sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Como surgiu o Bloco do Urso

O Bloco do Urso começou com uma brincadeira entre amigos.
 No início, a turma que mais tarde organizaria o Bloco do Urso não passava de um pequeno grupo de amigos que queriam se divertir. Naquela época, os garotos se intitulavam a “Turma do Kid Formiga” e sempre se encontravam depois das aulas, na praça da cidade.

Em 1998, o grupo decidiu participar de um concurso promovido pelo Santa Rita Country Clube que premiaria a torcida mais animada do carnaval daquele ano. No momento da premiação, aconteceu uma situação, no mínimo, inusitada: como os integrantes da “Turma do Kid Formiga” eram todos menores de idade, o prêmio anunciado, uma caixa de cerveja, teve que ser substituído por um engradado de guaraná sem gelo. Não era bem o que esperavam os meninos, mas eles passaram o carnaval todo enchendo a lata de refrigerante nas arquibancadas do clube.

No ano seguinte, os amigos mudaram o nome do grupo para “Turma do Urso,  criaram uma camiseta em silk-screen e retornaram novamente ao clube para mais um embate de torcidas. Naquele carnaval, o prêmio não era mais cerveja, mas um gigantesco troféu comprado no Varejão. A molecada do Urso ficou tão impressionada com a importância do prêmio que, antes mesmo de descerem do palco, já começaram uma disputa para ver quem ficaria com o troféu. Cinco minutos depois, a valiosa peça dourada já estava quebrada em 5 ou 6 partes que nem o inacreditável super bonder deu conta de restaurar.

Em 2000, a mais terrível enchente já vista em Santa Rita deu um banho de água fria na turminha que não via a hora de fevereiro chegar. Como a cidade ficou completamente deprê pelas perdas causadas pela invasão do rio Sapucaí à terra natal do João Onça, naquele ano eles decidiram ficar de fora do carnaval.

Como o grupo havia perdido o pique por conta do desanimado carnaval do ano anterior, a Turma do Urso não agitou tanto em 2001, como nos outros anos. Apenas criaram uma camiseta e se reuniram para um dia de festa.
Os empresários, responsáveis pela organização, trabalham o ano todo para os quatro dias de evento.
Em 2002, a mulherada começou a chegar junto e tomar conta do pedaço. Na festa daquele ano a turminha ganhava a adesão de 60 meninas que curtiram a baladinha e, literalmente, vestiram a camisa do bloco. Dentre as celebridades presentes estavam, nada mais, nada menos que Sandy, Juliana Gimenes e Ivete Sangalo. Peraí, eu explico: a diversão deles era passar pelas lojas da cidade, pedir os displays de publicidade com as famosas cantoras em tamanho natural e usar os papelões recortados como alegorias carnavalescas. Depois daquele espetáculo, o bloco nunca mais foi o mesmo. O Urso começava a ganhar notoriedade e a procura pelos ingressos era cada vez mais disputada entre os foliões da metrópole santarritense. Com o aumento na demanda, eles decidiram fazer daquela festa um empreendimento de sucesso.
Quatro dos sete organizadores do Urso com o vocalista do Inimigos da HP, que estará presente também em 2012.
Com a profissionalização, os organizadores do bloco contrataram uma escola de samba da cidade e começaram a promover diversos ensaios. A quadra do bloco era debaixo da ponte nova - lugar ideal para que a turma fugisse da chuva e aprendesse alguns macetes de instrumentação com os sambistas do morro do sabão. Para o desfile de 2003, a seleção de músicos foi rigorosa. Tão rigorosa que só foram escolhidos pra tocar os próprios músicos contratados. A turma do Urso teve que se contentar mesmo em dançar e bagunçar o coreto.

No ano de 2004, o fato mais curioso aconteceu na quarta-feira de cinzas. Quando os organizadores se encontraram para comentar sobre o sucesso da festa, um deles comunicou o restante do grupo que tinha providenciado algumas faxineiras para realizarem a limpeza do salão. Nesse momento, um deles entrou em pânico. Seu Rottweiller, considerado um capeta em forma de cão, estava solto dentro do local e poderia colocar em risco a vida das pobres senhoras. Eles correram imediatamente ao local e, quando lá chegaram, presenciaram uma cena inacreditável: o cão estava morto de bêbado, esticado na pista, enquanto as filhas de uma das faxineiras pulava em cima de sua barriga. Por sorte, o danado do cachorro era chegado a uma cerveja e tinha passado a manhã inteira lambendo o chão. Azar pra ele, sorte para as faxineiras.
Ninguém imaginava que o evento faria de Santa Rita do Sapucaí o melhor carnaval de Minas Gerais.
 A bateria do Bloco do Urso seguiu a todo vapor até o ano de 2005, quando o número de foliões já passava de mil e eles tiveram que alugar um local para eventos, conhecido como Espaço Alternativo. Desde então, eles trouxeram pela primeira vez para a cidade um trio elétrico profissional que mudou a cara do evento. Aliás, foi ali que eles perceberam que a brincadeira tinha alcançado vastas proporções. Nos anos seguintes, o número de foliões passou a crescer exponencialmente. A medida em que o evento se tornava um negócio, os organizadores, acabaram perdendo a liberdade de se movimentarem e passaram a ocupar pontos estratégicos a fim de que a festa acontecesse como haviam previsto. O Bloco do Urso havia se tornado um empreendimento de responsa. (Por Carlos Romero)

Visite o site do Bloco do Urso e conheça as atrações de 2012

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Bloco do Urso 2012 - Todo mundo vai.

ETE FMC

Pau pra toda obra

Nascido em Santa Rita do Sapucaí, Benedito Braz de Barros foi contratado pela ETE FMC em 1975 para trabalhar como servente de pedreiro e, desde então, tornou-se uma espécie de coringa da instituição. Sempre com muita disposição e talento, ele atuou como eletricista, guarda e faxineiro, além de percorrer a cidade inteira para colar cartazes e sempre fez de tudo um pouco. “Fui contratado pelo Padre Raul para rebocar os alojamentos e ajudar na construção das 5 residências dos professores. Desde então, faço o que for necessário para contribuir.” – conta o profissional.

