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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

OPINIÃO: Ano eleitoral. Em quem NÃO VOTAR nas eleições de 2016

Entramos em ano eleitoral. Com ele, surgem os tapinhas nas costas, as promessas fáceis, o riso frouxo e os conchavos de gente não sabe fazer mais nada da vida a não ser mamar nas tetas do poder. Os candidatos mais bem cotados são aqueles que concederam o maior número de favores pessoais. São incapazes de gerir a própria vida, mas assumem as rédeas do município e acabam escolhidos para administrar uma comunidade inteira. Nisso, erra o eleitor.
A função de um vereador é saber avaliar as necessidades da população e produzir leis que irão beneficiar a todos. Ele não trabalha para o prefeito, nem para os amigos e nem para si mesmo. Ele trabalha para o COLETIVO! Acontece que, em boa parte dos casos, nem os próprios legisladores sabem direito o que estão fazendo na Câmara. Passam dias na porta da prefeitura pedindo favorzinho pra este ou aquele amigo, usam a remuneração que ganham para comprar o eleitor, conceder esmolas e ainda tem gente que se deixa corromper por esta forma velada de corrupção. Tais eleitores se esquecem que, quando precisarem de um bom emprego ou de um hospital decente, encontrarão dificuldades porque trocaram alguém capaz de atrair investimentos ou produzir uma boa lei, por um suposto "amigo" que nos corrompe e dificulta as coisas nos quatro anos seguintes. 

O problema do brasileiro, como um todo, é pensar apenas em si mesmo. Se vemos, hoje, um país corrompido pela roubalheira, se os preços sobem, se a saúde é ruim, se não temos boas escolas e dependemos dessas pessoas que estão no poder, também somos culpados. Mais do que ninguém, somos responsáveis pelo futuro porque ajudamos a eleger estas pessoas que deveriam nos representar e, muitas vezes, não o fazem.

Há também o problema das famigeradas legendas. Não votamos em candidatos, mas em legendas gerenciadas por pessoas que, após as eleições, querem negociar cargos, buscar benefícios pessoais e favorecer somente a quem interessa: eles mesmos. Política é meio complicado de entender, mas torna-se fácil quando entramos no âmbito municipal. Em cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo e é fácil descobrir quem monta e quem toma parte em uma ou outra legenda para ajudar a população ou receber benefícios pessoais. É simples reconhecer quem gera ruído em torno de si mesmo para parecer boa gente e quem está realmente preocupado com o bem-estar da população. Já que o voto é secreto, que tal votarmos em pessoas realmente competentes desta vez?

Neste ano tem eleições. Lembre-se: é o sujeito competente e sério que irá mudar as nossas vidas. Os caras das "cortesias" serão aqueles que nos deixarão estressados por não termos o básico até as olimpíadas de 2020. A proposta é esta. Que possamos, todos juntos, votar com absoluta consciência e eleger ou reeleger apenas pessoas sérias e comprometidas. Boa sorte para todos nós!

(Por Carlos Romero Carneiro, que não é candidato a nada, não apoia ninguém, mas que sonha com uma cidade mais bacana para se viver)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Opinião: Ouvi de tudo naquele sábado, só faltou uma solução (Por Carlos Romero Carneiro)

Doença não escolhe a vítima. Atinge ricos, pobres, patrões e operários. O que faz com que uma pessoa seja salva ou que se lasque em uma mesa de cirurgia é uma nota verdinha chamada grana que muita gente não tem. Diante desta realidade irreversível, não adianta fazer política ou incitar luta de classes. Se existe a necessidade de resolver o problema, é preciso ser estratégico e promover a sinergia entre ambas as partes. Esta é a principal característica de um bom administrador: conciliar pontos de vista distintos.
Na última semana, soubemos que a diretoria do hospital, incapaz de gerir a instituição com os recursos de que dispõe, solicitou apoio maior da prefeitura no sentido de cobrir suas despesas, uma vez que o HAMC tem tido um déficit de 150 mil Reais por mês. Através de pronunciamentos de ambas as partes, fomos informados que o contrato firmado com a prefeitura tem sido pago em dia, mas que seu valor está defasado e tem sido insuficiente para arcar com as despesas, necessitando de uma revisão imediata.

Em discurso oficial, o prefeito disse que disponibilizou um carro e que ofereceu lote, um montante em dinheiro e que distribuiu cestas de natal para os funcionários da instituição, além de outros benefícios. Acontece que, em uma entidade onde voluntários (muito competentes diga-se de passagem) lutam para cobrir um rombo que beira 2 milhões de Reais, justamente por atender a todas as pessoas sem distinção, um apoio paliativo não é suficiente. É preciso que haja o empenho de todos para resolver esta crise e, como disseram os diretores da entidade, há a necessidade urgente de aumentar os investimentos para que o hospital não feche as portas. Não se trata de futilidade e nem de fazer com que a entidade gere lucro. O que foi levantado em um documento veiculado na internet pela Fundação é a urgência de se cobrir as despesas e sanear as dívidas.

Vale ressaltar que hospital é bem diferente de posto de saúde. Uma coisa não anula a outra e é preciso investir em ambas para que as pessoas tenham tratamento digno. Investir em postos de saúde é essencial. A vinda do SAMU também. Acontece que investir em postos e não investir o suficiente no hospital é restringir à população o acesso a um local para realizar seus exames, tirar uma simples chapa de raio-x, dar à luz a um filho ou submeter-se a tratamentos mais delicados. 

Esta talvez seja a primeira vez que o Jeffinho assume a prefeitura após o surgimento das redes sociais. Sinto que tem se sentido incomodado com as críticas e, quando o vi se pronunciar de forma tão emocional no rádio, suspeitei de que a situação poderia ser mais grave do que imaginava. Como não temos alternativa senão contar com o HAMC, deveria haver um entendimento no sentido de se chegar a um denominador comum para resolver o problema, de uma vez por todas. Ao contrário disso, ouvi frases que não correspondem às de um líder experiente. Afirmações como a de que o presidente da Fundação "deve ser homem e assumir a responsabilidade de que quebrou o hospital" ou que "quem perdeu a maternidade foi o pobre, porque o rico continua usando". Nisso eu pergunto: cadê a racionalidade e a intenção de colocar os interesses da população acima de tudo? Cadê a sinalização de que algo de concreto e definitivo será feito daqui pra frente para resolver esta crise que não é de hoje e que nem foi o atual presidente da entidade quem produziu? Será que os voluntários que assumiram a entidade com empenho e que têm sido tão bem-sucedidos em suas vidas particulares, não deram o máximo pelo bem do Hospital? Será que teremos que fazer rifas pelo resto da vida porque os recursos não são suficientes para atender à demanda da população? Ouvi palavras duras naquele sábado, só não ouvi uma solução.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Opinião: Jocéu Capilo e a cultura do "Vai assim mêmo..." (Por Carlos Romero Carneiro)

O último final de semana produziu um imenso choque e, ao mesmo tempo, uma forte decepção aos habitantes de Santa Rita do Sapucaí. Há muito tempo nós temos sofrido com os assaltos e a violência cometidos na cidade mas, desta vez, a vítima foi um jovem que veio da distante Angola para encontrar a morte de uma maneira absolutamente estúpida e cruel. 
É difícil mensurar os efeitos que um crime assim pode produzir sobre a nossa cidade, além da barbárie em si. Primeiro, porque envolve a parceria entre dois países e isso gera repercussão, não somente local, como também internacional. Segundo, porque pode influenciar na decisão de novos alunos virem estudar no Vale da Eletrônica. Por fim, porque temos a noção do desamparo e não suportamos mais tantos casos de violência. Ninguém tem se sentido seguro em uma cidade onde crimes acontecem aos montes, sem uma solução efetiva para conter este mal. O fato é que todo mundo sabe que as coisas andam complicadas e que a violência têm sido uma realidade que não pode ser ignorada, mas não vemos nada acontecer. Talvez tenha chegado a hora das instituições, comerciantes, empresários, líderes comunitários e população em geral cobrarem soluções por parte das nossas autoridades.

