terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ele estava em Nova York durante o ataque às torres gêmeas e hoje vive em Santa Rita

Pedro Dias Neto trabalhou como lavador de pratos, taxista e caminhoneiro nos EUA e hoje vive em Santa Rita, onde produz uma marca especial de café. 
Conheça, agora, um pouco de suas aventuras.
Como foi a sua ida para os Estados Unidos?

Fui para os Estados Unidos em 93, com 23 anos, para aperfeiçoar o meu inglês e ganhar a vida. O meu primeiro trabalho foi em um restaurante, onde comecei como lavador de pratos e ocupei diversas funções. Através da ajuda de um amigo, fui contratado por uma empresa de transporte e percebi que poderia ser uma boa oportunidade. Quando me tornei motorista, nosso serviço era mais voltado a brasileiros. De vez em quando, também fazíamos corridas para estrangeiros, dentre eles, o presidente da Argentina. 

Você trabalhou para o Presidente da Argentina?

Sim. A empresa em que eu trabalhava tinha um serviço de limousines e, em setembro, acontecia a Assembleia Geral da ONU. Nesse período, eu atuava como segurança e como motorista na comitiva da presidência Argentina. 
E atendiam à comitiva brasileira também?

Não gostávamos porque o presidente, na época, era o Lula e ele não pagava a conta. Enquanto os Argentinos terminavam os compromissos, quitavam tudo, davam gorjeta e embarcavam no Tango I, com os brasileiros era a maior burocracia. Para receber uma temporada de serviço levava de quatro a seis meses e não era um bom negócio.

E a experiência como caminhoneiro?

Eu passei quase 6 anos trabalhando para a maior transportadora dos Estados Unidos. Dirigia aqueles caminhões de 18 rodas, com carretas de 53 pés. Nesse período viajava não só pelo país inteiro, como também para o México e para o Canadá. Posso dizer que, por conta dessa experiência, conheço os Estados Unidos muito melhor do que o Brasil. Eu ficava quicando atrás das cargas e dormia em um caminhão. 

Eu voltava à companhia a cada 40 dias, colocava um estudante que queria conhecer o país a bordo e caía na estrada de novo. Meu caminhão era bem completo. Tinha beliche, microondas e televisão.

Soube que participou de uma competição de caminhoneiros

Participei de uma competição na cidade de Dallas e fiquei em segundo lugar. Com apenas 2 anos de experiência, venci motoristas com 25 anos de profissão. As provas não eram de velocidade, mas de habilidade e manobras.
Você estava em Manhattan durante o ataque às torres gêmeas?

Na ocasião, eu trabalhava como caseiro e como motorista particular de um produtor musical. Ele tinha umas cantoras em Manhattan e, neste dia, eu teria que fazer uma corrida com elas. Deveria pegá-las no hotel pela manhã, levá-las para a gravadora e passar o dia ciceroneando as moças. 

No primeiro ataque, eu estava em um lava-rápido e, ao passar pelo caixa, vi as cenas pela televisão, sem entender o que acontecia. Como estava atrasado, não dei muita atenção e saí pelo Queens,  em direção a Manhattan. Ao atravessar a ponte, em direção à ilha, recebi uma ligação de um primo, do Brasil, perguntando se eu estava bem. Só então eu liguei os fatos. Foi o tempo de desligar o telefone e chegar ao outro lado para perceber que já estavam fechando a ilha e começando a evacuá-la. 

Pra continuar em Manhattan, só quem morasse da Rua 14 pra cima. As outras pessoas tinham que abandonar suas casas e deixar a ilha.  Após cortar um bloqueio, eu me dirigia ao Hotel Muse, quando houve o segundo ataque. Ao me encontrar com as cantoras, disseram que não sairiam de lá até entenderem o que estava acontecendo e eu decidi ir embora.

Como deixou a ilha?

A única maneira de sair era pelo Norte. Estava uma correria geral. Lembro que as pessoas andavam pelas ruas como se fossem zumbis, sem a menor expressão. Não havia metrôs, ônibus ou táxis. Era preciso caminhar cerca de 12Km em direção à saída. Como trabalhei muito tempo em táxi, conhecia bem as saídas e dei a volta para retornar ao Queens. No caminho, ouvi no rádio as recomendações para ajudar quem estivesse tentando sair de lá e levei algumas pessoas. De onde estava, podia ver a fumaça e um cheiro muito forte de concreto queimado que ficou no ar por mais de um mês. Era um odor de churrasqueira mal apagada e uma poeira que causou grande mal aos bombeiros que trabalharam naquele dia. Daquelas pessoas que estiveram perto dos escombros, poucos sobreviveram por conta do amianto, muito usado nas construções das décadas de 60 e 70. 

Como foi sua vinda para Santa Rita?

Quando o meu pai, Joel Roberto Dias, se aposentou como bancário, veio para Santa Rita lidar com café e trabalhou na área até desenvolver um Alzheimer. Ele trabalhou enquanto conseguiu através da ajuda da minha mãe, mas chegou um momento em que precisei vir dar um suporte. Ao chegar à cidade, senti um impacto muito grande e achei as pessoas com quem trabalhava difíceis de lidar. Como a minha mãe precisava cuidar do meu pai, não ia muito à fazenda e o cafezal sofreu muito, a estrutura ficou bem comprometida e tive que ajudar a pôr as coisas no lugar. 

