quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Santarritense reclama de mal atendimento da Viação Santa Cruz em Rede Social

Sou um usuário da linha de ônibus Itajubá x São Paulo. Uma vez por semana eu viajo pela Viação Santa Cruz. Infelizmente ela é a única que faz esse tansporte em minha cidade. Nessa semana, cheguei à rodoviária às 10:20 do dia 17/01/2012 pra retirar uma passagem pra São Paulo. O horário de saída do ônibus era às 10:30 e tinha ainda 10 minutos para comprar a passagem. No guichê, a atendente estava ao telefone, como sempre, e o ônibus ficou parado no terminal rodoviário de Santa Rita do Sapucaí.  Eu falei pro senhor motorista: "Vou retirar uma passagem. Me aguarde 2 minutos. Isso era 10:24 e a atendente continuava no telefone. Quando olhei pra traz, o motorista, Flávio, tinha ligado o ônibus e já estava saindo. Eu fui até o onibus e falei pra ele me dar mais 1 minuto (10:25), mas ele nem me deu ouvido. Ele saiu com o ônibus e me deixou pra traz. Tive que me deslocar para uma cidade vizinha, Pouso Alegre, para embarcar em um novo horário. Infelizmente só tem esta empresa em minha cidade para viajar de Santa Rita do Sapucaí  para São Paulo, Peço às autoridades que tomem providências e abram novas licitações a empresas que queiram fazer este trajeto, pois sei que, uma pessoa a mais ou a menos, não vai fazer diferença para a Viacão Santa Cruz . Infelizmente é assim: um descaso total.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cenas de um casamento em Santa Rita do Sapucaí




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Nem só de drama se faz uma revolução (Da Obra de Haidee Cabral)

Soldados Paulistas chegam à estação.
Quase um ano havia se passado quando surgiu o boato de que havia “estourado” uma revolução. Os rapazes de Santa Rita, inflamados pelo nacionalismo, colocaram lenços vermelhos no pescoço e saíram marchando pela cidade como voluntários para lutar na revolução. No entanto, os arroubos de valentia desapareceram tão logo souberam que os paulistas estavam em marcha para ocupar as cidades do sul de Minas. Foi um corre-corre das famílias que, temendo o pior,deixaram suas casas às pressas para se alojarem nas fazendas. Os corajosos voluntários sumiram logo. As alunas internas da Escola normal depois me contaram que saíram todas correndo e se refugiaram em uma fazenda. A pressa foi tanta que saíram somente com as roupas do corpo e tinham que lavar suas peças íntimas no “rego”, quer dizer, no córrego, todos os dias.

A cidade ficou praticamente entregue às traças. Somente alguns poucos como meu pai e o Dr. Antenor insistiam em ficar, pois achavam que não havia perigo algum. Os dois se aproveitavam da cidade vazia, perambulando pela praça, fazendo xixi nos jardins e rindo do medo descabido dos conterrâneos. Meu pai era um homem alegre e brincalhão que não perdia o rebolado nas mais difíceis situações. Continuava, normalmente, os seus afazeres.

Um dia, ao caminhar até o centro telefônico, descobriu que o mesmo havia sido ocupado pelos paulistas. Sem a menor cerimônia, perguntou se podia fazer uma ligação para o Rio e, ao ser questionado por um dos soldados sobre onde eles poderiam conseguir alguns víveres, respondeu com presteza e educação, o que quase lhe rendeu cadeia. Papai fora acusado de ajudar o inimigo.

Meu avô Cleto, muito temeroso da Revolução, foi um dos primeiros a sair da cidade levando a família para o seu sítio que ficava no bairro dos balaios. Deixou sob nossa responsabilidade o trato das galinhas de minha avó e de seus passarinhos. Diariamente, fomos até a casa vazia cumprir nossas obrigações, mas um dia, ao colocarmos a chave na fechadura, nos deparamos com um grupinho de soldados paulistas. Eles se aproximaram e perguntaram:

- O que a moça bonita está fazendo aí? Não consegue abrir a porta?

