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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Tainá na Gringa

“Vir para os Estados Unidos foi uma das decisões mais consistentes que já tive em meus 20 anos de vida. Acredito que essa minha vida de atleta que viaja muito, principalmente sozinha, e que me obrigou a aprender muita coisa na marra, me tornou uma pessoa mais corajosa, pé firme e com mais confiança nos meus planos e sonhos.  A vida pra mim, no Brasil, tendo os sonhos que tenho de crescer dentro do meu esporte , é muito difícil . O Triathlon é um esporte de baixa popularidade entre os brasileiros e, junto com isso, vem a falta de investimento e desenvolvimento , o que dificulta muito a vida de quem planeja crescer dentro desse esporte. Como aqui o esporte em si já é mais incentivado, popular e com mais recursos e investimentos , tudo se torna mais fácil.
Desde que cheguei, tenho vivido dias maravilhosos e de muito aprendizado! É muito diferente viver no meio de um povo que, mesmo sem te conhecer, vai abrir um sorriso e te desejar saudações. É diferente ter quem incentive e não tire sarro como eu estava acostumada. Valorizo a estrutura e toda a acolhida do povo americano que é um povo muito sensato e educado.

Aqui, consigo treinar mais, ter mais foco e tenho conhecido também, lugares espetaculares e amáveis. Um verdadeiro espetáculo estar aqui apesar da diferença de clima que é extremamente quente e da diferença de hora, pois estamos há 2 horas antes do Brasil. Tirando isso, estou me acostumando bem, aprendendo bastante sobre a cultura, o idioma, sofrendo com a comida que é  extremamente picante, mas tomando gosto pela coisa.

Enfim , estão sendo dias maravilhosos, apesar da distância da minha família e amigos, mas sei o quanto irei crescer e acrescentar, não só à minha vida, mas também à de todos. Espero voltar pra minha cidade podendo passar um pouco de tudo que tenho aprendido e podendo sempre encontrar pessoas que, assim como aqui, estão dispostas a fazer um mundo melhor.”

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Maratona de uma triatleta (Tainá Desidério)

Iniciei a grande jornada maluca de uma Triatleta, na quarta à noite, quando peguei o último ônibus  para São Paulo, às 18h30min, onde embarcaria em um avião rumo a Fortaleza, na manhã da quinta feira. A loucura começou quando eu fiquei parte da noite e a madrugada toda no aeroporto de Guarulhos, sentada, caindo de sono, mas morrendo de medo de dormir e perder a hora. Peguei o voo as 6h45min e, antes do almoço, já estava em Fortaleza. 
Como uma boa mineira de Santa Rita do Sapucaí, cheguei a Fortaleza de casaco e “geral” já estava me olhando, poxa! Lá dentro do aeroporto estava frio, até a porta automática se abrir e vir aquele mormaço que parecia uma bola em chamas chegando perto de mim.  

Ao sair de dentro do aeroporto eu já senti o drama de estar no nordeste. Aquele calor parecia consumir todas as minhas energias de uma vez só. 

Descansei bem e fui me preparando para a prova que seria no sábado de manhã, na Praia do Cumbuco. 

Chegado o dia, a hora e o instante , foi dada a largada às 7h15min de sábado, debaixo de um sol de 35 graus, que estava fritando qualquer atleta ali presente . 

Finalizei os 3km de natação super bem colocada e saí para o ciclismo, confiante, quando o clima quente, o mormaço insuportável e minha falta de preparação para aquele tipo de prova, me fizeram quebrar e não ter mais condições de fazer a prova da maneira que eu havia treinado para fazer e esperava conseguir.

A partir do km 15 dos 80 a serem realizados, meu foco deixou de ser o meu tempo a ser melhorado e passou a ser ir, mesmo sem forças,  contra o tempo de corte pra não ser desclassificada . 