Na mesma semana em que a morte de Jocéu Wando Capilo deixa Santa Rita de luto, um outro assunto movimentou as redes sociais. Trata-se da doação de lotes para a ampliação da região formada por diversos bairros, que ficou conhecida como "Nova Cidade." Pode parecer que estes assuntos não têm ligação mas, se pararmos para pensar que a violência tem aumentado em função da incapacidade de nosso efetivo policial em dar cobertura ao município como um todo, já que são escassos os recursos disponíveis pelos militares, o que acontece toda vez que criamos um novo bairro? A insegurança tende a aumentar! 

Cada vez que um novo bairro é criado, aumenta-se a responsabilidade da polícia, aumenta-se a abrangência dos serviços como fornecimento de água, luz, calçamento, saneamento básico, recolhimento de lixo, saúde, educação e muitas outras necessidades de nossos habitantes. Antes de ampliarmos a cidade, é preciso resolver os problemas graves que já existem no restante dela. 

E por falar em problema, nosso hospital - há um bom tempo - anda mal das pernas e isso não é segredo para ninguém. Até então, ninguém havia colocado as despesas na ponta do lápis, da maneira como deve ser feito, e descobriu-se um déficit na casa dos 200 mil Reais por mês que transforma qualquer rifa ou movimento pelo saneamento das dívidas em um saco sem fundo. O repasse do SUS é irrisório. Já o repasse da prefeitura, não tem sido capaz de suprir as necessidades da Fundação. Diante desta realidade, o que fazer? Fechar as portas? Trabalhar meio expediente? Reduzir o quadro de funcionários? Ao que parece, existe uma série de problemas graves e essenciais que deveriam, mas que não estão sendo encarados com a seriedade com que necessitam.

Sempre é bom lembrar que temos uma dívida com o BPS que, há 4 anos, ultrapassava a casa dos 30 milhões de Reais e que tem tudo para levar Santa Rita do Sapucaí para o buraco se não for quitada o mais rápido possível. Entra prefeito, sai prefeito... não vejo ninguém com boa vontade para encarar este rojão. Por falta de planejamento e de sequência administrativa, cada uma das 40 casas desapropriadas nos anos 80 já custa aos cofres públicos, cerca de 750 mil Reais. Até quando vai isso?
Em 1992, uma reportagem da Revista Veja apresentava uma estatística interessante sobre a cidade que acabava de completar 100 anos: tínhamos 27 mil habitantes e um índice de 1 homicídio a cada 2 anos. Nos 20 anos seguintes, a população local teve um aumento de 13 mil habitantes (32,5%) e o índice de homicídios cresceu assustadoramente. Daí eu pergunto: existiu um planejamento para que este crescimento não produzisse impactos no restante da cidade? Por que o Plano Diretor foi ignorado por tanto tempo? Essas casas que vemos ser construídas em terrenos alagadiços e de várzea não deveriam ser submetidas a um controle maior para evitar um desastre no futuro? Vejam como uma coisa puxa outra e, no final da história, quem paga as contas somos todos nós!

O que acaba com a cidade e com o país é a política do "Vai assim mêmo..." A cidade não está dando conta de suprir as necessidades e por isso não pode crescer mais? "Vai assim mêmo..." A cidade está violenta e não tem efetivo policial para fazer cobertura? "Vai assim mêmo..." Temos uma dívida de mais de 30 milhões e precisamos pagar o quanto antes porque virou uma bola de neve? "Vai assim mêmo..." O hospital corre o risco de fechar por falta de recursos? "Vai assim mêmo..." Depois vão vir aqui reclamar que a prefeitura não deu suporte para esta mesmas áreas. Depois reclamam do Pronto-atendimento, que não tem escolas nos bairros, que o caminhão de lixo não passou, que a Polícia não apareceu, que não tem luz, calçamento, esgoto... tudo por culpa do "Vai assim mêmo."


Para finalizar uma observação importante: 


Esta é uma crítica à gestão atual?

Não!

Esta é uma crítica à cultura política de Santa Rita do Sapucaí como um todo!

É uma crítica à forma como as coisas são feitas! É a minha opinião sobre o que vem acontecendo por aqui nas últimas duas décadas e que, ao meu ver, precisa ser mudado para o desenvolvimento do município!

(Por Carlos Romero Carneiro,  que não é e nem nunca será candidato a nada, que não tem conexão nenhuma com partidos, mas que quer uma cidade melhor - só isso.)

terça-feira, 23 de junho de 2015

OPINIÃO: O QUE FALTA À POLÍTICA SANTA-RITENSE?

A política, em tudo que é canto, é um jogo de cartas marcadas. O cabra assume um ou mais partidos, distribui candidatos nas legendas para que um “puxe” o outro e negocia os benefícios em nome dos próprios interesses. O bem-estar da comunidade não está nem na última das prioridades dessas pessoas que só têm duas palavras em mente: grana e poder, não importam os meios.

Infelizmente, Santa Rita é uma cidade que cresceu “apesar” da política. Aqui, se os governantes não atrapalham, já estão fazendo muito. O cenário melhorou de uns tempos pra cá, mas ainda falta bastante para sermos bem representados. 

Na prefeitura, não considero o atual prefeito um sujeito visionário ou capaz de surpreender, mas o “feijão com arroz” ele faz bem. Se vier um acompanhamento como um investimento maior no hospital (que possui um déficit de quase 100 mil por mês) e o pagamento da dívida de mais de 30 milhões acumulada pelo município, melhor ainda! A cidade vai adorar. O pagamento dessa dívida, aliás, seria a cereja no bolo de uma gestão responsável. E a responsabilidade continuaria em alta caso não surjam aquelas doações de lotes em final de mandato que beneficiam alguns em detrimento do restante da população.

A comunidade, por sua vez, tenta fazer a sua parte nas suas eleições mas, em muitos casos, pisa no tomate. Em vez de votar em candidatos que lutam pelo bem-estar coletivo, preferem eleger quem faz favor, dá presentinho ou promete concessões pessoais. Mal sabem que, se botássemos um sujeito honesto para nos representar, não precisaríamos recorrer a este tipo de saída, já que os benefícios viriam igualmente para todos. Como são eleitos vários oportunistas e interesseiros, passamos os quatro anos seguintes reclamando de tudo, como se também não fôssemos responsáveis pelo cenário que vemos aí.

Tenho visto uma movimentação intensa em torno da política local, nos últimos dias. Os famosos conchavos. Aos poucos, surgem nomes e alianças em torno dos possíveis candidatos, mas ainda não vejo uma luz no fim do túnel. Boa pergunta... Por que será que não aparece um único nome novo? Por que será que a roda gigante sobe e desce, mas as opções são sempre as mesmas? Por que a nossa política (inclua os bastidores) está nas mãos de tantas pessoas que nunca fizeram nada em benefício da população e que continuam ditando os destinos do povo? É lamentável uma situação dessas.