O que aconteceu depois?

A minha meta sempre foi melhorar a produtividade, aprimorar o café e lançar uma marca própria.Para aproveitar essa onda de Food Truck´s, nós lançamos uma Coffee Bike e montamos uma cafeteria 100% funcional, em cima de uma bicicleta, para levarmos a eventos pela região. No ano passado, conseguimos exportar 10% da safra e, nesse ano, serão 70%. Os outros 30% nós pretendemos vender através da bicicleta. 

Qual é o nome do café?

Chama-se “Grandpa Joe´s Coffee” que, traduzindo, é “O café do vovô Joel”. Existe uma lenda em torno desse nome. Na história americana, “A cup of Joe” é um copo de café. A expressão surgiu porque, na II guerra, os G.I. Joes recebiam café antes de serem enviados às trincheiras. O nome tornou-se uma relação com a expressão e uma homenagem ao meu pai.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Zeca fala sobre suas conquistas no esporte, na escola e na vida

Em dois momentos: Com Nilton Santos e atualmente.
Estudos ou futebol?

A minha vida sempre foi jogar bola e estudar. Todos os dias eu treinava das duas às seis horas da tarde e estudava à noite, após o jantar. Eu fazia aquilo porque gostava de aprender e não para ir bem nas provas. Ainda guardo boletins em que recebi nota máxima em matemática todos os meses do ano porque tinha curiosidade em saber como as coisas funcionavam. Dos 16 anos em diante, comecei a jogar nos times adultos da cidade e já recebia o suficiente para custear as minhas despesas pessoais. 

O senhor lucrava com o esporte?

Posso dizer que, do científico pra frente, meu pai já não precisava me dar nem roupa. Eu já tirava o meu próprio sustento. Na época, havia um grupo de jogadores que se destacaram entre os esportistas locais e recebiam pelas atuações. Nesse grupo, estávamos eu, o goleiro Luiz Carlos, o Wagner, o Marcos Peão,  o Cacá e outros jogadores. 

Como foi o início de carreira esportiva?

Eu comecei no Vasco, do senhor Dito Gabiru (da Rua do Queima). Foi lá que ele revelou vários jogadores como eu e o charuto, ambos zagueiros. Em 64, nós fomos campeões. Eu estava com 16 anos, na época. No ano seguinte, eu fui para o Industrial que era um time que tinha mais dinheiro do que os outros e reunia as maiores estrelas da cidade.
Zeca integra o Industrial: time mais temido de Santa Rita do Sapucaí.
O esporte era muito valorizado em Santa Rita?

Naquela época, a cidade tinha por volta de 15 mil habitantes e conseguia colocar 7 mil pessoas dentro do estádio. Metade da cidade vibrava com o futebol. Éramos vistos pelos moradores de Santa Rita como verdadeiras celebridades. Semanalmente, os jornais comentavam o nosso desempenho e até a nossa vida particular. Tinha programas na rádio Difusora a semana inteira para debater o desempenho dos times, como vemos hoje com o grandes clubes, pela televisão. 

Quais eram os melhores times?

O time com maiores estrelas locais era o Industrial. O Minas Gerais tinha o mesmo nível, mas buscava esportistas em Itajubá e Jacutinga. A rivalidade entre esses dois times era muito grande. Ninguém queria perder pra ninguém. Em jogos do Minas com o Industrial, o campo lotava.

Como foi sua ida para o Pouso Alegre FC?

Quando Santa Rita começou a ganhar destaque por conta do movimento em torno do futebol, chamou a atenção dos clubes da região, como o Pouso Alegre, que acabava de ser fundado.  Nessa é-poca,  eu,  o Luiz Carlos, o Charuto e o Wagner, além de uns 10 jogadores de Itajubá fomos contratados, mas poucos permaneceriam no time. Dos esportistas de Pouso Alegre, por exemplo, todos foram cortados. De Itajubá, ficaram o Marcos Zamba e o Teco, que era reserva. Daqui, ficamos só eu e o Luiz Carlos.

Quem integrou o Pouso Alegre nesse período?

O Pouso Alegre contratou grandes estrelas. Vieram o Wilson e o Pitico do Santos, o Aleluia do Paulista de Jundiaí, o Danilo do Atlético Mineiro, o Murilo do Democrata de Sete Lagoas, o Gato da Ferroviária de Araraquara e muitos outros. Somente três jogadores da região permaneceriam como titulares. Naquela temporada, o Pouso Alegre seria o campeão da primeira divisão de profissionais. 

Os times eram fortes na região?

A região sempre teve bons times, como o ADJ de Jacutinga, praticamente imbatível, formado por quase todo o elenco vindo de clubes de São Paulo. Naquele time tinha o Vilela e o Tiãozinho da Portuguesa, o Tatau do Botafogo de Ribeirão Preto, o Adib (meio de campo do São Paulo), o Aleluia, o Joãozinho do América Mineiro e muitos outros de fora. Nessa época, o futebol começou a tomar uma proporção tão grande que se tornou a grande sensação na região.
Ainda criança, recebe prêmio de melhor aluno de sua turma das mãos do governador Magalhães Pinto.
E quando jogavam contra times de Santa Rita?