Após finalizar os 80km do ciclismo, meu corpo já não tinha mais forças e condições para correr mais 20km, mas eu sabia que, de alguma forma, eu aguentaria. E fui, mesmo com dor, chorando e acabada. Finalizei a prova pouco menos de 1h do tempo de corte com mais de 7h diretas competindo e fui vice-campeã brasileira de Triathlon longa distância, após todo sofrimento que, no fim, não passou de uma barreira derrubada que fez tudo ali valer a pena. Eu estava cercada de pessoas maravilhosas, atletas que vibravam uns com os outros, davam todo o incentivo e acreditavam uns nos outros.  

Horas após a prova, lá estava eu no aeroporto de Fortaleza-CE, pronta pra me despedir do Ceará e seguir rumo a São Paulo, onde iria de carro, até Santos para, no domingo, competir na primeira etapa do Troféu Brasil de Triathlon, prova que está completando 25 anos de muita tradição e, sem sombra de dúvidas, tem a melhor organização quando se fala em provas de Triathlon no Brasil. 

A prova em Santos foi tranquila. Cheguei já sabendo que não poderia fazer muita força para não me machucar, visto que meu corpo já estava cansado e sobrecarregado da prova no dia anterior . 

Fiz a prova com tranquilidade e finalizei dentro do esperado, sendo campeã da minha categoria com um tempo razoavelmente bom pra uma atleta cansada. 

Essa foi, sem dúvidas, a maior loucura e a mais gostosa de se fazer! Me desafiei ao máximo e cheguei ao limite do meu corpo e da minha mente.

Esses serão grandes ensinamentos que carregarei comigo para sempre e que não teriam acontecido se não fosse a ajuda de todos que contribuíram com a minha “Vakinha online” que teve super apoio e força da Manu que me ajudou a dar início nela; a NA SPORTS (Núbio Almeida) pelo apoio e confiança de sempre; ao SINDIVAS (Alessandra e Dona Rosângela); ao Carlos Romero que me ajudou a desenvolver o logotipo para as canecas; ao Rei das Canecas pelo apoio; Mattos Calçados; ao Devanil Carvalho meu super amigo; aos meus familiares que sempre me apoiaram; ao Lira; Jucélia e ao pequeno Levi; família linda e carinhosa que me recebeu em sua casa em Fortaleza cuidando de mim como se fossem meus pais, que mudaram a rotina do dia a dia para me acompanhar sem deixar que me faltasse absolutamente nada e a todos que enviaram mensagens, que fizeram suas orações e mandaram energias positivas. Com um trabalho em equipe assim, não tem como dar errado! Muito obrigada a todos pela torcida e pela força e “vamo que vamo” porque o ano está só começando. 

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terça-feira, 17 de março de 2015

Apuros de uma Triatleta (Por Tainá Desidério)

Em todos esses anos de esporte, eu já vivi desde as mais engraçadas situações, até as que me causaram medo. Desta vez , irei contar uma das experiências mais incríveis que já vivi, a qual foi do mais engraçado ao mais sério, em uma só viagem para uma prova . 
Tudo ocorreu na minha ida para João Pessoa-PB, em Agosto de 2014, rumo ao Campeonato Brasileiro de Triathlon Longa Distância no sábado, dia 30 de Agosto de 2014 que, antes mesmo de acontecer, já havia sido conturbada, pois consegui fazer a inscrição após a data de encerramento e após ter enviado um testamento implorando ao presidente da Confederação Brasileira de Triathlon que aceitasse a inscrição fora do prazo. Graças a Deus, ele aceitou. 