Eu, tremendo de medo, não consegui nem achar a fechadura, mas eles apenas sorriram para nós e se foram. Quando estávamos para sair, olhamos para a greta da janela e vimos outro grupo passando na praça. Com medo, ficamos quietinhos e esperamos que fossem embora para sairmos. Alguns dias depois, ao irmos novamente à casa da vovó, vimos virar a esquina um soldado paulista. Tremíamos como varas verdes mas, ao invés do pior, ele veio foi me oferecer um cravo vermelho. Eu, meninota, nunca tinha ganhado flores antes e achei aquilo uma beleza!

Cheguei em casa com o cravo e contei feliz da vida o acontecido para minha mãe que, apavorada, ouviu minha história. Os amigos que ainda restavam na cidade, estavam a convencer meu pai sobre os perigos que duas crianças corriam ao caminharem sozinhas na cidade sitiada pelo inimigo. A eles, agora, se juntava minha mãe, que não podia nem pensar nos riscos que a filha poderia correr. Fomos, então, levados pelo meu pai para o sítio do meu avô. Meu pai apenas nos deixou lá e voltou em seguida à cidade, para desespero da esposa.

A casa do sítio, que não era muito grande, não tinha mais como comportar tantas pessoas. Estava apinhada! À noite, colocávamos colchões e cobertores no chão e deitávamos todos enfileirados. Não tinha nem onde pisar. Era um tapete humano! Em um dos cômodos ficavam as mulheres. Em outro, os homens e os meninos. Toda noite, aparecia alguém a pedir pouso, o que só aumentava o número de pessoas na casa.

Um dia, apareceu um senhor amigo e pediu pouso somente para uma noite, pois estava a caminho de ou-tras cidades. Na casa, não tinha mais onde ficar e o senhor instalou-se para dormir junto da meninada. No meio da noite, o Heitor deixou escapar um “pum”e um menino outro... foi uma sinfonia. O tal senhor sentou-se no colchão e com sua fala fina, disse:
- Será opilado ou metralhadora?
Foi uma gargalhada só. Todos acordaram. Até as mulheres que estavam no outro quarto. Nunca mais nos esquecemos disso e meu irmão contava a história em todas as rodas.
Quase ao final da revolução, uma tropa de mineiros, perto de Piranguinho, encontrou-se com outra tropa aliada. Como estava muito escuro, pensaram que se tratava do exército inimigo e abriram fogo. O episódio virou chacota e, depois disso, sempre que ia a São Paulo meus primos paulistas faziam questão de lembrar.

Ao término da revolução, a volta dos paulistas acontecia pela Rede Mineira de Viação e era um acontecimento para as mocinhas da cidade, que não perdiam a oportunidade de flertar. A cada notícia de que os soldados paulistas vinham nos trens, saíamos a correr da sala de aula até a estação à espera dos soldados. A professor, muito sem graça, não teve como chamar nossa atenção, por cabularmos aula. Desde então, fizemos o que nos dava na veneta.

Numa outra ocasião que fui à estação para vê-los, me deparei com um advogado muito amigo da família.O trem parou e um rapaz muito bonito, que estava a bordo, começou a me olhar. Vendo o interesse do moço, eu mostrei o dedo anular em um gesto para descobrir se ele era casado. O amigo advogado, que estava ao meu lado, vendo o gesto que fiz,  morreu de rir e, a partir desse dia, todas as vezes que ele se encontrava comigo na rua, fazia o mesmo gesto e ria muito.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O garoto Juca

(Matéria publicada na edição número 6 do Empório, de 2008)

Ailton Marcelino é mais conhecido como Juca. Ele trabalhou nos Correios por mais de 35 anos e, por percorrer grande parte da cidade todos os dias, acabou conquistando a simpatia dos santarritenses. Nesta edição do Empório, você conhecerá um pouco de sua vida e de suas histórias. Só é preciso ter pique par acompanhar seu ritmo.

Juca tem 62 anos de idade e uma saúde impressionante. Todos os dias, ele percorria aproximadamente, 18 quilômetros para entregar centenas de correspondências dos habitantes da cidade sem nunca perder o pique. Conta-se que, um dia, foi fazer uma consulta e o médico, que não o conhecia,  disse que sua vida era muito sedentária e recomendou que ele caminhasse mais.  