O termo Hacker, no mundo atual, não refere-se apenas ao cara que invade computadores. Refere-se também a quem consegue se infiltrar num meio viciado e realizar transformações sem que os mal intencionados percebam. Eu gostaria de ver mais caras assim na câmara, na prefeitura e demais órgãos públicos. Paulinho Dentista foi um desses Hackers. Existem outros por aí, mas convém não "espalhar".

Com ou sem a candidatura do Jeffinho, precisamos nos sentir, realmente, representados. A cidade precisa resolver os seus problemas essenciais e propor novos desafios. Ainda há tempo de vencer esta demanda e seguir em frente. Que consigamos superar estes desafios em nome da cidade que queremos. Boa sorte pra nós. 

Por Carlos Romero Carneiro. (Que não será candidato a nada por absoluta inaptidão em exercer cargos públicos ou burocráticos)

sábado, 31 de janeiro de 2015

Opinião: Lamento (e sentimento) no Morro

Estava finalizando a Edição 85 do Empório de Notícias quando senti um delicioso cheiro de carne de porco, que exalava do outro lado da rua. Vinha do bar do Dija, o glorioso Dija Gastronomia, que preparava um lombo com feijão tropeiro, digno dos melhores restaurantes do país.
Atravessei a rua e encontrei no bar um movimento incomum. A freguesia também era um pouco diferente da formada por alguns dos caras mais bacanas da cidade que, diariamente, travam discussões acaloradas sobre Lacerda, Brasil Império e que passam horas tentando lembrar o nome da filha do Getúlio. "Ivete!" - Gritou Djair.

Depois da primeira cerveja, liguei as peças. Notei que aquelas pessoas que não via há tempos, faziam parte de algo que me trazia profundas lembranças. Tratava-se de foliões dos Democráticos que chegavam ao morro do Zé da Silva, o que me fez lembrar do meu pai, do meu avô, do senhor Hugo, do meu amigo Marcelo, da estimada Dona Lydia e de tantas figuras que traziam vida e alegria ao bairro.

O morro nunca mais foi o mesmo sem eles. Tatau estaria fazendo alguma piada entre os boêmios. Meu pai deveria estar correndo de um lado pra outro com fios enrolados nas mãos. Possivelmente, Marcelo estaria acendendo foguetes com uma bituca de cigarro, na esquina do Grupão. Seu Hugo não esconderia o choro.

A rua ficou apinhada de foliões com camisetas pretas, antes do anoitecer. Um carro de som ousou tocar o hino do bloco e vi os olhos de muitos foliões marejarem. Olhei para a janela de casa e vi minha mãe soluçar enquanto Carlos Brejeira prendia os cordões da faixa em um suporte que meu pai deixou. "Está tudo pronto. É só encaixar." - Ele disse.

Quando tocou "bandeira branca" vi aquele morro vivo novamente e pensei: "Por que deixamos que a prefeitura destruísse a nossa tradição?" Entra gestão e sai gestão e vejo o maior patrimônio cultural do povo santa-ritense se transformar em joguete político. Não temos muita escolha. Os tempos são outros. Precisamos de apoio e se decidirmos descer a praça, não teremos suporte porque, para alguns, é muito bom que os blocos desfilem como uma parada militar em uma avenida curta, em frente a arquibancadas de rodeio.

Quando descíamos do morro, era uma diversão para nós. Partíamos da rua mais tradicional e contornávamos o ponto zero da cidade, o lugar mais democrático, a praça Santa Rita. Não foi Castro Alves quem disse que "A praça Santa Rita é do povo, como ó céu é do avião?" Da avenida, não estamos em nosso território. Somos muito mais uma peça no tabuleiro do populismo do que mantenedores de um ritual que poderia perdurar por anos.

Ontem, eu vi muito mais gente madura, do que nova. Este hiato causado pela falta de apoio a uma tradição iniciada por nossos avós e bisavós pode ter feito com que os blocos passassem a respirar com ajuda de aparelhos. Portanto, não posso deixar em branco minha decepção por tamanha insensibilidade de nossos governantes. Não falo dessa, ou de outras gestões em particular, mas de todas, sem exceção. Desde que decidiram deformar nosso ritual em nome de um suposto conforto, o projeto mais genuíno de todos foi condenado. Se não voltar ao que era antes, a tradição vai ser interrompida e quando as futuras gerações olharem para trás e perguntarem porque o carnaval de rua acabou, devem saber a verdade.

Portanto, meus caros, se queremos contribuir para que Santa Rita seja realmente uma "Cidade Criativa", devemos empreender novas ações, mas nunca nos esquecermos da mais tradicional de todas: os nossos antigos carnavais. Saudações Democráticas.

(Por Carlos Romero Carneiro)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Opinião: À espera de um milagre

Estava lá Sinhá Moreira, lendo os posts do glorioso grupo Povo de Santa Rita, vendo todo mundo reclamar que a cidade não tinha nada (Oh céus! Oh vida! Oh azar!) e pensou: vou criar uma escola! Ela desligou o computador e procurou pessoas que a ajudassem no projeto. Daí podem pensar: "Mas ela era cheia da bufunfa! O pai era banqueiro!" Mas quem pode negar que ela teve iniciativa? Com o professor de Itajubá, José Nogueira Leite, foi a mesma coisa. Ele passava horas jogando Candy Crush no seu iPhone quando teve a ideia de criar uma faculdade de engenharia. "Eureka!" - parafraseou Arquimedes! Como o pessoal de Itajubá curtia, comentava e compartilhava mas não agia, ele veio para Santa Rita, procurou a Sociedade dos Amigos da Cidade (quem participa?) e o Clube Feminino da Amizade e fundaram o Inatel. Uau! Instituto Nacional de Telecomunicações! Sonharam alto! 

Se Santa Rita teve, um dia, um hospital modelo, não pensem que foi obra do divino. Por lá passaram figuras como José Palma Rennó e Dona Conceição Rennó, também membros do glorioso grupo "Povo de Santa Rita" que ouviram as reclamações e partiram para o front! Dona Conceição, por exemplo, ia apagando todas as lâmpadas do hospital no final do expediente e até bordava as roupas de cama quando chegava em casa! Ela era rica, podia ficar em casa vendo Maria do Bairro, mas não esperava as coisas caírem do céu. Hoje, um outro grupo de pessoas vem queimando fosfato pra tentar descobrir uma forma de impedir que tenhamos que correr para Pouso Alegre quando precisarmos curar uma unha encravada. Cada um desses voluntários sabia que quando assumisse o rojão, um tanto de gente iria reclamar, jogar pedra na Geny, dar tapa na pantera, mas houve coragem para chamar a responsabilidade e manter o prédio em funcionamento.

A relação que existe entre a votação expressiva que Aécio Neves teve em Santa Rita e todas as obras empreendidas no Vale da Eletrônica, é que quem fica esperando o estado prover tudo são os cozidos e não os empreendedores. E nós somos empreendedores, não somos? Portanto, homens de pouca ou muita fé, se foi importante promover a cultura através do Cidade Criativa (que não é uma iniciativa da prefeitura somente, mas de todas as instituições da cidade), devemos olhar para outros pontos onde há carência de nossa contribuição e nos mobilizarmos em benefício do município. "Poupar o fôlego pra esfriar a sopa." - como dizia o reconhecido doutor Muela PhD. Se há outros pontos a ponderar, porque não nos mobilizarmos nessas causas, como essa turma que, ora trabalha pela cultura, ora pela saúde, mas que não fica à espera de um milagre?