Eu peguei o ônibus aqui em Santa Rita do Sapucaí, na manhã da quinta feira (28/08/14), para a cidade de Campinas-SP, pois o check-in do meu voo que saía às 18h, era às 16h30min. O ônibus que peguei parava de 10 em 10 minutos nas cidades que passava, o que já começou a me deixar nervosa com medo de perder o horário e, neste mesmo ritmo, chegamos à cidade de Campinas às 16h. Lá estava eu, em um terminal rodoviário que eu nunca tinha visto na vida, sem saber por onde ir, sozinha com um bicicleta dentro da mala bike, uma mala de mão e uma mochila. Depois de alguns minutos, quase chorando parada lá, chegou um senhor até mim e perguntou se estava precisando de ajuda. Expliquei que precisava de um táxi para me levar ao aeroporto e ele me ajudou e conduziu até o ponto.

O transtorno continuava, pois o único taxista disponível disse que a minha bicicleta que estava desmontada dentro  de uma mala, poderia danificar o banco do seu carro. Após muita conversa, consegui convencê-lo a me levar, já em cima da hora, para realizar o check-in . Percorridos os quase 20 km rumo ao aeroporto de Viracopos, chegamos e vi o preço do táxi. Quase morri do coração, pela segunda vez... um absurdo!

Ao pagar o taxista, coloquei minhas malas em um carrinho e fui procurar o guichê da Gol para realizar o check-in. Fiquei rodando igual louca e, quando resolvi pedir instrução de como chegar para realizar o check-in, descobri que estava do outro lado do aeroporto. Dei uma baita volta e, enfim, cheguei ao guichê já “causando”, pois, a mala bike, que era muito grande, enroscou nos guias da companhia e foi derrubando um por um sem que eu visse. Quando me dei conta, estavam todos caídos e todo mundo olhando pra mim. Levantei um por um e realizei o check-in com sucesso.

Peguei o voo para a cidade de Brasília-DF, pois havia conexão. Chegando em Brasília, fiquei horas e horas sentada esperando o próximo voo para João Pessoa. Chegada a hora do voo, embarquei e lá cheguei na madrugada da sexta-feira, dia 29/08/2014. No aeroporto, deparei com um senhor segurando uma placa com o meu nome, o qual estava incluso no meu pacote de viagem. Esperamos mais 2 ou 3 pessoas e ele nos levou para uma vã turística para nos conduzir aos nossos hotéis . Durante o percurso Aeroporto x Hotel, vi várias placas indicando a praia de Cabo Branco onde se localizava meu hotel e, todas as vezes, o motorista não seguiu o caminho das placas o que me levou pelo 3º quase ataque do coração. Eu cheguei a pensar que estava sendo sequestrada, mas logo avistei a praia e meu hotel . 

Dei entrada no hotel e fui para minha linda e gigante suíte onde me senti a própria rainha da Inglaterra. Só que pobre, descabelada e cansada! Dormi como uma pedra até a manhã de sexta feira!

Ao acordar, fui arrumar minhas coisas e montar a bike, quando sofri o 4º e o 5º quase ataques do coração ao ver que o clip da bike onde se apoia o braço estava quebrado e o pneu estava murcho. A pressão do avião o havia estourado e rasgado a câmara de ar .

Lá estava eu: sozinha em um lugar que eu nunca havia estado, com um pneu na mão procurando uma bicicletaria. Andei horas na beira da praia procurando uma, até achá-la depois de ter percorrido quase 10km debaixo de um sol de quase 40º. Voltei para o hotel, almocei, descansei e, mais tarde, fui ao simpósio. Enfim, estava tudo pronto para uma das provas mais importantes da minha carreira. 

A largada para os 1,9km de natação, 90 km de ciclismo e 21km de corrida, foi às 13h debaixo de um sol “torrante’’, na praia de Cabo Branco .

Depois de muitas dificuldades na prova e muito esforço para me manter dentro do índice para obter a classificação para o Campeonato Mundial de Triathlon Longa Distância que será realizado na Suécia, em junho deste ano, completei a prova em quase 8 horas sem parar e, além de ter obtido a classificação, me sagrei Campeã Brasileira de Tri Longa Distancia 2014. Na bagagem trouxe não só o título, mas também essa experiência que irei carregar pra sempre. 

Oferecimento: Lanchonete do Modesto