Uma vez, jogamos uma partida beneficente por aqui. Na ocasião, Santa Rita montou um selecionado entre os jogadores daqui, de Itajubá e ainda trouxe o Nilton Santos para completar o time. Nesse dia,  foi uma brigaiada danada, porque ninguém queria perder. Eu e o Luiz Carlos tínhamos que tomar um cuidado muito grande porque qualquer coisa que a gente falasse poderiam levar para o lado pessoal.  

E a partida contra o Santos?

O Santos era o maior time do mundo, no momento, e nós não demos tanta importância, a princípio, porque disseram que não viria o time titular. Quando chegou a hora do jogo, nós percebemos que a escalação não era bem o que esperávamos e ficamos bem apreensivos. Apesar de não ter vindo o Pelé e o Edu, vieram o Pepe, o recém contratado Silva, que havia passado pelo Boca Juniors e aquela turma de campeões do mundo. Quando vimos aquele pessoal todo, quase trememos, mas fomos pro jogo. 

Naquela época, parecia que tudo estava a favor da gente. Era um dia chuvoso e já estávamos ganhando de dois a zero do Santos, quando eu atrasei uma bola para o Luiz Carlos. Ela parou numa poça d’água e o Silva entrou e marcou o gol. Em seguida, marcaram um pênalti contra nós e quem marcou foi o Pepe. Mas foi um jogão! O Luiz Carlos jogou uma enormidade nessa partida. Ele pegou bolas de costas, defendeu outra em cima da linha e fez de tudo que podia para vencermos a partida. Aquilo chamou a atenção do time adversário. 
Nos tempos do poderoso Pouso Alegre Futebol Clube.
Foi nessa partida que ele foi convidado para jogar no Santos?

Quando terminou o jogo, o Zito, que era o Diretor de Esportes do Santos, foi ao nosso vestiário e o convidou para jogar no time. O Luiz Carlos ficou entusiasmado, mas era muito tímido. Embora tivesse vontade de jogar, tinha vergonha. Como eu sabia que ele não estudava, procurava incentivá-lo a seguir carreira e cheguei a levá-lo ao Atlético Mineiro mas, quando ele viu o treinador gritar com os jogadores, ficou assustado e veio embora.

Você também recebia muitos convites?

Nessa época eu recebi um convite do Corinthians e até chegaram a comprar meu passe do Pouso Alegre. Nós estávamos voltando de um jogo de Varginha, quando um carro alcançou a gente na estrada e era um diretor do Corinthians me convidando para integrar o time. Eu fiz corpo mole na ocasião e não me interessei muito porque o meu objetivo era o futebol, mas também era estudar Engenharia. Ele dizia: “Nós já procuramos um beque central em São Paulo, no interior de Minas e do Rio. Você  foi o jogador mais recomendado de todos eles por conta da idade (19 anos). Você vai jogar com o Rivelino, terá chance de ser convocado para a seleção e terá várias oportunidades!” Na ocasião, eu estava com o meu pai, o Fio e o João Costa. Acabei recusando por causa da escola. Aconteceu o mesmo quando fui convidado para jogar no Cruzeiro. Novamente, recusei por estar fazendo engenharia. O que eu queria era terminar o curso, guardar o diploma e depois jogar bola.

Seus planos deram certo?

O destino não quis que eu me tornasse um jogador. Alguns dias antes  da formatura, recebi uma carta que dizia que havia sido o primeiro colocado da minha turma e que deveria comparecer na Ericsson, em São Paulo, onde seria agraciado com uma viagem à Suécia. Eu viajei para Estocolmo como aluno bolsista e, quando retornei, a oportunidade já havia passado. 
Ao dirigir a Telecaldas, com Aécio Neves.
O senhor ficou surpreso quando soube que havia sido o melhor aluno de sua turma no Inatel?

Eu não me surpreendi porque, durante os anos em que permaneci lá, estive sempre na ponta. Algo que me deixa ainda mais envaidecido é que sou da turma dos Professores Navantino e Mário Augusto. Há algumas semanas, ao receber esta medalha comemorativa, eles ainda brincaram comigo, dizendo que eu havia tomado o diploma deles. E eu respondi: quem forma em primeiro lugar de uma turma que tem vocês dois, não deve ser qualquer um!

Como foi sua vida profissional?

Permaneci pouco tempo na Ericsson e fui para a CTB. Em seguida, eu vim para Minas e fui encarregado de implantar todo o DDD (Discagem Direta à Distância) aqui na região sul. Nesse período, nós realizamos este trabalho em 156 municípios. Eu me destaquei muito na época e me tornei o superintendente regional, com sede em Varginha. Além deste trabalho, acumulei várias funções, inclusive em uma empresa particular em que a Telemig era uma das controladoras. Um fato interessante dos tempos em que chefiei a Telemig e a Telecaldas foi que trabalhei com Alberto Pinto Coelho, governador de Minas, até o ano passado.

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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Presidente do Sindvel será homenageado pela ALMG

Cerimônia da Ordem do Mérito Legislativo acontece dia 28, às 20h, no plenário da Assembleia e vai agraciar personalidades que se destacaram 
pelo trabalho junto à sociedade
O presidente do Sindvel (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica), Roberto Souza Pinto, será agraciado com a Ordem do Mérito Legislativo em cerimônia que acontece no dia 28 de setembro, às 20h, no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O evento vai homenagear entidades e personalidades que se destacaram pelos serviços prestados para a sociedade e terá como orador oficial o governador Fernando Pimentel. Esse é o maior evento solene realizado anualmente pelo Parlamento estadual e foi criado através da Resolução 2.778/82.