Dos 60 anos de vida de nosso homenageado, 36 foram passados dentro da escola e Dito Braz não se arrepende: “Eu sou muito grato a esta escola. Tudo o que conquistei eu devo à oportunidade que tive na ETE FMC”. Já seus colegas brincam com sua paixão pelo trabalho e contam causos que o marcaram nesses anos todos. “O Dito Braz gosta tanto de trabalhar aqui que sempre pedia para a mulher ficar esperando em casa com um prato de sopa, atravessava a cidade inteira em sua bicicleta vermelha, comia correndo e voltava à escola com 20 minutos de antecedência!”, conta o amigo Paulo Sérgio da Silva Souza.

Sempre com muito bom humor e jogo de cintura, nem mesmo algumas quedas da escada o tiraram de seu posto. Segundo conta, a época em que fica mais contente é quando acontece a Projete – Feira de Projetos dos Alunos da ETE. “A quantidade de trabalho dobra, mas a satisfação dos alunos é algo que não tem preço pra mim.” Em contrapartida, os momentos de maior tristeza em sua trajetória foram marcados pelo falecimento de seu grande amigo Padre Raul e do jovem professor Paulo César (PC).

Benedito Braz tem três filhos – duas meninas e um rapaz – e todos eles se formaram na ETE. O mais novo, Rafael, terminou o curso no ano passado e também foi contratado pela escola através do CEDEN – Centro de Desenvolvimento de Negócios.

Quando perguntamos se sua intenção é permanecer muitos anos na instituição, Dito Braz titubeou, mas acabou confessando: “Eu pretendo trabalhar mais um pouco, mas quero descansar em breve. Acredito que minha contribuição, graças a Deus, já foi dada e estou feliz por isso. Eu fico realmente muito satisfeito ao ver o quanto essa escola cresceu. Quando eu cheguei aqui, não havia essa quantidade de laboratórios, os alunos eram bem mais velhos. Hoje, estamos melhores do que nunca.”

Assim falou o Diretor Geral da ETE FMC, o Padre Jesuíta Guy Jorge Ruffier: “Benedito Braz, receba uma pequena homenagem de nossa Instituição. Nós reconhecemos a inestimável contribuição por seus serviços prestados e nos sentimos imensamente agradecidos por sua alegria e boa vontade. Em nome de todos os professores, alunos e funcionários, nosso muito obrigado!”

 (Carlos Magno Romero Carneiro)
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O santarritense que casou Elis Regina

Doutor Cyro de Luna Dias foi um dos homens mais sábios e mais estimados que Santa Rita do Sapucaí já conheceu. Autor de grandes obras como “Crônica das Casas Demolidas”, “O Inquisidor e a Bruxa” e “Manuscritos do êxodo”, Cyro foi juiz por muitos anos e, no período em que viveu no Rio de Janeiro, realizou o casamento de  diversas celebridades, dentre elas, Elis Regina. Conheça agora uma de suas aventuras através de um texto retirado da obra “Furacão Elis” de Regina Echeverria.

Os noivos estavam bastante impacientes, porque nem o juiz nem alguns padrinhos chegavam. Já passava das quatro e meia. As mães dos noivos conversavam, sentadas num sofá de couro. Dona Ângela, mãe de Bôscoli, queixava-se de que a empregada havia estragado o vestido da recepção.

Elis e Bôscoli posam para os fotógrafos e cinegrafistas. Faltam cinco para as cinco. Um Ford verde, chapa 43741, chega à ladeira onde mora o casal. Um senhor de óculos desce, pelo lado direito, com uma capa preta na mão. Pela outra porta sai um homem forte, com uns livros debaixo do braço. “- É o juiz? - grita Elis. Os amigos já cantavam “tá chegando a hora, tá chegando a hora”. O juiz sobe os degraus da casa branca do casal, lá na avenida Niemeyer, e informa aos repórteres: “Cyro de Luna Dias, da 1.a zona do registro civil” e apresenta o escrivão, Antônio Carlos Faro, que, ao apertar a mão de Elis, afirma ser seu fã. “Bonito local. Gostei.” É o primeiro comentário do juiz, olhando para algumas peças da casa. Cerca de dois anos antes, o Dr. Cyro de Luna Dias casara Eva Tudor, e também a irmã de Bôscoli. Elis e Bôscoli estão impacientes. Os padrinhos não estavam todos lá. Paulo Garcez e Wanda Sá, os padrinhos de Bôscoli, já haviam chegado. Faltavam os casais Paulinho Machado de Carvalho e Marcos Lázaro, que chegariam depois. Elis chegou a pedir a Luiz Eça que se preparasse para substituir o “Dr. Paulinho”. Já iam dois minutos de ce-rimônia quando o escrivão Faro percebeu que não tinha vestido a capa preta. Veste-a depressa, nervoso, fazendo um olhar de desculpa ao juiz, que nada disse. O juiz diz algumas palavras. faz referência ao casamento da irmã de Bôscoli e deseja felicidades ao casal. - É com grande prazer que realizo este casamento. Sua figura, Dona Elis, traz juventude e alegria à casa da gente - conclui o juiz, antes de perguntar a Bôscoli se aceitava Elis como esposa. Quando os padrinhos começaram a assinar, Elis e Bôscoli brincaram: “Essa assinatura eu conheço”. “Eu dou os vales”, respondia Paulinho Machado. Alguns repórteres perguntaram ao juiz o número do casamento: “- 1241. Não é pra jogar no bicho, né? “- Enfim, sós - disse Bôscoli ao abraçar Paulinho.“ Uma taça de champanha é servida. Está terminada a cerimônia. “Faltava um minuto para as dezessete e vinte.” Na edição do dia seguinte, o Jornal da Tarde publica a descrição da ceia de casamento. Vale a pena a transcrição pela riqueza de detalhes e a perfeita reconstituição de época do repórter, anônimo nessa cobertura. “Na grande casa branca de três andares da Avenida Niemeyer havia cento e vinte convidados para a recepção. Foi uma festa em black-tie, onde só a ceia, servida por Mirtes Paranhos, custou oito milhões de cruzeiros antigos. Se não estivesse chovendo no Rio, a festa seria no solar, mas o tempo estava ruim, tiveram que transferi-la para o varandão, de onde se vê o mar. A luz era de velas, os candelabros arranjados com motivos de natal. As dificuldades de estacionamento de automóveis na avenida Niemeyer obrigaram alguns convidados a chegar antes das dez da noite para garantir um lugar para o carro. Três guardas, em traje de gala, deram serviço no local, para evitar congestionamentos. Mesmo assim, um táxi velho ficou retido várias horas em frente à casa, porque não podia fazer manobras para voltar. Os convidados foram chegando: Nelson Motta, Sílvio César, Roberto Menescal, Denner e a mulher, Marcos Lázaro, Paulinho Machado de Carvalho. Dorival Caymmi chegou por último. Tuca, a cantora, cumprimentou Denner com um abraço que assustou muita gente. Quase que ela derrubou o costureiro. Elis estava triste pela ausência de Pelé, Roberto Carlos, Chico Buarque, Vanderléia e Jair Rodrigues. Principalmente Jair Rodrigues. Logo ele, que era seu amigo de todas as horas.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

