós que tivemos o prazer de conhecê-la. Sua figura maternal, na janela de sua casa, vendo os estudantes saírem da escola permanece viva em mim até hoje. Descer a João de Camargo era parar no bar do primo ou do Didi para tomar uma Coca-Cola e degustar um delicioso salgadinho ou, então, parar em frente da casa de meu saudoso amigo Mauro Longuinho para bater um papo.

Continuo a mexer minha xícara de chá e a apreciar mais um pedaço do Madeleine. A imagem que agora embevece meu rememorar de vida santaritense se centra na figura do nosso amigo Rosário Perrota, pai do Giovanni. Parece que foi ontem. Lá estava eu tomando aquela deliciosa coalhada com maçã servida no seu estabelecimento comercial. Lá eu também comprava revistas ou simplesmente jogava conversa fora com seu Rosário e sua encantadora esposa. De quem também me lembro é da saudosa figura do Candião, com seu restaurante na rodoviária, no qual, bom de garfo que sempre fui, almoçava todo o santo dia. Como também se torna uma viva lembrança, para mim, a Casa Marques, de meu dileto amigo José Élcio Marques, também, conhecido, carinhosamente, pelo apelido de Brechó. Brechó é pessoa generosa, um amigo de toda uma vida. Até hoje, quando a saudade aperta, mantenho conversas ao telefone com ele e sua família. Morei bem uns três anos nos fundos de seu estabelecimento. Estão ainda vivas dentro de mim nossos dedos de prosa no findar da tarde.

Mais gole de chá, acompanhado de mais uma degustada no Madeleine, fazem-me lembrar outra figura generosa dos anos vividos na terra de Sinhá Moreira: o Modesto e sua lanchonete.  Para lá ia eu todas as noites apreciar o melhor sanduíche e a melhor vitamina da cidade. O bar do Wladas, com seu bife delicioso, que valia ouro, acompanha meu paladar até os dias de hoje.   

Mais um gole de chá, acompanhado de um pedaço do Madeleine, agora, fazem-me recordar alguns de meus colegas vivos ou que já se foram que habitavam a pequena Santa Rita. É o caso do mais espirituoso deles, o Francisco Martins Portelinha, hoje, professor da Universidade Federal de Itajubá. Do magnata Toninho Maglioni, dono do supermercado Alvorada; do sempre risonho Cláudio Dias da Costa; e daquele cuja timidez e inteligência caracterizavam seu ser: o Carlos Guerra Godoi. Outro colega do qual não me esqueço é do Flavinho Ulhôa. Este exalava em todos nós aquela tranquilidade típica dos monges tibetanos. Pena não estar mais entre nós um de meus mais próximos amigos e do qual me tornei um habitué de sua casa nos meus tempos de Inatel: o Benedito João Maia Costa.

Um derradeiro gole de chá e uma última degustada no Madeleine me trazem uma última lembrança de meus tempos juvenis na pequena e aprazível Santa Rita. Vem-me na lembrança a figura de meus amigos Cesar Romero, tio do Carlos Romero do Empório de Notícias, e do seu amigo, que se tornou também uma boa lembrança neste meu rememorar da vida, na terra de Voltaire: o meu vizinho Clemilton, que hoje reside na vizinha Cristina. A vida é fluxo contínuo, em que sempre é bom trazer à memória a lembrança de pessoas pelas quais nutrimos sentimentos que nos conduzem leveza quando delas nos recordamos.

Termino meu deliciar do bolo Madeleine, acompanhado de uma xícara de chá. Pago a conta. O frio não impede de tomar novamente o metrô e seguir para o bairro dos artistas, Monmartre, para agora me deleitar com belas obras de arte expostas nas ruas do bairro ao som dos realejos. Só mesmo Paris para nos fazer saudosistas de tempos que se foram. São coisas como essas, regadas com deleite, que as obras dos artistas de rua e de museus como o Louvre nos proporcionam e fazem da cidade luz um lugar único o qual tem de ser sempre revisitado. Quando nos cansamos das lembranças que nos marcam e do apreciar o que está implícito numa verdadeira obra de arte que rega nossos espíritos é porque simplesmente cansamos de apreciar o belo. Sem o apreciar do belo e as recordações que carregamos dentro de nós, vive-se uma vida que não merece ser vivida.