Além do orador oficial, a cerimônia também contará com o pronunciamento do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que juntamente com a mesa da Casa, escolheu os agraciados. Para Roberto Souza Pinto a homenagem é muito especial e representa o reconhecimento do trabalho que o Sindvel realiza para o setor eletroeletrônico. “Fiquei muito feliz por ser um dos escolhidos para receber a Ordem do Mérito Legislativo, é o resultado do trabalho de toda a equipe Sindvel, que atua incansavelmente para garantir o crescimento do Vale da Eletrônica”, afirma.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Exposição em Minas Gerais expõe invenções que só existem na ficção científica

Faltando menos de duas semanas para a Projete (a Feira de Projetos Futuristas da ETE FMC), a movimentação é grande para colocar os 160 protótipos desenvolvidos pelos alunos em funcionamento, até a abertura da exposição. A criatividade continua em alta e é possível perceber uma grande preocupação em oferecer soluções que promovam o bem-estar. 
Alunos desenvolveram um equipamento capaz de fazer com que portadores da Síndrome de Down aprendam a caminhar com maior facilidade.
Um projeto inédito e muito interessante é uma pista interativa voltada à fisioterapia infantil para portadores da Síndrome de Down. Como o processo de realização da “marcha” é mais delicado em crianças com este tipo de necessidade, um dos grupos desenvolveu um projeto sem similares no mercado que torna os exercícios mais divertidos, monitora o desempenho através de sensores e processa as informações por um software desenvolvido pelos próprios alunos. O objetivo é colocar a solução em testes na APAE de Santa Rita do Sapucaí (MG) para, posteriormente, realizar ajustes e inserir o produto no mercado.
Inspirados pelo filme Elysium, alunos devem apresentar uma versão de
exoesqueleto para remoção de escombros.
 
Inspirados por filmes e games, outro grupo tem realizado experimentações de um projeto que só possui similares na ficção científica. Impulsionado por um sistema de compressores, o “exoesqueleto para bombeiros” aumenta a força empregada na remoção de escombros e já tem seu primeiro protótipo em fase de testes. Segundo os integrantes do grupo, a ideia surgiu após assistirem ao filme Elysium que utilizava um modelo semelhante, no ano de 2159. Além de proporcionar um aumento de força, o equipamento tem a capacidade monitorar a massa e sinalizar excessos que poderiam comprometer o equipamento.
Portadores de deficiência visual terão suporte de um sensor de
aproximação para obstáculos suspensos.
Também inédita no mercado, outra invenção deve facilitar muito a vida dos portadores de deficiência visual, através de uma luva que vibra, caso o usuário encontre-se diante de algum obstáculo, acima da cintura. O objetivo é potencializar os benefícios da tradicional bengala e atende a uma necessidade antiga: monitorar ameaças suspensas a uma distância de até quatro metros.
Alunos devem apresentar um sistema que controla o fluxo de medicamento em um hospital através do celular. Tecnologia vem substituir equipamento de alto custo.
Para oferecer ao mercado uma solução mais acessível ao sistema de monitoramento fármaco hospital, um dos projetos criou uma versão do equipamento que só possui similar no país no Hospital Albert Einstein. O protótipo monitora validade, controle de lotes, horário de medicação, além de muitas outras funcionalidades. A sacada foi substituir um equipamento complexo que realiza o trabalho por um software que pode ser instalado em um computador comum e um aplicativo para celular. Ao aplicarem a tecnologia de QR Code, a invenção sinaliza o caminho percorrido pelo medicamento, do almoxarife ao paciente com grande eficiência.

A Projete:


Em sua XXXV edição, a Projete acontece dos dias 7 a 9 de outubro, das 18 às 22 horas, no campus da Escola Técnica de Eletrônica “Francisco Moreira da Costa” (ETE FMC). Sétima escola do mundo no segmento de eletrônica, a ETE FMC é conhecida internacionalmente como uma mais importantes instituições de ensino do país e integra a Rede Jesuíta de Educação, com colégios espalhados pelo mundo inteiro e quase 500 anos de tradição.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O cosmopolita Inatel (Por Salatiel Correia)

Aeroporto de Barajas, em Madri, capital da Espanha. Um homem moreno e calvo aproximou-se de mim e disse, em português: “Conheço o senhor de algum lugar?”. A fisionomia dele me era realmente familiar. “Tenho certeza de que nos conhecemos, sim!” respondi. “– Sou de São Paulo. Trabalho na Vivo de lá”, respondeu-me ele. Benedito!
Alguns anos depois, a mesma cena se repetiu em outro recanto do planeta. Desta vez, eu estava na loja da Apple, em São Francisco, na Califórnia. Novamente, alguém de mim se aproximou. Era um senhor loiro de mais ou menos um metro e oitenta: “De onde nos conhecemos?”.  Indagou-me ele. Creio que lá das Minas Gerais, brinquei trazendo na memória uma longínqua lembrança do passado. São Benedito!

Mais uma cena ocorrida há uns cinco anos: nesta, a situação foi diferente. Novamente encontrei alguém de fisionomia familiar. Nossos olhares cruzaram. Ele, eu conhecia. Ele também me conhecia. Tinha a lembrança de seu nome e sobrenome. Era um amigo de longa data. Após anos que não nos víamos vieram os cumprimentos amistosos de dois amigos que sempre se gostaram. Ele, trabalhando na Siemens, em Brasília, tinha vindo a trabalho à minha cidade de berço e residência, Goiânia. Era Edson Curto, colega de faculdade. Glorioso São Benedito!