José Luiz, um apaixonado pelo tradicional Bloco dos Democráticos

Há algumas décadas, os tradicionais blocos de carnaval, Ride e Democráticos, não eram feitos para exibição, mas para que as pessoas se divertissem de verdade. Naquele tempo, a leveza das fantasias permitia que as pessoas continuassem com elas após o término dos desfiles ou nos bailes do Country Clube. O carros alegóricos, feitos pelos geniais irmãos De Franco, eram menores e infinitamente mais baratos, mas nem por isso menos sofisticados. Era uma época em que a união incondicional das famílias frequentadoras do morro do José da Silva era tão grande, que o simples prazer da convivência já valia as noites e noites de trabalho duro nas casas de costura. Até o início da década de 80, nossos blocos tinham música ao vivo. Os músicos, todos fantasiados ou com uniforme se espalhavam entre os foliões e animavam a todos com músicas inesquecíveis. Sim, aquele tempo era mágico. E foi nessa época que viveu José Luiz: uma das figuras mais apaixonadas pelos Democráticos de que a cidade já teve notícia.
A paixão de José Luiz pelos Democráticos começou por intermédio de sua sogra. Dona Conceição Rennó passou a morar em frente ao grupão e, desde então, ambos viveram um caso de amor incondicional com o bloco. No início, sua esposa, Wanda, ainda não desfilava. Ela realizou o sonho apenas depois de casada, já com a presença do animado companheiro.

Até a década de 60, José Luiz não trabalhava na direção da agremiação. Era apenas um folião comum. Mas não demorou muito para que ele se tornasse um dos diretores do bloco, sob influência de Dona Conceição. Aquela dupla faria história.

Wanda Rennó conta que seu marido, certa vez, enquanto jogava poker com os amigos Rubens Amaral, Mauro Mendes, Carmin Mesquita e Dito Zeferino - toda vez que ganhava -  separava o dinheiro do lado e dizia: “Esse é pra fitinha”. Seus amigos, com excessão de Carmin, todos do Ride Palhaço, nem imaginavam que ele não estava brincando. A recomendação que Dona Irene Faria havia feito a ele naquele dia era justamente conseguir mais dinheiro para comprar as fitinhas que enfeitariam as fantasias.

No dia do desfile, quem viu a fantasia simples, diz que não achou grandes coisas até que, pela primeira vez em Santa Rita, as luzes dos postinhos se acenderam para iluminar o bloco. Ao refletir nas benditas fitinhas, um incrível efeito de luzes fez o morro brilhar e deixou todo mundo extasiado. Aquele ano foi dos Democráticos.

No decorrer do ano, uma das funções de José Luiz era correr o livro de ouro para arrecadar dinheiro para o bloco e ele se aborrecia muito quando recebia um não como resposta. Em uma dessas missões impossíveis, conta-se que, ao pedir uma contribuição a um amigo, ouviu o seguinte: “Larga a mão de carnaval. Eu só quero saber é de cuidar das minhas vaquinhas!” No dia do desfile, qual não foi a surpresa do carnavalesco ao encontrar o fazendeiro jogando confete, entre os foliões do bloco. Sem papas na língua, José Luiz se dirigiu ao amigo - aos risos - e disse: “Pra fora! Vai jogar confete nas suas vaquinhas!”

Outros foliões também se lembram do dia em que José Luiz se dirigiu ao amigo Chicão e disse: “Não deixa esse gerador morrer na praça, senão você está perdido!” Ao chegar à praça, quando percebeu que o cabo de iluminação havia se soltado, Chicão agarrou os fios com as mãos e tomou um tremendo choque, só para não desapontar o amigo.

Conta-se também que, ao perceber que havia poucos músicos na banda, José Luiz sugeriu ao Maestro João do Carmelo que colocasse mais um pistonista.  João, por sua vez, respondeu: “Deixa disso! Eu estouro mas não paro de tocar!” Ao chegar à praça, o maestro, já cansado, disse ao carnavalesco que precisava dar uma parada. A resposta foi: “Estamos na praça! Agora você estoura!” Ambos cairam na risada.

No período em que dirigiu o bloco, os ensaios sempre começavam 10 dias antes dos desfiles e José Luiz fazia questão de criar as evoluções. Para quem vivia a rotina dos Democráticos era mais do que comum ouvir um forte grito entre os foliões: “Agora as de branco! Recuem o corpo do Bloco!” Tais minúcias tornavam o bloco mais vivo do que nunca e proporcionava grande admiração ao público.

De todas as participações de José Luiz junto ao Bloco dos Democráticos, talvez a mais inesquecível tenha sido no “ano da Bandeira Branca”. Afinal, foi sua a ideia de, pela primeira vez, revezar o hino do bloco com uma marchinha de sucesso.

Em 1979, José Luiz, já acometido por um câncer, buscou tratamento no Rio de Janeiro e estava nas últimas - uma semana antes do carnaval. As fantasias já estavam todas prontas, os carros todos montados, mas um de seus membros mais apaixonados estava no leito de morte. Apesar de muito doente, o folião estava lúcido e todos se emocionaram quando ele disse, quase sem forças: “Me levem para Santa Rita que eu quero ver o meu bloco passar.” Depois de muita insistência, seu pedido foi atendido. Sua esposa armou um esquema de guerra para trasladá-lo e, com duas ambulâncias, pegaram o rumo do Vale. Ao chegar na serra de piquete, veio o coma. José Luiz não resistiu. Em seu sepultamento, uma multidão se aglomerou para dar o último adeus. Todos se comoveram com aquele homem genial que era absolutamente apaixonado pelos habitantes do morro.