(Carlos Romero Carneiro cutucou você.)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Opinião: Somos um livro que ninguém lê?

Me chama a atenção quando vou a alguma casa e vejo a estante cheia de livros bacanas. Tá certo que quase ninguém devolve livro emprestado (que nem caneta Bic), mas de que vale um livro que ninguém lê? Adianto que este não é um texto sobre campanha de doação de livros. Até poderia ser, mas o objetivo, nesse caso, é outro.
Agora a pouco, conversava com um amigo que passa incontáveis horas pensando em maneiras de transformar a cidade num local com maior acesso à cultura e às artes. Para ele, assim como para mim, é inquestionável que a nossa vocação para a tecnologia cairia muito bem com mentes criativas.

Em empresas como Google e Apple, um elemento comum é a união de artistas e libertários com nerds e matemáticos. Para essas marcas, é ponto pacífico a necessidade de fundir os dois polos para que surjam soluções realmente relevantes.

Em Santa Rita do Sapucaí, existe um predomínio pela lógica, mas há também um grande potencial para a cultura e a criatividade que precisa ser fomentado. E quando digo cultura, não me refiro a tocar “Coração de Estudante” no final do baile de formatura, com todo mundo abraçado e chorando bêbado, mas de referências capazes de gerar novas formas de ver a coisas.

Existem muitos talentos locais, capazes de inverter o código e fazer a cidade pensar de maneira criativa, mas boa parte parece viver como aquele livro na estante. Eles sabem bagarai, tem uma infinidade de coisas para ensinar, podem ser a chave para suprir esta carência por pensamentos fora da caixa, mas permanecem enclausurados em seus afazeres. Por que não aplicar seus conhecimentos e gerar um feixe de luz sobre a nossa Sucupira? E quando digo isso, não me refiro apenas à arte. Lembram daquele juiz que, em sua curta passagem, utilizou seu potencial para promover a comunidade e suas ações ganharam o mundo? É disso que estou falando!

Tem gente que manja muito de música, mas apresenta-se apenas para si mesmo ou para um punhado de amigos. Tem gente que pinta ou desenha mas não ousa tingir além das paredes de casa. Algumas pessoas adoram ler, mas nunca pensaram em fazer isso para um pequeno grupo. Tem gente que cozinha, pinta, borda, canta, escreve poesias, gosta de participar e de estar em comunidade... Que tal descobrirmos o nosso potencial e sairmos do casulo por um objetivo comum? Que tal sairmos da estante e colocarmos nossos talentos à serviço de uma "Santa Rita da Qualidade de Vida"? Fica o desafio (e a provocação). 

Ilustração: as obras de Sinhá Moreira. Exemplo de "livro" mais lido e reverenciado que Santa Rita já teve notícia.

(Por Carlos Romero Carneiro)

domingo, 16 de novembro de 2014

Opinião: A primeira impressão é a que fica (Por Carlos Romero Carneiro)

Na última semana, uma publicação em um grupo do Facebook criticava o estado de nossa rodoviária e muitas pessoas reclamavam do desgaste da estrutura, do comércio de cachaça em um local frequentado por crianças e famílias, das condições dos banheiros, dentre outros problemas. Talvez um exercício interessante fosse procurar entender o que a rodoviária representa para Santa Rita do Sapucaí e as oportunidades que teremos ao mantê-la em boas condições. 
Quando um viajante desembarca ou passa por aqui de ônibus, o primeiro contato que tem com a cidade é na rodoviária. Construída na década de 70, me parece que o piso nunca foi trocado, as reformas foram bem superficiais e os pontos comerciais poderiam ser melhor explorados. Se a primeira impressão é a que fica, que julgamento um turista faria ao tomar contato com essa realidade? É um ponto a se ponderar.

Se estamos falando de um ambiente que é utilizado pela grande maioria dos nossos moradores, por que não colocar um piso de boa qualidade (mármore ficaria ótimo!), fazendo o mesmo em meia parede e oferecendo o restante da superfície para nossos artistas realizarem suas pinturas? Imagina como seria atraente se um turista chegasse aqui e encontrasse ilustrações como as que foram feitas na boca da ponte, com bancos limpos e pisos reluzentes! Logo de cara, a pessoa perceberia que está diante de uma cidade diferenciada! Uma Cidade Criativa!

Quanto aos pontos comerciais, sou absolutamente contra o comércio de bebidas, por julgar que tal prática favorece uma grande aglomeração de pessoas alcoolizadas que disputam lugar com quem está ali por necessidade. Ao meu entender, as lanchonetes poderiam ser mais descoladas, com aparência mais cleam e que ajudassem a transmitir essa sensação de modernidade que o Vale da Eletrônica exige. Mais do isso, poderiam ser uma excelente vitrine para os produtos típicos do município. Já pensou se as lanchonetes fossem incentivadas a vender pão-cheio, pão de queijo, pasta-flora, pão com linguiça ou pernil, sucos e sanduíches naturais? As oportunidades poderiam ser muito maiores para consumidores e comerciantes!

Um amigo meu costuma dizer que no momento da dificuldade, enquanto uns choram, outros vendem lenços. Taí uma excelente oportunidade de transformar o local na rodoviária mais bacana do país. Para isso, temos um bom número de pessoas dispostas a oferecer ideias e contribuir no que for necessário. Se, algum dia, construírem a nova rodoviária, em um outro local, teremos na cidade um excelente ponto de circular. Acredito que com uma ação nesse sentido, a população deve ficar muito satisfeita e orgulhosa. Sem intenção de tecer críticas, mas de contribuir com o município, fica aqui a minha sugestão.

PS: Gostaria de evidenciar que a "opinião" que publiquei não é uma crítica à Câmara, aos vereadores, à Prefeitura, ou ao prefeito. Foi uma forma de oferecer sugestões para melhoria de uma infraestrutura tão importante ao município. O texto deve ser visto como uma "oportunidade" e não como uma crítica.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Turismo Rural é excelente opção para a economia santa-ritense

As últimas experiências em Santa Rita me mostraram que podemos explorar, com grande sucesso, o turismo rural. Quem vem não pede muito, apenas a verdade. Comida na varanda, montanhas, animais, talvez água da mina ou um doce de leite. Já está quase pronto, só é preciso mapear. Não é necessário grandes produções ou shows extravagantes. Tudo isso existe nos grandes centros. O que chama a atenção dos visitantes é o que já se tornou invisível pra nós. A carne de porco ou o frango caipira, a cachaça, o tutu de feijão e a saladinha... tudo o que um santa-ritense está habituado a ver, é envolvente aos olhos do turista. O que falta é estampar a história do local pelos pontos mais importantes, criar um mapa ou site com imagens e estar disposto a empoeirar o carro quando eles vierem pra cá. De resto, a natureza se encarrega. Está tudo aqui... rio, montanhas, floresta, estradas, casarões, gente. Esse, sim, é o nosso maior patrimônio.

terça-feira, 3 de junho de 2014

OPINIÃO: "Jazz na Alameda" gera grande movimento e esquenta a nossa cena cultural

No fim de tarde do último sábado (31/05), venci o frio e o vento para ir à Alameda das Flores prestigiar um show produzido por um loja chamada "Musical Minas", que anunciava na internet a apresentação de um trio de jazz, em frente à sua vitrine. Confesso que não passava por aquele espaço há uns 3 ou 4 meses e descobri algumas lojas que não sabia que lá estavam instaladas, como uma agência de turismo que acabou de se transferir para o local e um bem montado café.
Aos poucos, começaram a chegar pessoas que não costumo ver em ambientes públicos que tomaram assento nas mesinhas espalhadas pelo recinto. Havia gente de todas as idades, inclusive crianças que desentocaram para bater papo, se confraternizar ou simplesmente tomar um lanche e se divertir.