Glorioso, glorioso São Benedito. Era assim que a música da igreja me acordava na manhã que tinha missa. Morava eu atrás da igreja nos meus tempos de estudante em Santa Rita do Sapucaí. Trinta e quatro anos já se passaram, mas as lembranças continuam bem vivas dentro da  minha alma. Encontrei esses três companheiros, em diferentes partes do mundo. Algo nos unia em um tempo que marcou nossas vidas.

Faz bem a gente recordar situações como essas no cinquentenário da escola que nos educou para a vida, o Instituto Nacional das Telecomunicações. Todos somos filhos de um mesmo sonho, germinado pelo professor José Nogueira Leite.

O cinquentão Inatel que conheci ainda adolescente se globalizou com qualidade. No próximo dia 6 de setembro, inúmeros filhos oriundos dessa instituição têm um encontro marcado no alto da Avenida João de Camargo, nº 510.

Um misto de emoção, orgulho e saudades brotará do coração de todos aqueles que um dia passaram pelo Inatel, que tanta contribuição deu e continua dando ao país, para que o Brasil possa, cada vez, mais se integrar pelas telecomunicações nessa sociedade globalizada em re-de. Parabéns, Inatel! Que os sinos da igreja São Benedito dobrem por ti no ano do teu cinquentenário.

(Salatiel Correia é Engenheiro, Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Planejamento Energético. É autor, entre outras obras, do livro de “Cheiro de Biblioteca. Obras e personalidades que fazem nossa época.)”

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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Coretos filhos de um mesmo pai...

No dia 30 de agosto, o santa-ritense Gustavo Kallás postou uma imagem intrigante em um grupo do Facebook. À primeira vista, parecia que alguém havia realizado uma obra que eliminava a antiga escada de nosso coreto para dar lugar a uma outra; mas não! Tratava-se de um coreto igualzinho ao nosso, construído na cidade de Mogi-Mirim. 
Se avaliarmos friamente os dois coretos, veremos que o nosso é muito mais bacana. Na certa, algum conterrâneo deve ter visto aquela escada torta e sentido falta de dois bons escorregadores! O fato é que a semelhança é inquestionável e podemos dizer, sem medo de errar, que são filhos do mesmo pai!

Veja o comentário do internauta Gustavo Kallás sobre sua descoberta: “Estive hoje em Mogi Mirim- SP, visitando minha tia e decidi compartilhar com vocês esta foto do coreto da praça da matriz de lá. Ele foi feito com a mesma planta que deu origem ao coreto de Santa Rita. Apenas a escada é diferente.”

Mesmo com todas as semelhanças, somente esta tradicional construção pode se dar ao luxo de ganhar enfeites luminosos no natal ou mudar de cor 75 vezes por ano. É que lá não há um artista capaz de misturar azul, vermelho, branco e cor de “abróbra” numa mesma peça ou pintar uma santa com monocelha. É ou não é um diferencial a ser considerado?

Sobre os comentários gerados em torno desse fato inusitado, internautas postaram opiniões:

Juliana Maciel: “Caramba.... eu nasci em Santa Rita, morei em Mogi-Mirim por 17 anos, voltei para cá, sempre frequentei os dois coretos e nunca reparei que são extremamente parecidos!”

Ademilson Ribeiro: “Eu ja toquei com a banda de Mogi-Mirin neste Coretinho!”

Depois de muitas hipóteses levantadas em torno do formato original do nosso coreto, chegamos à conclusão de que ele sempre foi assim e que, quando teve uma escada curva, era em uma construção anterior a essa, como vemos em uma fotografia abaixo.

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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Bentinho, Getúlio e a Censura (Por Caio Vono)

Na era getuliana (1930-1945), nos moldes fascistas, a censura política era conhecidamente rigorosa. Nessa época, a bossa humorístico-musical  consistia nas então recentemente inventadas duplas caipiras, sendo a de Alvarenga e Ranchinho uma das que faziam maior sucesso,  em razão de suas irônicas composições sobre os políticos de sua época.  
Em 1937, a dupla Alvarenga (Murilo Alvarenga – nascido em Itaúna-MG/1912) e Ranchinho (Diésis dos Anjos Gaia – nascido em Jacareí-SP/1913) passou a fazer parte do elenco do Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, até o seu fechamento, em 1946. Foi lá que a dupla começou a fazer sátiras políticas, que se tornaram um de seus pontos fortes e, em 1938, lançou a marcha Seu Condutor (em parceria com Herivelto Martins, marido da cantora Dalva de Oliveira), ironizando Getúlio Vargas, a qual constituiu o maior sucesso carnavalesco da dupla. Diga-se de passagem que “condutor” era a tradução de Duce (título usado por Mussolini) e Führer (título u-sado por Hitler), sendo uma irônica comparação com o condutor dos “bondes”, veículo urbano de transporte coletivo, na época.   Nesse mesmo ano, Ranchinho afastou-se pela primeira vez do seu companheiro de dupla (simplesmente desapareceu) e Alvarenga, então, convidou Bentinho (José Antonio Vono Filho - nascido em Santa Rita do Sapucaí-MG/1914), para formar nova dupla, gravando com ele, pela Odeon, um disco contendo músicas de sua composição.