Nos 35 anos que trablalhou nos Correios, Juca já passou por muitas aventuras, acumulou histórias e fugiu de muitos cães, indiferentes à sua nobre missão de fazer a cidade comunicar-se com o resto do mundo. Dentre tudo o que ele viu e passou, sua maior riqueza são os amigos que conquistou durante todos esses anos. Hoje em dia, é quase impossível algum morador da cidade não ter ouvido falar dele.

Em um encontro de estudantes da ETE, um ex-aluno foi saudá-lo depois de 20 anos que havia formado e ido para outra cidade. Juca fazia parte das boas lembranças que o antigo estudante havia acumulado dos tempos de escola.

Um fato que lhe causava grande alegria era quando ele ia entregar cartas no bairro Inatel. Em um tempo em que nem todo mundo tinha telefone, assim que ele se aproximava das repúblicas de estudantes já começava a gritaria: “Lá vem o Juca! Lá vem o Juca!”

Uma de suas grande paixões na juventude era a Escola de Samba Sol Nascente. Junto com Samuel, Luiz Carlos, Mauri e outros amigos, Juca ajudou durante muitos anos, a colocar a tradicional escola de samba na rua.

Outra paixão de nosso amigo, desde a infância, era o futebol. Ele conta que jogou durante muitos anos no futebol amador aqui da cidade, defendendo os times que eram formados no bairro em que ele morava. Aliás, Juca viveu durante muitos anos no bairro Rua Nova e hoje mora, com sua esposa e três filhos, no bairro Novo Horizonte.

Para finalizar, não poderíamos deixar de falar do samba. Afinal, ele já perdeu a conta de quantas vezes tocou surdo em rodas de samba organizadas no Restaurante do Peão ou junto com o maestro João do Carmelo. Com tanta história pra contar, por essas e outras que Juca será sempre, para todos nós, um grande amigo.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Você já conhece a Planeta Cell?

A vida de lutas e conquistas do comerciante Joaquim das Frutas

 Antes do sol nascer

Quem conheceu Joaquim Eleutério Rafael ainda se recorda quando o rapaz nascido em 1930, no bairro Bom Jardim, distrito de Cachoeira de Minas, passava com sua bicicleta, às quatro da matina, com verduras, frangos, queijos e outros produtos para negociar em Santa Rita do Sapucaí. Logo pela manhã, Joaquim da Frutas, como era conhecido, passava de porta em porta vendendo seus produtos e acabou conquistando uma grande freguesia.
O Antigo Mercado

Com muito esforço e cortesia, a carreira do jovem negociante começou a prosperar quando conseguiu alugar uma banca do antigo Mercado Municipal, bem ao lado do chafariz. Desde então, Joaquim comprou uma bagageira e começou a trazer arroz, feijão, milho e outros cereais adquiridos dos agricultores de Cachoeira. Por ser muito experiente no plantio, Joaquim arrendou um terreno e começou a plantar suas próprias verduras. Com tanta variedade de alimentos, não tardaria para que sua banca se tornasse uma das mais completas da cidade.
Bons ventos

Quando a sua situação financeira melhorou, o agricultor deu uma pausa nas viagens que empreendia e passou a se hospedar nas pensões de Dona Domingas, Dona Júlia e de Maria Baldoni para tornar seu trabalho um pouco menos exaustivo.

Ao se casar com Maria do Carmo, Joaquim já tinha comprado uma meia-água ao lado do Posto de Puericultura que usava para armazenar alguns mantimentos e preparar alguns alimentos. Ali, a nova família viveu por cerca de quatro anos até adquirir uma nova residência.
O fim de uma era

No dia em que o antigo Mercado foi destruído, o negociante ficou muito sentido. Além do valor sentimental, ele achou uma judiação colocar abaixo aquela relíquia. Ainda assim, quando o novo Mercado Municipal foi finalizado, ele comprou quatros espaços e se transferiu para o local, mas sua esposa conta que ele não conseguiu se adaptar. Em alguns meses, ele passaria a dividir um cômodo ocupado pela Farmácia Nossa Senhora Aparecida (Astolfo Lemos Carneiro) localizada no início da Rua Cel. Antônio Moreira.
A novidade