Achei uma grande sacada dos criadores da iniciativa terem convidado o empresário Henrique Del Castillo, proprietário do chopp artesanal Libertas, produzido em Santa Rita, para oferecer uma degustação. Afinal de contas, jazz combina com chopp, que combina com uma boa prosa e é aí que o evento ganha fôlego. Em cidades como San Jose (California), no Vale do Silício, iniciativas como essa costumam ser implementadas para reunir empresários, criativos, músicos e artistas, com o objetivo de favorecer parcerias e dar origem a empreendimentos que ganham o mundo. Tal encontro seria impossível sem um interesse comum para aglutinar pessoas tão diferentes.

Ao dar início ao espetáculo, a qualidade das improvisações não interferia no bate-papo, as pessoas podiam interagir ou simplesmente viajar nas canções. A "Tribo do Açaí" estava completamente tomada de clientes, um café chamado "Gobeche" também estava repleto de fregueses e ouvi o comentário de um amigo: "Que estratégia a desses caras! Criaram um evento de alto nível, em pleno inverno, e conseguiram encher uma galeria em um horário onde poderiam estar fechando as portas!" Isso é empreendedorismo - e dos bons.

Ao que tudo indica, a iniciativa deve se estender pelos próximos meses e estou ansioso para conhecer a próxima apresentação. Através de ações espontâneas, como a do "Jazz na Alameda", santa-ritenses dão um "up" na cultura local, fortalecem o comércio e fazem as coisas acontecerem. Vida longa ao evento!

(por Carlos Romero Carneiro)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Eu quero é botar meu bloco na rua... (e não na avenida) - Por Carlos Romero

Os blocos carnavalescos de Santa Rita são o nosso maior patrimônio cultural. Não temos notícia de outra cidade que mantenha viva a tradição dos carnavais da década de 30, de maneira tão próxima de sua essência, como acontece por aqui. O que tornou possível que tais agremiações, Ride Palhaço e Democráticos, se mantivessem fieis ao passado, foi a manutenção de um ritual que se estendeu por décadas, passando de pai para filho. A rivalidade, as histórias que sobreviveram a gerações, a paixão; tudo isso contribuiu para que este tesouro chegasse até nós. Será que irá acabar em nós?
Quando o carnaval foi transportado para a avenida, um erro absurdo foi cometido, uma vez que o referido ritual foi interrompido e todas as histórias que permearam a rua Cel. Antônio Moreira da Costa e a praça Santa Rita não vieram junto. O grande erro cometido por nossa geração foi ter permitido que fosse mudado o local do evento, enxertando os tradicionais blocos em um espaço sem a menor identificação com seus entusiastas. Essa atitude não só transformou os blocos em algo completamente diferente do que eram, como dissolveu boa parte daquela paixão que motivava a todos. 

Quando dizem que a mudança aconteceu por entenderem que na avenida cabe mais gente, afirmo que não estão com a razão. No roteiro original, havia um grande número de pessoas que acompanhavam o bloco puxando os cordões. A Antônio Moreira e a Praça comportam um número muito maior de pessoas e, não raramente, os dois blocos desfilavam, cada um de um lado da Praça. Quem esteve nos desfiles da avenida, sabe que depois que os blocos são montados em frente à E.E. Sinhá Moreira, só podem desfilar mais duas ruas até o destino final. Nos tempos da praça, as agremiações até podiam dar duas voltas em torno da Praça, antes de retornar.
Em nome do conforto, os voluntários que trabalhavam nos dois Blocos talvez não sintam a mesma emoção de antes e de nada vale uma arquibancada sem desfiles. Alguns podem dizer que é sinal dos tempos e até concordo em parte. Seria bom se os carros alegóricos fossem menores, mais simples e baratos como antes, mas coubessem no velho morro do José da Silva. Seria mais empolgante criar um projeto que possibilitasse aos avós poderem se divertir com os filhos e netos. Queria ver a volta das bandinhas, das marchinhas, dos postinhos, e sei que muitos santa-ritenses sentem o mesmo.

Com uma diretoria mais coesa, o Ride Palhaço deverá desfilar, em 2014, em comemoração aos seus oitenta anos. Oitenta anos! Uma grande oportunidade de seus líderes solicitarem uma reunião com os nossos governantes para pedir que o desfile aconteça, como antes, em torno da praça da Matriz, com postinhos e bandeiras dependuradas nas janelas! Esta é uma data especial. Em dez anos muita coisa acontece e pode ser que não haja outra oportunidade para reparar um terrível engano. Sinceramente, não consigo ver o Bloco dos Democráticos desfilar outra vez na avenida. Estava tudo lindo, com uma organização impecável, parecia muito com o meu bloco do coração, mas – para mim - não era ele. Esse aniversário, ao meu ver, poderia ser uma oportunidade do bloco mais antigo da cidade fazer com que tudo voltasse a ser como antes. Não queremos, com isso, que a tradição das Escolas de Samba seja quebrada. Mas é preciso entender que são coisas diferentes. A história não é a mesma. As motivações são distintas. Se não for assim, não consigo ver de outra forma. 

O lendário morro está aqui e nem nos importamos que o Ride realize seu grande sonho :) Se for preciso até podemos colaborar para que a festa aconteça. O objetivo agora é comum: “Botar o bloco na rua” (como diz a música) e não na avenida. Como diz o sambista, “A hora é essa.”

Oferecimento:

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

BOMBA: PLANO DIRETOR PROÍBE A CONSTRUÇÃO DE HOTÉIS EM POÇOS DE CALDAS E A COMERCIALIZAÇÃO DE PÉ DE MOLEQUE EM PIRANGUINHO

Caro leitor, você já pensou se esta notícia fosse verdade? A proibição da construção de hotéis em Poços de Caldas e a Comercialização de pés de moleque em Piranguinho, não seria um absurdo? Pois é... felizmente, para estas cidades, não aconteceu nada parecido e acho que não vai acontecer. Infelizmente algo semelhante aconteceu em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, minha cidade natal.

Sei que plano diretor é um assunto polêmico e controverso. Sei também, que mesmo tendo certo grau de instrução, não sou autoridade no assunto e conheço muito pouco do plano diretor de Santa Rita do Sapucaí. Sei ainda, que a população de Santa Rita de forma geral ignora ou não compreende quase nada do seu plano diretor, mas o mesmo não se pode falar das suas consequências.

Uma questão me intriga bastante: Eu comprei um imóvel anteriormente ao plano diretor com o objetivo A e um mês depois o plano diretor entra em ação e impede que realize os meus objetivos. Não estaríamos diante de uma instabilidade jurídica no município? Que segurança o investidor vai ter? O correto não seria ser aplicado somente aos novos loteamentos?

Mas um fato me entristeceu imensamente e que me levou a escrever este texto. Estava conversando com um amigo, Diretor de uma empresa de médio porte em Santa Rita e que emprega cerca de 350 pessoas e que fatura cerca de 100 milhões de reais por ano e ele me disse que a empresa já comprou o lote para ampliar em cerca de 50% a capacidade da empresa, mas que está impedida de investir na cidade devido ao plano diretor. A referida empresa tem um projeto inclusive de construir uma creche para os seus funcionários.