Da amizade surgida com o novo parceiro de dupla, Alvarenga convida Bentinho para ser padrinho de batismo de seu filho Delamare Alvarenga, hoje um dos mais conceituados maestros da Alemanha, regente  da Orquestra Sinfônica da Ópera de Colônia.

Bentinho havia saído de Santa Rita do Sapucaí para ir estudar engenharia química no Rio de Janeiro. Primeiramente, ali se hospedara na casa do cantor Nelson Gonçalves, amigo de seu irmão mais velho, Vicente Vono, que também era humorista na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, interpretando o personagem Compadre Belarmino, o primeiro humorista caipira do rádio brasileiro. Posteriormente, Bentinho mudou-se para a pensão do Seu Batista, pai das cantoras Dircinha e Linda Batista, onde residiu até se formar, e dali para a Rádio Nacional foi um passo.

Ao lado de Dircinha e Linda Batista, Emilinha Borba, Grande Otelo, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Aurora e Carmem Miranda, Bentinho figurou, em 1938, no filme Banana da Terra. Nesse filme, Carmem Miranda apresentou-se pela primeira vez vestida de baiana, o que a imortalizaria, para interpretar com o Bando da Lua “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymmi, que foi lançada em disco, algum tempo depois, com o próprio Caymmi, em dueto com Carmem.

Até então, a dupla Alvarenga e Bentinho vinha tendo muitos problemas com a censura oficial, por suas músicas sátiras políticas mas, em 1939, a questão foi resolvida de um modo curioso: Alzira Vargas, filha do Presidente Getúlio Vargas - que posteriormente viria a se casar com o Almirante Ernani do Amaral Peixoto, futuro governador do Estado do Rio de Janeiro - convidou a dupla para tocar no Palácio das Laranjeiras, numa reunião comemorativa do aniversário do seu pai, em 19 de abril daquele ano. Getúlio, depois de ouvir todas as músicas, inclusive algumas que se referiam a ele, convencido de que eram apenas alusões inocentes, deu ordem para que as composições da dupla fossem liberadas em todo o território nacional. A partir daí, a presença de Alvarenga e Bentinho em Poços de Caldas, durante as estadas de Getúlio – nas quais ele aproveitava para fazer tratamento de ouvido com água sulfurosa num consultório médico que havia no porão das Thermas Antonio Carlos – tornara-se uma constante.
Após esse episódio do Palácio das Laranjeiras, com o reaparecimento de Ranchinho no final de 1939,  Bentinho forma dupla com Xerém (Pedro de Alcântara Filho, nascido em Baturité-CE, em 1911), conservando-se no mesmo gênero caipira - nos áureos tempos da Rádio Piratininga, de São Paulo - e fazendo apresentações pelo Brasil.

Uma coisa, porém, chama a atenção: qual seria a razão pela qual Alzira Vargas teria tanto interesse nos destinos da dupla Alvarenga e Bentinho, com relação a seus problemas com a temível censura getuliana ?

Anteriormente, numa viagem de Getúlio, acompanhado pela filha Alzira, a São Lourenço, estância hidromineral do sul de Minas, o  Compadre Belarmino (Vicente Vono (Santa Rita do Sapucaí- 08.06.1906/19.06.1980), irmão de Bentinho, primeiro humorista caipira do rádio brasileiro, iniciado na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, a convite de Israel Pinheiro, então Secretário da Agricultura de Minas Gerais), apresentara-se para a família do presidente e sua comitiva. Vicente, médico cardiologista e bom cantor de tangos, com sua vistosa estampa e acentuado carisma, granjeou a simpatia de Alzira. Em seguida, veio a ele o convite para integrar a comitiva de Getúlio Vargas (que incluía Alzira), que iria à Argentina em visita oficial ao Presidente Augustin Pedro Justo, daquele país (mandato de 1932/1938). A viagem de Getúlio à Argentina durou de 22 a 30 de maio de 1935, sendo que o governo argentino enviou o navio Almirante Laceguay para conduzir a comitiva presidencial brasileira.  A intervenção de Alzira, motivada por sua admiração a Vicente, salvara o futuro da dupla.

Bentinho, além do Rádio, também atuou na televisão, no programa Som Brasil, da Rede Globo, juntamente com Rolando Boldrin e depois com Lima Duarte. Foi casado com Ruth Salgado Vono, a conhecida  tapeceira Ruth, natural de Cássia-MG, cujos trabalhos, muito apreciados no Brasil e no exterior, decoram, entre outros, a Granja do Torto e o Hotel Aracoara, em Brasília, bem como o Hotel Sheraton, no Rio.

A dupla Xerém e Bentinho, com seus inúmeros sucessos, inclusive carnavalescos, durou até 1960, quando Bentinho mudou-se para Belo Horizonte, onde passou a apresentar o Programa Bentinho no Sertão, na Rádio Inconfidência, até sua aposentadoria. Vicente e José Antonio Vono Fº tinham três irmãs residentes em Santa Rita do Sapucaí: Carmélia, Mariinha e Tereza.