Alguns dias depois, veio o carnaval. O bloco estava em um impasse: desfilava ou não? Nisso, Wanda recebeu uma visita do amigo Padre Vaz que, respeitosamente, perguntou se ela se incomodaria se os Democráticos saíssem aquele ano. Sua resposta foi a de que ele ficaria muito satisfeito se acontecesse o desfile e que, onde estivesse, não perderia por nada seu bloco do coração. Naquele ano, o Democráticos esteve lindo, como se quisesse se despedir da figura que tanto o amou.
(Carlos Magno Romero Carneiro)
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carteira de habilitação de 1928 mostra como era a lei de trânsito em Santa Rita

Neste mês, nosso amigo Fred, proprietário do Blog Fred Cunha News, nos enviou algumas imagens muito interessantes e que demonstram como era a vida no início do século passado. Trata-se de “Carta de Conductor de Automóvel” de número 38, datada de 18 de novembro de 1928, que pertenceu ao senhor José Benedito Cunha – filho do ex-prefeito Frederico de Paula Cunha.
Dentre algumas características interessantes do documento, cons-tatamos que ele continha espaço para assinatura de dois agentes res-ponsáveis pela segurança de trânsito na época: o delegado de polícia e o delegado de higiene. Ao que tudo indica, ao segundo caberia constatar se o condutor havia aprendido a não jogar papel de bala em via pública.

Na época, não havia um órgão regulador de trânsito. As carteiras continham um livretinho com regras e boas maneiras e eram entregues pela Câmara Municipal. Dentre as leis, datadas de 1924, e que mudaram completamente com o passar dos anos, uma determinação muito importante era de que nos lugares estreitos, ou onde houvesse aglomeração de pessoas, a velocidade não poderia passar de “um homem a passo”. O documento não especificou se seriam passos curtos ou longos, mas deu a entender que, em alguns momentos, seria mais conveniente ao motorista deixar o carro por ali e chegar ao seu destino a pé mesmo.
Tudo bem, os carros na década de 20 não eram o que se podia chamar de possantes, mas algumas leis impediam, terminantemente, seus condutores de deitar o cabelo. Em 1928, a velocidade máxima era de 30km/h. Em lugares habitados, o limite caía para 20Km/h. Já no centro da cidade, um veículo não podia ir além dos incríveis 12Km/h. Dependendo do número de pessoas dentro do carro, o Presidente da Câmara – Coronel Erasmo Cabral – deixava claro que era conveniente ao condutor que reduzisse ainda mais a velocidade. Quanto às proibições, o ma-nual previa que o motorista estava terminantemente proibido de saltar do veículo com o mesmo em movimento. Pode isso, Arnaldo?

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Empório de Notícias - Edição 50 - 1 de fevereiro, nas bancas!


Edição Imperdível do Empório de Notícias. Neste número:

- A vida de fé, garra e conquistas de Luiz Donato (Entrevista de duas páginas)
- Joaquim Ferreira e o dom do Artesanato em Couro (Casa de Couro São José)
- Conheça a trajetória do estimado "João dos Churros"
- Sinhá Moreira e sua tradicional Festa das Jabuticabas
- Confira as fotos dos melhores momentos da Ambévis 2012 (Um aniversário com cara de Festival)
- Haidée Cabral e a história dos antigos carnavais (Como surgiram os Blocos)
Conheça a Fantástica Lenda do Chapeludo da Avenida João de Camargo (Por Ivon Luiz Pinto)
Exclusivo: Caio Nelson acusa Ivan Kallás de atrapalhar a Aeronáutica Santarritense.
Cochilou o cachimbo cai! Uma homenagem ao querido professor Justino.
Para finalizar: Um conto super hilário de Nídia Telles

Não dá pra perder este número!  
Dia 1 de fevereiro, corra nas bancas ou
garanta sua assinatura pelo telefone 
(35) 3471 3798 ou emporiodenoticias@hotmail.com
Assinatura para Santa Rita: 35 Reais (Anuais)
Assinatura para outras localidades: 55 Reais (Anuais)

Ainda dá tempo de se inscrever no ETE Ensino Médio!

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Última semana para se inscrever no Vestibular de Verão do Inatel

As inscrições para o Vestibular do Inatel terminam nesta sexta, dia três de fevereiro. Os candidatos devem se inscrever no site www.inatel.br/vestibular. As provas acontecem no sábado, dia quatro de fevereiro. O Inatel oferece sete cursos de graduação: Engenharia Biomédica, Engenharia da Computação, Engenharia de Telecomunicações, Tecnologia em Redes de Computadores, Tecnologia em Automação Industrial e as novidades deste ano, Tecnologia em Gestão de Telecomunicações e Engenharia de Controle e Automação. Os cursos de engenharia têm duração de cinco anos, em período integral. Já os cursos de tecnologia são noturnos, com duração de três anos.
Alunos durante o Vestibular Inatel 2012 realizado em dezembro do ano passado, o Vestibular de verão acontece neste sábado para preencer as vagas remanescentes dos cursos de graduação
O novo curso de Tecnologia em Gestão de Telecomunicações que é uma das novidades este ano começou no dia 25 de janeiro. As aulas dos demais cursos começam na próxima segunda, dia seis de fevereiro.

RITO DE ENTRADA

No início do semestre, novamente os calouros serão recepcionados com o Rito de Entrada que promove diversas atividades de integração para os novos alunos, entre elas, o Curta Celular que desafia os estudantes a criarem vídeos temáticos de curta duração gravados por meio de celular. O Rito de Entrada contará também com palestras, passeio guiado pelo campus, atividades esportivas e com a peça de teatro Darwin.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Santa Rita do Sapucaí - Sua história revisitada (Ivon Luiz Pinto)

 É muito bom quando a gente encontra pessoas com os mesmos sentimentos e com os mesmos propósitos que a gente tem. É como olhar no espelho e ver a mesma cara e o mesmo sorriso. Eu amo esta cidade com uma força mágica, profunda, e procuro servi-la com desprendimento e quando encontro pessoas que comungam esses ideais sinto fortalecer a esperança de dias melhores. A história desta cidade sempre despertou interesse em mim com o desejo de desvendar seus intrincados encantos ou entender o seu mistério. É como o menino que olha as estrelas e tem sonhos misteriosos.
 
Há algum tempo, recebemos de Adirson Ribeiro um  exemplar, autografado e com dedicatória, de seu livro “Santa Rita do Sapucaí: sua história revisitada”.É um trabalho de muita profundidade, com pesquisas em bibliotecas, jornais e arquivos particulares, e de entrevistas “ ouvindo também as pessoas mais vividas e experientes”, embora ele diga que é “ apenas um apaixonado pela história”. 