Salatiel Correia é Engenheiro, Administrador  de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro A Energia na Região do Agronegócio.

terça-feira, 18 de março de 2014

Prof. Fernando Costanti e o iluminismo em Santa Rita do Sapucaí - Por Salatiel Correia

A memória nos conduz à leveza no momento em que nos recordamos de pessoas que cruzaram nossos caminhos neste fluxo contínuo da vida. Machado de Assis costumava referir, em seus escritos, que um dos momentos enriquecedores de nossa existência se revela quando conseguimos atar as duas pontas da vida. Confesso que estou num desses momentos nos quais o passado e o presente modelam o futuro que nos resta.
Dias atrás, estava lembrando-me de um querido mestre dos bons tempos do Inatel. Trata-se do professor, de saudosa memória, Fernando Costanti. Relatemos um pouco sobre ele. Aluno da primeira turma da Escola Técnica de Eletrônica (ETE), formou-se engenheiro em Belo Horizonte. De volta ao sul de Minas, pois é natural de Santa Rita, tornou-se Costanti, professor da antiga Escola Federal de Engenharia de Itajubá e do Inatel. Creio que vivia em Itajubá. Foi, nessa época, que o conheci, lá pelo final dos anos 1970. Lembro-me, até hoje, do velho clássico do Halliday Resnick adotado pelo professor Costanti para seus alunos, estes, neófitos como eu, em suas aulas de física.

Bom de papo e extremamente cortês com todos, exalava o velho mestre uma tranquilidade que lhe era peculiar. Gostava, como dizemos aqui, em Goiás, de dois dedos de prosa. Num desses causos, relembrava o professor Fernando de seus tempos de estudante na Universidade Federal de Minas Gerais. 

Vem-me à memória algo que ele me disse em uma das muitas conversas que costumávamos ter. “Fui colega de República do Ziraldo”, disse.

A vida dá voltas e, numa dessas voltas, acabei encontrando o Ziraldo num momento em que veio a Goiânia, cidade em que resido, a convite do Governo Estadual. Fui apresentado a ele na sede do governo goiano, o Palácio das Esmeraldas.

No transcorrer da conversa, revelei ao simpático Ziraldo: - Estudei lá no Inatel e tive como professor um grande amigo seu, Fernando Costanti. Ao proferir tais palavras, percebi, nos olhos do autor de O Menino Maluquinho, uma emoção que me fez mais próximo dele, como se eu fosse um conhecido seu de longa data.

- Grande, Costanti, foi meu fraterno amigo dos tempos em que éramos uns duros lá em BH. E acrescentou: No meu tempo de BH, tinha muita gente de Santa Rita que lá estudava. O Eli Kállas é outro amigo meu, disse Ziraldo. E acrescentou mais ainda: 

- Aliás, tinha muita gente que vinha para a capital com uma bolsa de estudos concedida por uma verdadeira iluminista que incentivou o desenvolvimento de sua terra: Sinhá Moreira. 

Fiquei com uma excelente impressão do Ziraldo: pessoa simpática, leve e pareceu-me muito de bem com a vida.

Sim, Ziraldo fez uma feliz observação nos seus dois dedos de prosa: o Iluminismo, poder da razão que sobrepujou o absolutismo dos reis, difundido universalmente com a vitória da Revolução Francesa, influenciou a cabeça da elite santa-ritense. A começar pelo ex-presidente Delfim Moreira e suas preocupações com a educação como instrumento de desenvolvimento de um povo.

Dona Sinhá Moreira veio dessa ambiência. Ambiência que se transformou em ação. A fundação da Escola Técnica de Eletrônica (ETE) e as bolsas de estudo concedidas a alunos carentes evidenciam as preocupações da sobrinha de Delfim Moreira no sentido de incentivar a propagação da racionalidade em sua terra natal. Anos depois, veio o Inatel, plenamente apoiado pela sociedade local.  ETE, INATEL e FAI são as faces mais visíveis do Iluminismo plantado em Santa Rita do Sapucaí pela sua elite de líderes esclarecidos.

Sem ações dessa natureza, a pequena Santa Rita seria mais um dos muitos municípios do país relegados ao agrarismo de suas terras. Veja-se a extraordinária transformação estrutural que teve sua economia nos últimos 30 anos. O PIB industrial sobrepujou o agropecuário. E isso traz dinamicidade, riqueza e perspectiva de futuro para uma região.

O ambiente iluminista em Santa Rita gerou personalidades respeitadas no país pela sua erudição. Os ministros Bilac Pinto e Francisco Rezek são dois exemplos dos frutos produzidos pela cultura iluminista santa-ritense. Fernando Costanti é outro belo exemplo do modo de ser iluminista da pequena Santa Rita. Atando minha vida do final dos anos 1970 até agora, não posso deixar de expressar, nestas linhas, referências à memória do velho mestre que tanta generosidade deixou entre nós.

(Salatiel Soares Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas e Mestre em Planejamento. É autor, entre outras obras, do livro Tarifas e a Demanda de Energia Elétrica)