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Carga de eletrônicos com destino a Santa Rita do Sapucaí é roubada em Cubatão

Uma carga de aparelhos de som automotivos avaliada em R$ 1.171.029,62 foi roubada por três homens na Via Anchieta, em Cubatão.
Os aparelhos eletrônicos foram embarcados no armazém da Marimex, em Santos, e eram levados ao município de Santa Rita do Sapucaí (MG), quando houve o assalto.
Segundo o caminhoneiro que realizava o frete, ele precisou parar na altura da Cota 400, no trecho de Serra da Anchieta, porque o trânsito travou devido a um acidente.
Eram cerca de 3 horas e dois homens, portando uma arma de fogo, aproveitaram o congestionamento para render o caminhoneiro e exigir que ele ficasse deitado com a cabeça coberta na parte de trás da cabine.
A impressão inicial foi a de que a investida criminosa ocorreu de modo casual, em decorrência do congestionamento. Porém, a ação pareceu depois ser muito bem planejada, inclusive com conhecimento prévio da valiosa carga transportada.
Após cerca de meia hora, o tráfego foi liberado e um dos ladrões conduziu o caminhão por pouco tempo, até pará-lo no acostamento da própria Anchieta para o ingresso de um terceiro assaltante.
Este marginal portava bateria veicular e fios, que foram utilizados para burlar o sistema de rastreamento do caminhão. Consumada essa etapa, o trio seguiu até um local que a vítima desconhece, onde abriu o contêiner com o uso de maçarico e descarregou toda a carga.
Posteriormente, os criminosos abandonaram a vítima com o caminhão vazio na Avenida Bandeirantes, próximo a uma distribuidora de refrigerantes, em Santos.
Depois de permanecer algum tempo no veículo, conforme exigiram os ladrões, o motorista percebeu que eles já haviam ido embora e também saiu do local. O roubo é apurada na Delegacia de Investigações Gerais (DIG).´
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sábado, 12 de setembro de 2015