Em muitas ocasiões ele é didático, fazendo esquemas e desenhos como um professor que quer facilitar a aprendizagem. Noutros momentos é indagador, questionando a origem da imagem da Santa e o modo como se deu a doação das terras para a Capela de Santa Rita, chegando a afirmar que “Manoel José da Fonseca, sua mulher Genoveva Maria Martins e seus citados filhos Antonio Manoel e Maria Rita não moravam nesta freguesia e, se por aqui estiveram, foi por pouco tempo”. Ele justifica toda a argumentação com documentos.
A obra do autor é muito interessante e desperta desejos de ir além, procurar mais. Como ele mesmo afirma, “não é um trabalho fechado. Está sujeito a outros olhares, a novas explicações.”

O amor contamina o coração e o deixa alvoroçado como uma criança em presença de uma caixa de bombons. A pessoa que ama não mede esforços para conseguir o seu objetivo e foi isso que percebi na persistência e dedicação do amigo Adirson com referencia à História de nossa cidade.

É, na verdade, um revisitar, um novo olhar, uma nova perspectiva sobre os acontecimentos que levaram a essa fundação. Perspicaz, arguto, inteligente, ele lança indagações, como o arqueiro que, em combate, quer atingir vários pontos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entrevista com o querido Padre Furusawa

Quem conhece pessoalmente o Pe. Furusawa sabe da sua grandeza, conhece sua humildade e a dedicação ao bem comum. Esta entrevista foi realizada em outubro de 2011 pelo INATEL e gentilmente cedida à ETE FMC. Fica aqui a homenagem ao Pe. Furu, que tanto contribuiu para o nosso crescimento.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ricardo e seu Puma preto

Em 1980 eu tinha o forte desejo de pintar meu carro para preto e isso faria dele o primeiro Puma preto do Brasil. Eu o mentalizava preto. Numa viagem de Belo Horizonte para Santa Rita do Sapucaí, a última coisa que fiz em BH foi um orçamento de pintura. Só que, na viagem, eu capotei o carro.

Antes de entrar na curva fatídica, eu parei para dar carona no trevo ao terceiro ocupante, um colega da faculdade de codinome Gasolina (imaginem...rs). No trajeto, o Gasolina disse ser seu aniversário e eu, em alta velocidade, virei para cumprimentá-lo. Ao voltar a olhar para a frente, pensei: - Que bom, meu Deus, que você me guia, pois o que eu faço de bobagem... Ao entrar na curva, um matuto atravessava bêbado a estrada e, ao desviar dele, o carro derrapou. Eu fui o único que ficou dentro do carro que estava com a capota abaixada. Foram 50 metros de descida, numa altura de aproximadamente 15 metros - descendo capotado! Felizmente nada sofri, nem escoriações nem cortes, nada. Apesar de, após o acidente, eu ter imaginado que estava desfigurado, pois meu rosto veio arrastando no chão. Incrível, não é? Explico. Havia um alto capinzal que cedeu e cobriu a terra fazendo um escorrega para o carro deslizar. Esse mesmo capim protegeu meus dois amigos que nada sofreram. Aliás, até que eles descessem ao local do acidente e me respondessem, eu fiquei apavorado pensando que eles estivessem mortos ou debaixo do carro que perdeu a capota ao bater num cupinzeiro. Se o carro avançasse sobre o cupinzeiro, eu seria esmagado, pois estava dentro do carro. Nesse impacto com o cupinzeiro, a parte da frente do carro, praticamente, foi arrancada, assim como foi arrancado o tanque de combustível e o capô traseiro, durante a descida.

“Você sempre poderá dizer quem é um vencedor pela maneira que age quando as coisas não vão indo bem” - Hilton Johnson
Enfim, para quem queria um carro pintado, vê-lo todo destruído foi muito frustrante. Foi nessa hora que olhei para cima e, sem questionar, agradeci ao “Cara”.
Quando o Gasolina chegou, perguntou:
- Ricardo, por que você não joga sua placa no jogo do bicho?
Olhei surpreso para ele que se justificou:
- Hoje não é meu aniversário?
- É, Gasolina, dia inesquecível (com deboche).
- Hoje não é 29 de março?
- Sim, e daí?
- A placa do carro é 3329. Então, 29 de março!
 
Era o que eu precisava. Não vacilei. O acidente fora por volta das 14hs. Assim que o carro foi removido com o reboque, ao olhar incrédulo dos que passavam pela estrada à procura dos mortos, corri para fazer o meu primeiro jogo do bicho.

Não peço que acreditem, mas tudo o que afirmo pode ser comprovado. Resultado: 5329

Como eu joguei minhas reservas de estudante e trabalhador na época (talvez equivalente a R$ 1000 hoje), ainda que não tivesse acertado exatamente o milhar, o que ganhei no bilhete montado pelo bicheiro foi o suficiente para pagar o conserto do carro que não estava segurado! Agora o mais incrível: o dinheiro deu para uma reforma completa e pintá-lo de preto!
Retirado do blog: http://supere-se.blogspot.com
(Depoimento de Ricardo Guimarães)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O fim de um incrível mistério

 Dentre as diversas engenhocas em exposição no Espaço Anchieta (ETE FMC), uma delas foi apresentada como “a primeira televisão em cores da cidade”, mas ninguém tinha ideia de onde ela havia surgido. Até então, mesmo com as intrincadas pesquisas sobre as características do aparelho e de seu inestimáVel valor histórico, não havia um único cristão que soubesse dizer quem havia comprado aquela verdadeira maravilha do mundo moderno. Neste mês, no entanto, recebemos uma mensagem do amigo David Kallás que pôs fim a esse mistério que tirava o sono de milhões de santarritenses, sedentos por aquela preciosa informação.

Ele nos contou que o televisor foi comprado no ano de 1972 pela senhora Nabirrha Murad Kallás, na Casa Jandari, de propriedade de Jorge Anderi. Em uma fotografia da época, captada com uma Polaroid Colorpac 80 comprada na Argentina, Cristina Kallás e Maria (irmã de um atual funcionário da prefeitura chamado José Pedro) posam ao lado daquela extraordinária invenção valvulada. Com essa gloriosa inovação tecnológica, nunca mais a estimada família Kallás precisou colocar papel celofane na tela do televisor para ver colorido. Bastava esperar o aparelho esquentar 5 ou 6 minutos para que a imagem ficasse um verdadeiro cinema!