Como se não bastasse, o presidente desta empresa está sendo assediado quase que semanalmente por prefeitos de outras cidades para instalar a empresa em suas respectivas localidades.

Sei que existe uma disposição geral dos atuais políticos e gestores da cidade em reverter a situação. Não sei quais as dificuldades e impedimentos para tal. Mas sei que algo tem que ser feito urgentemente, pois aqueles que aprovaram tal documento não se atentaram que estariam inviabilizando o emprego e a renda de seus eleitores. Pior, estariam aniquilando a tão respeitada identidade econômica do “Vale da Eletrônica”.

Sou muito otimista com o crescimento e evolução de Santa Rita do Sapucaí e tenho certeza que os seus filhos farão algo para contornar tão acentuado problema. Aqueles que tentam segurar o seu progresso são muito frágeis diante da vitalidade do povo santa-ritense. Rezo todos os dias para que a moda não pegue, para que eu possa continuar a me hospedar nos hotéis de Poços de Caldas e comer os deliciosos pés de moleque de Piranguinho.

(Por Vladas Urbanavicius)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Hospital Antônio Moreira da Costa corre o risco de fechar. (Carta pedido de um cidadão ao Deputado Bilac Pinto)

Postagem do Facebook:



UMA INDICAÇÃO:

Se puderem, leiam o Artigo intitulado "Carta Aberta, a Pedido", escrita pelo Dr. José Caponi de Mello, ao Deputado Olavo Bilac Pinto Neto, como secretário da Sociedade de Amigos de Santa Rita do Sapucaí. Nela, Dr. Caponi fala sobre a possibilidade de fechamento do Hospital Antônio Moreira da Costa. A situação é de fato grave e esta possibilidade é grande. A população tem de conscientizar. Um Hospital que já realizou Cirurgia Cardíaca e com uma maternidade tradicional - é muito triste. Pelo que eu entendi do artigo, o Hospital não tem o apoio suficiente da Prefeitura. Leiam e tirem as conclusões. Abraços.

Opinião do Jornal Empório:

Se esse hospital fechar a portas, a cidade vai ser dividida entre quem tem recursos pra pagar plano de saúde e quem vai ter que ser transferido para Pouso Alegre, toda vez que ficar doente. Se existe demora no atendimento local, imaginem ter que mobilizar uma ambulância toda vez que alguém ficar doente... imaginem a fila... imaginem os transtornos. Para prestar nossa colaboração, já solicitamos o nosso boleto mensal. São 30 Reais por mês... metade da mensalidade de uma TV por assinatura. Gostaríamos que a comunidade também separasse um dinheirinho para ajudar a manter essa instituição que todo mundo precisa, mais cedo ou mais tarde. Seria bom se a população se empenhasse nessa causa, porque a situação está preta e pode piorar ainda mais. Santa Rita do Sapucaí tem em sua essência a cooperação. Nos momentos decisivos a população sempre se organizou e empreendeu grandes projetos. Que essa essência cooperativa não tenha se perdido com o tempo. Que a população pense coletivamente e possa mudar os rumos dessa Casa tão tradicional. O momento é agora. Depois, não adianta lamentar. Ou a gente ajuda, colabora e cobra nossos representantes por um maior apoio, ou iremos chorar as pitangas num Hospital Regional localizado há meia hora daqui, super lotado e que atende diversas cidades do sul de Minas.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

OPINIÃO: Asfaltar a "Rua da Pedra" pode trazer grandes melhorias ao município

Há muito tempo as pessoas comentam sobre um possível asfaltamento da Rua Antônio Telles (conhecida como Rua da Pedra). Sempre que esse assunto vem à tona, muitos se posicionam de forma favorável, enquanto outros são contrários à realização da obra. O principal motivo dessa polêmica é que alguns moradores acreditam que o apelido decorra do fato do calçamento ser constituído por pedras, o que não é verdade (vide imagem abaixo).
Antenor Pinto de Almeida, prefeito entre 1962 e 1964,
realiza o calçamento da Rua da Pedra.
O termo "Rua da Pedra" é muito antigo. Data de uma época em que a saída da cidade ainda era pela região de Natércia e Heliodora. A rua que contorna o morro do cruzeiro foi criada para fazer conexão entre uma ponta a outra da freguesia, em um local imune às constantes enchentes. Nessa época, existia uma enorme pedra nas redondezas da Rádio Difusora (a mesma rocha que desponta na lateral do morro do cruzeiro, nas terras do Sr. Claiton), que precisou ser destruída. Daí o apelido, Rua da Pedra.

Assim como a Rua da Pedra conectava o município no passado, acontece o mesmo nos dias de hoje. A péssima qualidade do calçamento, entretanto, dificulta o acesso e impede que o trânsito para regiões como a Vila Operária, Centro Empresarial e Nova Cidade aconteça de forma mais rápida e confortável. Caso seja asfaltada aquela via pública, haverá um desafogamento da Avenida Frederico de Paula Cunha, responsável pelo acesso rápido entre o centro e uma boa parte das indústrias e residências. Outro ponto positivo é que a geografia do local faz com que não exista cruzamentos, o que torna a pista mais segura. 

Para os moradores da Rua Antônio Telles, receber um novo calçamento incluiria uma série de benefícios que poderiam contemplar, até mesmo, uma grande valorização dos imóveis que ali estão. Outros beneficiados poderiam ser os moradores dos bairros da Rádio, Vila Operária e da zona rural, caso o asfaltamento chegasse ao vintém, local que já abriga cerca de 150 residências.

Quando tal iniciativa for acontecer, uma boa sugestão seria criar um folheto informativo para mostrar aos moradores a verdadeira história da rua e os diversos benefícios da obra. Haveria, também, a necessidade de sinalizar muito bem o local, aplicar faixas para pedestres, lombadas e outros recursos para regular a velocidade dos veículos. Entendemos, desta forma, que tal velocidade deva ser controlada, não pela ultrapassada característica da pista, mas por recursos de trânsito aplicados em outras partes do município.

Para finalizar, argumentamos que, em grandes centros e capitais, o que faz um local ser considerado longe ou perto é a facilidade de acesso e locomoção. Nas grandes metrópoles, a distância pouco importa, caso exista uma pista em boas condições e fluxo moderado de veículos. Guardadas as devidas proporções, esta seria uma iniciativa interessante para nossa cidade.

(Carlos Romero Carneiro)

Oferecimento:

terça-feira, 4 de junho de 2013

Quem lucra com a Festa de Santa Rita?

Qual é o sentido do turismo? O sujeito trabalha e produz capital em sua própria cidade, viaja para outra região e deixa o dinheiro que ganhou, em troca de alguma atração que o fará satisfeito. Algumas das cidades mais evoluídas do mundo, incluindo muitos destinos brasileiros, exploram com eficiência seu potencial turístico e conseguem aquecer a economia desta forma promissora. Para não ir muito longe, a pequena cidade de Maria da Fé que, até pouco tempo, ninguém ouvia falar, hoje atrai milhares de pessoas através da exploração do clima e da produção do azeite, o que demonstra uma estratégia absolutamente inteligente de seus organizadores. 