“Cidade Criativa, Cidade Feliz” e a nova revolução santa-ritense

Noite de 30 de agosto, Teatro Inatel, casa cheia. Para a comunidade santa-ritense, aquele espetáculo teatral não representava apenas mais uma entre dezenas de atividades que aconteceram no decorrer de todo o mês. Era o fim de um ciclo, o desfecho de uma revolução, a vitória final de uma batalha em que todos saíam vencedores. A peça Hair, que reuniu uma banda, um coral, um grupo de dança e uma companhia de teatro, ambos da cidade, foi o clímax de um projeto único: o Cidade Criativa, Cidade Feliz.
Open Music: Festival de Rock Autoral.
A Lira Santa Rita toca Jazz com Chico Ceará e Zé Helder.
Quando o espetáculo teve início, aqueles atores já não eram pessoas com quem convivemos no dia-a-dia. O que víamos eram personagens com uma energia tal, que pareciam possuídos entre luzes, sons e aromas. Como em um passe de mágica, Fernando Galinha Carneiro e seus amigos desapareceram para dar lugar a Berger, Claude e uma barulhenta tribo de hippies (ou happies) americanos, do final dos anos 60.
Musical Hair.
Auto da Compadecida.
Cinema no Pano leva a sétima arte a uma escola rural de Santa Rita do Sapucaí.
Ao final de espetáculo, quando fui puxado pelo braço pelo protagonista e levado à cena sem saber o que iria acontecer, pude ver a emoção da plateia que, petrificada, não cansava de aplaudir os artistas. Do alto do palco e da minha timidez, vi a emoção de Juliano Ganso Souza – baixista do Patronagens – e lembrei as conversas que tivemos nas semanas anteriores, quando ele contava alguns trechos dos ensaios e demonstrava grande emoção em tomar parte de um evento daquela natureza. Aquela, entretanto, não seria a única atividade empreendida pelo músico, naquele mês em que a cidade era incendiada pela cultura. Dias antes, havia ajudado a produzir a terceira edição do Vale Music, o Open Music, um debate filosófico com música ao vivo e grafite e o espetáculo “Desde que o Samba é Samba”, em parceria com o Bloco dos Democráticos.
Patronagens Band apresenta-se no Teatro Inatel.
Prefeito e Vice com suas respectivas esposas.
Saúde também esteve na pauta do Cidade Criativa.
Falando em “Vale Music”, festival de Jazz e Blues que traz, anualmente, alguns dos maiores nomes da música brasileira para espetáculos gratuitos, a edição deste ano me fez questionar porque os santa-ritenses gostam tanto de Jazz. A impressão é que quando instrumentos de sopro se misturam a cordas e à percussão, crianças e adultos entram em estado de graça e sentem grande satisfação ao experimentar aquele estilo pouco comum em nossas paragens. O meu palpite é de que havia uma tradição musical na cidade, desde o início do século XX, em que diversas corporações musicais dividiam o mesmo espaço e que permaneceu latente até ser despertada por eventos como este. 
Grafiteiros transformam um galpão em obra de arte.
Cinema no pano.
Crianças pintam o muro do Campo de Futebol.
Ao contrário do que se pode imaginar, a agitação de agosto não aconteceu apenas nos finais de semana. Os interessados em conhecer novas culturas tiveram acesso a diversas palestras e oficinas, como o Cinema no Pano que aconteceu em uma escola rural e o StartupZ, promovido no Inatel para que adolescentes das escolas da cidade colocassem em prática sua capacidade empreendedora. Aos boêmios e admiradores da boa culinária, havia a opção de experimentar deliciosos pratos e tira-gostos, criados especialmente para o concurso “Petiscos de Boteco” e que deu o que falar. Adjair Ribeiro, proprietário do Dija Gastronomia viu seu estabelecimento multiplicar o número de fregueses ao criar o “Fondue do Tchóra” e soube aproveitar muito bem os bons ventos para promover os seus dotes culinários.
Dija Gastronomia triplicou o número de fregueses durante o "Petiscos de Boteco".
Auto da Compadecida.
Wagner prepara sua deliciosa Paella durante o Festival Sabores do Vale.
A propósito, o prêmio recebido por Dija na Categoria Bar foi a motivação para que o sanfoneiro de Alceu Valença, o Chico Ceará, pedisse aos organizadores de outro Festival, o Santa Roots Jam Session, que o levassem para conhecer o estabelecimento. Com início às 16 horas e com a participação de Coletivo Gastronômico Sabores do Vale, o Santa Roots estreou com a participação de músicos consagrados que se revezavam no palco em busca de sons inusitados. O primeiro artista a se apresentar foi Caio Vono, pianista genial que levou para o palco o curioso som dos salões de velho oeste americano. Em seguida, o palco foi ocupado pelo santa-ritense Ricardo Abrahão (pianista que se apresentou durante a visita do Papa ao Brasil), que trouxe composições de Ernesto Nazaré. Na sequência, os irmãos Nogueira criaram uma surpreendente Jam Musical e permaneceriam no palco durante o show do Ceará. A última apresentação, feita pelo consagrado violeiro Zé Helder, contou com a participação de Ceará e a multidão parecia não acreditar que aquela fusão de sons estava sendo produzida por dois caras que nunca tinham conversado antes. Em uma experiência única, casais dançavam como nos antigos salões de baile, crianças subiam livremente no palco para “tocar” junto com os músicos e uma multidão de santa-ritenses preenchia todos os espaços da praça. O que talvez ninguém esperasse é que a nossa querida Lira Santa Rita também marcasse presença na festa, após receber um convite, no mínimo, inusitado: tocar Jazz! As crianças foram à loucura quando diversos músicos ocuparam a tenda para entoar “When the Saints Go Marching In” e outras canções como My Way, de Frank Sinatra. 
Chico Ceará e Zé Helder promovem Jam incrível durante o Santa Roots. 
Banda Santa-ritense quebra tudo durante o Vale Music Festival.
Se no Santa Roots contamos com uma mescla de músicos locais e com artistas célebres da música brasileira, retornamos à semana anterior para falar sobre outro evento surpreendente: o Open Music. O barato desse Festival é que foi formado, em sua maioria, por músicos da cidade, mas não havia disputa ou premiação. A única premissa era de que as composições fossem próprias, como forma de divulgar os trabalhos de nossos numerosos talentos. O excelente nível das bandas e a qualidade das canções apresentadas naquela segunda-feira foram tais que já se pensa em produzir um disco só de composições locais que serviria como registro e divulgação dos trabalhos expostos ali.
Paulista, Chico Ceará e Zé Helder. Três talentos incríveis no Santa Roots.
Coletivo Gastronômico Sabores do Vale
Vale Music chega à sua terceira edição.
Dos milagres operados pelo “Cidade Criativa” talvez o maior tenha sido a mistura da água e do óleo. Bem, não foi exatamente uma mistura, mas o movimento conseguiu atrair os blocos rivais, Ride Palhaço e Democráticos, em torno da promoção cultural. Enquanto os Democráticos apresentaram um retorno às origens do estilo mais brasileiro de todos, o samba, o Ride produziu um espetáculo teatral sobre o seu tema preferido: a ópera Ride Palhaço. Em ambos os eventos, acontecidos no Teatro Inatel, o público saiu encantado e demonstrou que as duas agremiações não devem restringir seus espetáculos ao mês de fevereiro. Nos eventos ligados à tecnologia e inovação, o Summit do Vale da Eletrônica deu voz aos novos empresários do polo que, com suas startups inovadoras, vêm conquistando o país. A segunda edição do Magical Minds trouxe mentes brilhantes do cenário global para falar de conceitos que vêm transformando o mundo.
Magical Minds leva tendência ao Cidade Criativa.
Circo Sesi atraiu grande público à Praça Santa Rita.
Projeto Philadelphia, dos Irmãos Nogueira: Incrível!
Caminhando pela cidade, é possível perceber que nunca mais seremos os mesmos após essa avalanche artística. Nos muros, do campo ou da Katrin, vemos obras incríveis deixadas por artistas daqui e de outras cidades. Nota-se uma mudança na característica das apresentações musicais agendadas para os meses seguintes nos bares e restaurantes, a culinária ganhou uma atenção especial e novas iniciativas se preparam para surgir. Talvez o maior legado deste movimento seja a percepção da comunidade, entidades, escolas, estabelecimentos, poder público e centenas de voluntários de que as possibilidades são infinitas e de que as pessoas podem contar umas com as outras para transformar a realidade no que a gente quiser. Assim como os pioneiros que tiraram a cidade do pântano, dos empreendedores que lutaram pelo surgimento de nossas escolas de alta tecnologia ou dos batalhadores no processo de industrialização, a partir dos anos 80, todos se sentem parte de um projeto grandioso e estão orgulhosos por integrar um movimento cuja herança é imperecível. A todos aqueles que possibilitaram a realização desta iniciativa única, uma palavra que está na mente de todos aqueles que integram o Cidade Criativa: Gratidão.                 

(Por Carlos Romero Carneiro)

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