Por volta de 1980, ao adquirir um novo televisor equipado com um prático controle remoto com fio, dona Nabirrha presenteou o Senhor Narra Reseck com o antigo aparelho que passou a decorar sua sala e abrilhantar ainda mais o horário nobre.

Hoje, os fanáticos pelas tecnologias do passado ainda podem se encantar com a qualidade impressionante desse poderoso aparelho recoberto com madeira de lei. Basta visitar a “Mostra dos 50 anos”, nas dependências da ETE, e retornar a uma era em que Cid Moreira era loiro e Ronye Von “o príncipe da Jovem Guarda”.

Confira o que rolou na Chopperia Castelinho, neste final de semana (19 A 21 de janeiro)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O saudoso amigo Adirson Ribeiro desvendou as origens de Santa Rita do sapucaí

A visita

No dia 21 de novembro de 2009, sábado, recebemos a visita do amigo Adirson Ribeiro que nos surpreendeu com a notícia de que havia terminado a tão esperada obra “Santa Rita do Sapucaí. Sua história revisitada”. Mesmo sem ter conseguido patrocínio para produzir o livro, o históriador encadernou alguns exemplares e nos presenteou com uma pesquisa de inestimável valor. A cada página, constatamos uma nova revelação sobre as origens de nossa cidade. Através de documentos colhidos em diversos locais da região, Adirson traçou as diretrizes de nossa fundação de uma forma nunca feita antes. Um verdadeiro achado para a cultura santarritense.

A seguir, apresentamos algumas linhas retiradas deste importante livro. Prepare-se para se transportar a um tempo em que Santa Rita do Sapucaí ainda nem pensava em existir. Viaje nessas linhas que nos transportam às origens de nosso povo.

A doação

A fazenda mais próxima do local onde seria, por vontade do casal português, construída a capela de Santa Rita era do Capitão Braz Fernandes Ribas, denominada Água Limpa do Vintém e situada no “Vintém do meio”. Hoje, parte do local é ocupado pelo “Pesqueiro Tô a toa”. É comprovado que havia nessa fazenda uma capela com pia batismal e um oratório com uma imagem religiosa que, acredita-se, seja a Santa Rita primitiva que está em nossa Matriz.

Os pioneiros

Quando isto tudo ainda era sertão, os padres vindos de Santa Catarina - hoje Natércia – ou de Campanha, hospedavam-se ali ou em outras fazendas da região munidas com oratórios, onde aconteciam os casamentos, batizados e outros ofícios religiosos.

Durante uma visita à Fazenda Água Limpa do Vintém, de propriedade do Capitão Braz Fernandes, Manoel José da Fonseca e sua mulher Genoveva Maria Martins contaram sobre a doença de Manoel, de sua cura e da vontade de doarem terras em agradecimento a Santa Rita de Cássia, de quem eram devotos. O casal de portugueses não morava por aqui, como muitos contam. Eles estavam de passagem.

A carta de doação

Não há dúvidas de que, para esta decisão importantíssima do casal, tenham participado decisivamente os senhores Capitão Braz Fernandes Ribas, Capitão de Ordenanças Manoel Joaquim Pereira e o Alferes José Vieira da Fonseca que, naquele momento, havia fixado residência na vizinha “Freguezia do Senhor Bom Jesus de Pouso Alegre”, vulgarmente chamada de “Mandu”.

Aproveitando a permanência de Manoel por estas bandas, combinaram, então, em comum acordo, de marcar uma data para a importante doação, convidando a estar presentes várias personalidades do lugar, quase todos proprietários rurais, no dia 2 de maio de 1821.

Através da análise de documentos da época, o historiador Adirson Ribeiro relatou que a área doada pelo casal Português começava na Barra do Ribeirão do Mosquito, onde hoje encontra-se o prédio do Banco do Brasil, e havia um rancho para tropeiros viajantes, apelidado de “Rancho do Mosquito”. Há quem diga ter sido ali a residência do casal de Portugueses. O terreno ultrapassava o Rio Sapucaí, até a Avenida Francisco Andrade Ribeiro, à altura do número 589 onde havia uma porteira que dava acesso à grande Fazenda Pouso D’Antas, do Alferes Antônio Manoel da Palma e seus familiares. As terras também desciam o leito antigo da ferrovia, até a serrinha, avançavam novamente sobre o Rio Sapucaí, enveredavam por grande várzea alagadiça (Fernandes) até chegar à encruzilhada com Jerônimo José. De lá, seguia pela “Rua da Pedra” afora até a E.E. Dr. Delfim Moreira, donde retornava ao ponto de partida (Banco do Brasil).

As personalidades

Adirson também faz um relato sobre a biografia das principais personalidades presentes no ato da doação. Através de uma análise profunda dos documentos de época, o escritor traçou um perfil detalhado de nossos primeiros colonos. Veja algumas informações interessantes que encontramos em seu livro:

Capitão Braz Fernandes Ribas

Nascido em 1774, era proprietário da Fazenda Água Limpa do Vintém, localizada às margens do Ribeirão que lhe deu o nome. Foi sepultado aos 74 anos, dentro da Igreja de Santa Rita que ajudara a construir. Em uma conversa informal, Adirson nos contou que a base da primeira igreja ainda existe debaixo da Matriz e que foi vista pela última vez por ocasião de sua reforma. Durante tais escavações, ele também afirma que viu os ossos dos primeiros colonos serem retirados da igreja e depositados no ossário do cemitério municipal.

Ribas foi um dos que assinaram como testemunha o documento de doação das terras pelo casal português. Talvez, em sua memória, tenha sido conservado o nome do lugar “Santa Rita do Vintém”, até por volta de 1850, pois foi na sua fazenda que tudo começou.

Alferes Antônio Manoel da Palma

Integrou o “casal tronco” da família Palma em Santa Rita do Sapucaí. Faleceu no dia 6 de julho de 1863 e foi sepultado dentro da igreja. Adirson nos contou que os habitantes mais importantes foram sepultados dentro da igreja e que os demais foram sepultados em um cemitério que se localizava onde hoje está o Restaurante “Na Lenha”.

O Alferes era o proprietário da Fazenda Pouso D’Antas. Afirma-se que, de sua fazenda, podem ter sido retiradas as pedras para a construção das antigas casas da praça e também da primeira igreja.