Em Santa Rita do Sapucaí, a Festa de Santa Rita tinha tudo para ser da mesma forma. Nós temos uma data tradicional, conseguimos atrair uma grande quantidade de turistas, mas não temos um plano para manter o lucro por aqui. Os barraqueiros vêm à cidade, competem de maneira desigual com nossos comerciantes (que pagam impostos sobre os produtos, têm uma folha de pagamento e geram divisas ao município), geram transtornos que vão da sujeira ao aumento da criminalidade e à superlotação do pronto atendimento para, logo depois, irem embora com o lucro, deixando para trás apenas os efeitos colaterais de sua passagem.

A ideia para um turismo realmente eficiente é que os próprios moradores da cidade lucrem com os investimentos feitos pela administração pública na viabilização do evento. Para isso, devemos enxergar a Festa de Santa Rita, não como uma temporada para comprar produtos mais baratos, mas como uma oportunidade da população melhorar seus rendimentos através da movimentação de recursos, dentro do próprio município.

Com o repasse do capital proveniente da venda dos espaços aos vendedores ambulantes para as institui-ções de caridade, o prefeito Jefferson Gonçalves Mendes deu um grande passo na inversão dessa equação para que o município seja realmente beneficiado com a Festa da Padroeira. Ainda assim, é necessário que o capital levantado nesse momento festivo não seja levado embora por vendedores de outras bandas.

O que difere um país desenvolvido do subdesenvolvido é que, enquanto o primeiro cria e vende, o segundo faz e consome. Trazendo para o âmbito de nossa cidade, faço a mesma pergunta aos nossos conterrâneos. Seremos os eternos consumidores de produtos de baixa qualidade, muitas vezes irregulares e que prejudicam o comércio local pela disparidade de condições ou criaremos uma estratégia para começarmos a lucrar com todo o movimento gerado em torno de nossa tradicional festa? 

(Carlos Romero Carneiro)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Opinião - Onda de estupidez avança sobre Santa Rita do Sapucaí (e pelo interior do país)

Nos últimos dias, uma série de acontecimentos têm promovido discussões nas redes sociais de Santa Rita Sapucaí, dado o teor de violência e insensibilidade de seus autores. O mais comentado, foi o assalto à residência de um senhor de idade avançada e muito humilde, conhecido como José Liberato ou pela alcunha de "Colé Colé". Insatisfeitos em roubar um homem indefeso e de saúde frágil, dois bandidos teriam espancado o vendedor de picolés, deixando nele vários hematomas e escoriações. Enquanto isso, do outro lado da cidade famosa pela qualidade da educação, no Bairro Santo Antônio, vândalos destruíram uma fonte e uma estátua instaladas na pracinha do bairro, mostrando que alguma coisa precisa ser feita – urgentemente – para conter tamanha estupidez.

Na última semana, uma lata foi encontrada no bairro Fernandes e chamou a atenção da vizinhança, dado o seu conteúdo. A cena foi registrada pelo blog “Vale Independente” e chocou boa parte dos moradores com um novo episódio de crueldade. Dentro, havia uma cadela incinerada, possivelmente enquanto ainda estava viva. Como se aquele gesto não fosse revoltante e triste por si só, ao examinar o corpo do animal as pessoas notaram que a cadela estava prestes a dar cria, quando foi assassinada.

Tais gestos demonstram a profunda maldade e egoísmo de alguns de nossos moradores. Tocados pela insensibilidade e materialismo, estes criminosos têm feito com que a população comece a questionar “que tipo de pessoas vivem por aqui” e quais são as motivações para tantos atos desgraçados. Afinal, ainda estamos seguros em um local onde acontecem estas calamidades com tamanha frequência?

Diante dos fatos noticiados, uma série de perguntas começam a ser feitas pela população. Afinal, tais atos seriam motivados pelo consumo desenfreado de drogas, não só no município, como em todo o Brasil? Seria a falta de participação dos pais na educação dos filhos? Seria a falta de amor por um patrimônio que não ajudaram a construir? Seria a falta de punição aos infratores?

Nas escolas, segundo confidenciam muitos professores, a situação anda caótica. Como não podem chamar a atenção dos “pimpolhos”, educadores ouvem barbaridades, ameaças e até sofrem agressões, sem esboçar reação. Expulsar, não pode. Reprovar, não é aconselhado pelo governo. Por outro lado, muitos pais têm delegado a responsabilidade de educar e colocado nas costas dos funcionários públicos o dever de transmitir valores primários como ética, respeito e honestidade.

Outro dia, assisti um vídeo gravado no início dos anos 80 e pude notar como os idosos caminhavam tranquilos por nossas ruas. Era uma época em que as pessoas ainda se conheciam e que os jovens ainda não se irritavam com a fatídica pergunta: “Você é filho de quem, bem?”. Naquela década, a cidade passaria por grandes transformações e começaria a atrair uma boa quantidade de pessoas, em busca de melhores condições. Por outro lado, houve também o êxodo rural e o desejo de melhores salários. Até aí, tudo bem.

Com a melhoria na qualidade de vida proporcionada pela chegada das indústrias, houve um crescimento desordenado no município (daí a necessidade de um plano diretor) e uma política de distribuição de recursos que nos deixaram acostumados a ter tudo na mão (daí o vandalismo). Tais elementos, somaram-se com o aumento do consumo de entorpecentes no mundo inteiro e com o deslocamento da violência dos grandes centros (mais bem equipados) para o interior. Desde então, temos sido agraciados  com uma verdadeira aula de “bons modos” e levantado muros tão altos quanto permitem nossos recursos.

Ao que tudo indica, este texto terá muito mais utilidade de levantar questões do que fornecer respostas. Afinal, é preciso que nossos representantes se reúnam com autoridades estaduais e federais para elaborar um diagnóstico de ação conjunta. Se as mudanças são inevitáveis no país, a saída é produzir um plano para que o mal não saia vencedor nessa disputa. Ainda há tempo.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

MAIO, FESTA DE SANTA RITA E VISTA GROSSA

A Festa de Santa Rita está aí. Com ela, tem início a temporada de compra de produtos contrabandeados por ambulantes que não geram a menor renda para o município e que vendem alimentos sem as mínimas condições de higiene. Nesta época, você não vê ninguém fiscalizando e não vê nem sombra da vigilância sanitária. A única coisa que dá para perceber é uma turminha brigando pra ver quem vai recolher a grana cobrada pelos espaços vendidos às barracas, com uma eficiência extraordinária. Na internet, nas redes sociais, as pessoas sempre criticam o comércio local, mas não vêem a hora de chegar a Festa da Padroeira para colocar em prática o amaldiçoado jeitinho brasileiro. Os restaurantes que se danem. As lojas de roupas e calçados que sobrevivam com a caderneta de poupança. Hipocrisia. Prendem um cara com ponto fixo na cidade por vender DVD pirata mas não ligam quando chega esse pessoal vendendo tudo sem nota fiscal. Vista grossa maior não existe. Desde que comecei a me inteirar desses assuntos tenho ficado decepcionado com certas coisas. Todo mundo reclama, mas poucos são os que realmente colaboram e se empenham pela promoção da economia no município. 

A verdade é que nós nos comportamos quem nem paraguaios, mas queremos ter uma economia igual à americana. Daí fica difícil... Quem faz uma nação é o povo. Se lá nos EUA todo mundo se comportasse igual aos brasileiros, nós teríamos um Brasil na América do Norte. O mesmo vale para o comércio local, que é feito de santa-ritenses. Isso quer dizer que se tem algo que precisa ser mudado é a nossa cultura como um todo. Afinal de contas, todo mundo quer viver num país bacana, ou em uma cidade onde as coisas acontecem, só que ninguém quer mudar os hábitos para que a situação mude. Aí fica impossível...