Alferes José Vieira da Fonseca

Nascido em 1797, era natural de Pouso Alto. O Alferes é considerado pelo historiador Adirson como o artífice da construção de Santa Rita do Sapucaí e de Santa Rita do Passa Quatro.

Capitão de Ordenanças Manoel Joaquim Pereira

Abastado senhor de tropas, comercializava entre o Rio de Janeiro e o Sul de Minas. Era fazendeiro na região do Córrego Piedade, ao sopé da Serra de Santa Rita, divisa com São Sebastião da Bela Vista. Comprou muitas terras por aqui. Algumas encontram-se, ainda hoje, nas mãos de seus descendentes. Faleceu no dia 9 de fevereiro de 1851 e também foi sepultado no interior da Capela de Santa Rita.

Manoel João Pereira de Lima

Membro da família Pereira, foi solicitado pelo casal português a redigir o documento da doação das terras denominadas “Mosquito”. Também assinou como testemunha. Era vizinho de terras do Capitão Braz Fernandes Ribas.

Tenente José Joaquim Ribeiro do Valle

Trisavô do historiador Adirson, nasceu em 1782 e faleceu em 1840. Era possuidor de grandes extensões de terras que seguiam à direita do Rio Sapucaí, iam de Santa Rita a Pouso Alegre, dobrando a serra em direção aos bairros “Furnas”, “Perobas” e adjacências.

Manoel José da Fonseca e Genoveva Maria Martins

O historiador Adirson afirmou que pesquisou muito sobre que o casal português, mas que não conseguiu muitos elementos. Segundo seus levantamentos, eles não moraram nesta “Freguezia” e, se o fizeram, estiveram aqui por muito pouco tempo. Segundo constatou, os portugueses viviam na cidade de Pouso Alto, tinham vários parentes por essas paragens e eram donos de uma gleba de terras que consistia de “uma colina cercada de pântanos, de baixo valor”.

A Capela

A capela de Santa Rita não foi erigida pela viúva Genoveva Maria Martins como dizem alguns historiadores, mas, sim, pelos procuradores da “Senhora Santa Rita” e pelos moradores do arraial sob a administração de Braz Fernandes Ribas, de seu vizinho e amigo Capitão Manoel Joaquim Pereira e do Capitão Feliciano José Pereira de Souza.

O primeiro cemitério

Quase todos os cidadãos presentes no ato da doação foram sepultados dentro da capela de Santa Rita, conforme livro de óbitos de nossa igreja. Veja o trecho do documento que comprova esta afirmação: “Aos 22 de maio de 1848, dentro da igreja, do arco para baixo, foi sepultado o capitão Braz Fernandes Ribas, morador do vintém, com 74 anos de idade. Morreu hidrófobo, envolto em pano preto.” Vale ressaltar que não existe documento algum que comprove que o casal português foi enterrado junto com os demais. Isso leva a crer que eles não foram sepultados aqui.

A primeira missa

Segundo afirmou o Monsenhor José Carneiro Pinto, em um trabalho feito pelo Cônego Aristides de Oliveira, “a primeira missa da cidade foi realizada no dia 22 de maio de 1825, na capela de Santa Rita, pelo Padre Mariano Accioli de Albuquerque”.

Um trabalho que precisa ser reverenciado

Este é um pequeno resumo do importante trabalho realizado por Adirson Ribeiro. Em sua obra existem muito mais informações relevantes e que precisam ser divulgadas para a manutenção da história de nosso município. Esperamos que tais informações possam despertar o interesse público, a fim de que seu trabalho possa ser produzido e divulgado em benefício das futuras gerações. Ao autor, nossos parabéns pelo grande esforço que empreendeu e a gratidão por nos oferecer elementos tão relevantes para o levantamento de nossas origens.
(Carlos Romero Carneiro)

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Lanchonete Dona Regina. Experimente!



Secretário de Obras pede Demissão da Prefeitura

 
Saiba, através de uma reportagem da Difusora Santarritense, notícias a respeito da demissão do Secretário de Obras Daniel Teixeira. Teria algo a ver com a "Rampa da Inacessibilidade" construída em torno da praça e que provocou acidente grave com uma moradora? Em uma administração sem obras como foi a do Prefeito Paulo Cândido, antes deixasse esta Pasta sem secretário. Economizaria o dinheiro público.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O exemplo de vida da empresária Lucimara Gonçalves

Com quantos anos você começou a trabalhar?

Meu primeiro trabalho foi na Real, como aprendiz de luveiro. Naquela época, você podia assinar carteira com quatorze anos, mas eu comecei sem carteira assinada, aos treze. Ganhava meio salário para trabalhar das 7 da manhã às 5 e meia da tarde. Eu fiquei lá por três anos e oito meses, até que a empresa começou a sofrer uma queda na produção. Naquela época, era muito difícil conseguir serviço na cidade e eu precisei me mudar pra São Paulo para ajudar minha mãe em casa.

Você conseguiu trabalho na capital Paulista?

Consegui. Fui recebida com muito carinho por minha tia e primas, por quem sou grata até hoje. Trabalhei no comércio em serviços financeiros e pizzaria, decidi voltar por que estava preocupada com minha mãe. Quando cheguei a Santa Rita fui contratada pela MCM – sem qualquer experiência - como auxiliar de montagem. Foi o Marinho quem me indicou para o serviço e com quem aprendi a trabalhar com eletrônica. Sou grata ao João Marcos Franco pela oportunidade, até então, eu só tinha trabalhado com luvas e comércio. Depois de quase quatro anos, a TDA chegou à cidade e começou a contratar uma grande quantidade de profissionais. Foi aí que eu mudei de empresa e conheci minha sócia a Eliane.

E o salário era bom?

Para conseguir pagar as contas era preciso complementar a renda. Em outras palavras, fazer o famoso bico. Foi aí que Eliane e eu conversamos: “Acho melhor fazermos algo diferente para ganhar um dinheirinho a mais.” Nós ficamos imaginando como agregar um pouco mais ao salário e pensamos em várias coisas: comprar roupas em São Paulo, vender salgado... Na verdade, nós não tínhamos ideia do que fazer. A única coisa que sabia era que eu precisava ajudar minha família e ela a dela. Eu era a irmã mais velha e ela estava com problemas de saúde. Era aquela luta.

E qual foi a saída que você encontrou?

Entre 98 e 99, virou uma febre pegar plaquinhas nas empresas e levar pra soldar em casa. Todo mundo fazia isso e decidimos tentar também. Depois do expediente, nós batíamos na porta das empresas e pedíamos serviço. Quem nos deu o primeiro lote foi a Eletrovale. Saíamos às cinco e meia da empresa e corríamos pra casa para montar plaquinhas. Depois de algum tempo, começamos a ter uma grande quantidade de serviço, porque a TDA começou a pedir hora extra. Então nós trabalhávamos das sete da manhã às oito da noite na TDA e depois ficávamos até uma hora da manhã soldando componentes em casa.

E como vocês davam conta?

Coincidiu o lote que pegamos com a hora extra da firma, mas tinha que fazer o serviço. Precisávamos soldar soldar 400 transmissores e 120 sensores e, para isso, a mãe e o pai de Eliana nos ajudavam. A Dona Cecília (Avó da Eliana) também trabalhava conosco. Eles passavam o dia montando os componentes e, de noite, a gente só chegava pra soldar.

A experiência valeu a pena?

Foi muito gratificante pra nós. O senhor Geraldo Taxista (pai da Eliana) Dona Isaura (mãe da Eliana) e dona Cecília (avó da Eliane) me disseram uma vez que este projeto não permitiu a eles viver em vão. Era bonito ver o capricho com que eles embalavam os produtos.

Você continuou nesse pique?

No momento seguinte, a TDA fechou-se e eu e a Eliana começamos a trabalhar das seis da manhã às duas da tarde na Metagal que, na época, tinha apenas 18 funcionários. Nós precisamos abrir mão do seguro desemprego, mas ainda assim foi uma maravilha: nós estávamos registradas e ainda tínhamos o resto do dia inteiro para soldar plaquinhas. Um dia, fui pedir trabalho na JFL e o Fernando ficou satisfeito por eu saber separar os lotes. Ele gostou tanto do meu trabalho que até pediu para que eu ficasse na empresa e eu aceitei.

Você ficou na JFL por quanto tempo?

Um ano e oito meses. Eu trabalhava dentro da empresa separando os lotes e depois soldava plaqui-nhas em casa. Quando a demanda começou a aumentar muito eu não estava mais conseguindo fazer os dois. Nós tínhamos três pessoas de idade avançada trabalhando em uma bancada improvisada e não queríamos sobrecarregá-los. Foi aí que eu contratei uma pessoa e tirei uma grande parte do trabalho deles. A brincadeira tinha começado a ficar séria.

E você aguentou essa rotina?

Chegou uma hora que eu falei para o Fernando: “Eu não sabia que iria chegar a esse ponto, mas eu não estou aguentando trabalhar aqui e depois em casa até uma hora da manhã. Quando eu saí, a JFL continuou me apoiando. Nós, então, registramos firma, contratamos os primeiros funcionários, compramos nossa primeira máquina e chegamos a ter 50 funcionários.

Atualmente você tem quantos colaboradores?

Hoje, com 13 anos de empresa, estamos com 36 funcionários.

Qual é o maior desafio da L.E. Eletrônica hoje?

Precisamos de uma sede própria para aumentar a quantidade de funcionários. Depois disso, desejamos patentear algum produto. Faz oito anos que eu luto por um barracão. Não conseguimos construir até hoje, mas estamos juntando algum dinheiro.

O que tem acontecido?

Nos idos do ano de 2001, fui contemplada com a doação de área de terreno (498 metros quadrados), sendo que tinha, no total, 18 (dezoito) meses para início e término da construção. Na época precisei tomar uma decisão: comprar uma máquina de solda ou continuar atendendo meu cliente majoritário, com a solda estática. Então, o que faria? Construiria? Compraria a Máquina de Solda? Optei pela Máquina! Era uma questão de sobrevivência. Não apenas a minha, mas a de 18 (dezoito) funcionários e famílias que trabalhavam comigo. Em 2001, não consegui dar seqüência na obra porque fiz o investimento na máquina de solda e devolvi, ainda que verbalmente, o terreno à Prefeitura. 

Em 2004, voltei com a solicitação do terreno e, novamente, fui contemplada com aprovação da Câmara dos Vereadores. Porém, a promulgação da Lei de Doação nem chegou a sair. Por quê? Porque, em seguida, descobri uma grave e terrível enfermidade. Um tumor cerebral de grande proporção, cuja marca ainda se percebe-se facilmente em minha cabeça. Pronto... Era outra vez a luta, não apenas o trabalho, mas também  pela própria vida, manter-me viva. Era uma questão, literalmente, de vida ou morte e o Deus Todo-Poderoso em quem creio optou pela vida. ELE fez isso usando, como também creio, os meios ordinários, isto é: os médicos, no meu caso, o Dr. Vander, neurocirurgião... Não foi de graça, embora tenha sido uma Graça...  Para não morrer fui submetida a uma cirurgia de quase 11 horas. Claro! Por não ser feita em Santa Rita, tive que ir para Pouso Alegre, e, precisei arcar com todas as despesas médicas e cirúrgicas. Fiquei sabendo que minha vida estava avaliada em R$ 18.000,00 (dezoito mil reais). É óbvio que eu não tinha os recursos... Como fiz? Na época (2004), a JFL emprestou todo o dinheiro, e, até hoje, e, para sempre serei grata...

Conclusão: Não pude nem pensar em construir, naquele tempo precisa me reconstruir. Não foi fácil, mas pela Graça de Deus, foi possível, estou viva e com alegria trabalho todos os dias as horas que forem necessárias na empresa que, hoje, tem 36 (trinta e seis) funcionários, famílias... Então retornei à Prefeitura em 2005 e fiz a devolução do terreno, outra vez, verbalmente, mas o fiz, e sempre com muita segurança em minha consciência de fazer as coisas corretamente.

Os anos se passaram, e, pensei: o Aluguel está cada vez mais caro em nossa cidade. Então, voltei à Prefeitura no ano de 2009 e pedi o terreno novamente e, mais uma vez, fui contemplada com a aprovação da Câmara dos vereadores com o mesmo terreno. Procurei várias formas de financiamento. Queria, desejava e precisava da obra do barracão para crescer, mas não tive sucesso. O Banco justificou que era por causa de tal artigo... Com a disposição e aprovação da Câmara dos Vereadores, a Prefeitura manteve todas as demais condições estabelecidas pela Lei Municipal 2001m juntamente com uma prorrogação do prazo de construção. Mesmo assim, com toda documentação da empresa e prefeitura em dia, ainda não obtivemos uma linha de financiamento.

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