(Por Carlos Romero Carneiro)

domingo, 24 de março de 2013

Opinião: O tempero da humanidade

Hoje eu recebi um vídeo em que aparece um africano sentado à beira da calçada, tocando violão de forma longe do convencional, enquanto é observado por um amigo. Aquela gravação me emocionou muito  pela genialidade do músico e me fez refletir sobre a importância dos africanos para a viabilidade da existência humana. Enquanto via o artista brincar com o instrumento, tentei imaginar como o planeta seria chato e monótono sem a participação deles. A verdade é que, sem esses caras, o mundo seria um verdadeiro porre, mas ao som de música clássica.
Perseguidos, depreciados e subestimados por séculos, os negros são o tempero do mundo. São eles que deixam a vida um pouco mais leve e nos ensinam a transformar o sofrimento em expressões artísticas das mais diversas naturezas. Ou limão em caipirinha... Eles nos ensinam a suportar as dores e transformar a realidade, do jeito que der e com o que tiver à mão.

Um mundo sem África

Já pensou isso aqui sem Rock, Jazz, Blues ou Reggae? Já imaginou um Brasil sem Samba? O que seria de nós caso a feijoada, o acarajé e o vatapá não tivessem sido inventados? Os negros são a personalidade do planeta. São a cara desse Brasil que está começando a se descobrir e a se admirar. Quando acordamos de manhã, ligamos o rádio e aquela música torna nossas vidas mais suportáveis, devemos tudo isso a eles. Os negros levaram aquela história de sal da terra a sério e, realmente, nos ensinam a viver com um pouco mais de estilo.

Do lado de cá do Rio Sapucaí

Nasci no pé da Rua Nova e, desde muito cedo, subia o morro com o meu pai para ouvir conversas sobre samba, futebol, batucada e jogo de bicho. Um de seus maiores amigos, o Samuelzinho, foi um dos mais expressivos líderes negros locais e, do alto de seu um metro e quarenta de altura, ensinou a comunidade negra a pensar grande. No tempo em que foi o síndico do bairro, promoveu festas juninas, criou a escola de samba Sol Nascente, bolou movimentos sociais e ajudou o glorioso 13 de maio a conquistar o campeonato regional sem perder ou empatar uma única partida.

Além do Samuel, personalidades como a querida Maria Bonita, o genial saxofonista Tonico, o zagueiro da Seleção Roque Júnior e seu avô João Rocha, e tantos outros ilustres cidadãos, empreenderam uma verdadeira revolução dentro de uma sociedade marcada pela distinção de raças e mostraram ao mundo porque a cultura de seus antepassados é o que traz cor às nossas vidas.

(Por Carlos Romero Carneiro)

Quer saber mais sobre a cultura negra em Santa Rita? Acesse os links abaixo:

A grande Saga da Associação José do Patrocínio

Samuelzinho e o incrível 13 de maio

Maria, a mais bonita das cabrochas

Jonas conta a história da Comunidade Negra em seu mais novo livro

Uma celebridade na cozinha de Maria Bonita

Tonico fala sobre sua vida, sua família e sua arte

Livro: o que faz do Brasil, Brasil

segunda-feira, 18 de março de 2013

OPINIÃO: SANTA RITA PASSA POR UM PERÍODO CRÍTICO DE INSEGURANÇA

Estátua de Santa Rita é desfigurada por vândalo.
Quem passou pela praça Santa Rita no último sábado presenciou um espetáculo repugnante e que denota o abandono vivido por Santa Rita do Sapucaí, nos dias atuais. Enquanto tomava uma cerveja na Chopperia Parada Obrigatória, eu olhava para o outro lado da rua sem acreditar no que meus olhos registravam. Em torno da estátua do Cel. Francisco Moreira, uma montanha de garrafas de cerveja e destilados adornava uma festa a céu aberto, com dezenas de jovens alcoolizados e visivelmente alterados. Mais para baixo, na chamada “Fonte do Jeffinho”, uma mulher tomava demorado banho, sem se preocupar com as pessoas que passavam pelo local. O cheiro da maconha impregnava toda a extensão em torno do coreto. Molecada usava droga numa boa, indiferente ao olhar de quem transitava por ali. Motoqueiros, muitos motoqueiros, passavam em alta velocidade e faziam graça sem o menor constrangimento. Um deles, desceu empinando e, por pouco, não bateu no carrinho de cachorro-quente. Já os carros, com os auto-falantes virados pra fora do veículo, ligavam aquela música em volume ensurdecedor e desciam a rua, como se estivessem em um desfile de carnaval. Sinais de trânsito e faixas de pedestres, não existiam. Muito menos polícia. Naquela noite, depois de presenciar as mais diversas aberrações e perceber que a Praça Santa Rita virou uma mini cracolândia, eu fui para casa sem ver um único guarda ou policial, nem de passagem.

No outro dia, ao entrar na internet para conferir as novidades, uma triste notícia. Um delinqüente havia pegado uma pedra do calçamento e acertado o rosto da imagem de Santa Rita, disposta em um obelisco em frente à igreja. Deus do céu, aquela estátua estava ali desde a primeira metade do século XX! Teria sido coincidência alguém ter destruído o nariz da Santa bem naquele final de semana, ou estamos vivendo o período mais crítico de nossa história?

Ao analisarmos as notícias, talvez aquele gesto tenha algum significado. A cidade parece tomada pela criminalidade. Prova disso é que, há algumas semanas, o supermercado Alvorada foi assaltado pela primeira vez. Todos os dias, ouvimos dizer que roubaram uma padaria, uma farmácia, uma loja ou um posto de gasolina. Até onde vai isso?

Santa Rita vive um período crítico de violência e falta de fiscalização. Carros estacionam na transversal; ambulantes obrigam os pedestres a irem para a rua; carros e motos passam por dentro do posto de gasolina para fugir do sinal; motos trafegam em altíssima velocidade; moleques vendem drogas na praça, em plena luz do dia e ninguém faz nada. Será que as autoridades e a população continuarão impassíveis diante dessas loucuras ou promoveremos algum tipo de movimento?

Gostaria de saber das autoridades qual será o problema. É falta de contingente? É falta de fiscalização? É falta de empenho mesmo? É falta de apoio do poder público? Perguntas precisam ser respondidas, o quanto antes.

Para terminar, devo dizer que sinto muito pela triste situação enfrentada pela Polícia, obrigada a lidar, diariamente, com pessoas atrasadas, que destroem o patrimônio público, espalham lixo pelas ruas, não respeitam o trânsito, destratam seus professores e não tem o mínimo de amor pelo que NÃO ajudaram a construir. Em contrapartida, é preciso dizer que para curar as enfermidades, como a doença social que se alastra por Santa Rita, é necessário um remédio amargo. É preciso que a Polícia torne-se mais efetiva e menos tolerante. É preciso haver maior prevenção e menos constatação do crime ocorrido. É necessário haver programas de educação coletiva. É preciso correr atrás do prejuízo.

Ainda há tempo de mudar esta realidade. A malha social está corrompida, mas os delinquentes são minoria. É preciso que a comunidade santa-ritense se una, o mais rápido possível, antes que seja tarde. É imprescindível que nossos deputados, prefeito e vereadores se empenhem em colaborar para que nosso efetivo policial aumente e promovam discussões sobre o tema, porque nós necessitamos do amparo deles e eles vão precisar dos nossos votos, em breve. Chegou o momento da sociedade se unir em prol do resgate de nossos valores. Do jeito que está, não vai.