Em 1957, Joaquim das Frutas, trouxe de uma de suas viagens a São Paulo um eletrodoméstico até então desconhecido na cidade: o liquidificador. Com essa engenhoca futurista, passaria noites e noites preparando sucos para a população que saiu de todos os cantos da cidade para participar da Festa de Santa Rita cuja festeira seria ninguém menos que Sinhá Moreira ao lado de Nazareno Rennó. Dona Carminha conta que, com apenas 3 meses de idade, Cristina, a primeira filha do casal, ficou dormindo debaixo da escada enquanto ela varava a noite lavando o copo do liquidificador.
Casa de Frutas

Depois de alguns anos, o negociante inaugurou sua lendária “Casa de Frutas”, na esquina da Silvestre Ferraz com a Comendador Custódio Ribeiro. Ali, passou a vender uma grande variedade de produtos, muitos vindos da capital paulista e a prosperar com seu estabelecimento. Sua família ainda guarda a placa pintada em folha de flandres com as inscrições do comércio que o ajudou a criar seus nove filhos. Linhas, botões, cereais, verduras, legumes, sucos – não faltava nada por ali. A variedade era tamanha que nos meados da década de 70 foi possível ampliar seus negócios.
 O bairro que deveria levar o seu nome

Com o início da era dos supermercados em Santa Rita, muitos armazéns começaram a perder sua freguesia e com a “Casa das Frutas” não foi diferente. Joaquim então decidiu comprar um terreno conhecido hoje como Bairro Pedreira, onde montou uma máquina de beneficiamento de arroz, uma serraria e uma serralheria. Quem viveu em Santa Rita entre as décadas de 70 e 80 ainda se lembra do papavento e do letreiro luminoso construído por seus filhos.
A despedida

Joaquim das Frutas trabalhou até o último dia de vida quando, aos 56 anos, sentiu uma incômoda dor de estômago e foi andando até o hospital para saber o que estava acontecendo. Sua esposa lembra que ele ainda parecia bem quando pediu a ela que voltasse para casa e preparasse jantar aos filhos. Mal chegou em casa, Dona Carminha receberia uma ligação anunciando que ele estava nas últimas. As filhas, que se encontravam a caminho de Santa Rita para um casamento cujos pais seriam padrinhos, só souberam que o pai havia enfartado quando chegaram em casa e se depararam com o velório na sala. Os santarritenses se despediam de uma das figuras mais queridas que haviam conhecido.

(Carlos Magno Romero Carneiro)

Um oferececimento: 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vida e morte do poderoso senador José Bento

A religião esteve presente na gênese da maioria dos municípios brasileiros. Não por acaso, centenas de localidades receberam nomes de santos católicos, da mais feérica metrópole do país às menores aldeotas sertanejas. A história de Pouso Alegre, como se deduz da própria denominação, não começou com a construção de uma capela e, sim, pela instalação de uma hospedaria para viajantes. Isso não significa que o clero não tenha contribuído para o desenvolvimento da cidade. Pelo contrário: a atuação de um sacerdote do século XIX foi decisiva para que o município fosse projetado e respeitado nacionalmente.
O nome de batismo do padre mais influente de Pouso Alegre era José Bento Leite Ferreira de Mello. Filho de Campanha, veio ao mundo no sexto dia do ano de 1785. Seus pais eram oriundos de paragens mais distantes. O português José Joaquim Leite Ferreira de Mello nascera em Vila de Guimarães e sua esposa, Escolástica Bernardina de Mello, era paulistana. José Bento fez seus estudos primários em Campanha, transferindo-se para São Paulo, em 1807. Na capital fundada pelo jesuíta José de Anchieta, o jovem passou a viver sob a tutela do bispo Dom Mateus. Dois anos depois, recebeu o sacramento da ordem.

Recém-ordenado, padre José Bento já demons-trava habilidade para articulações políticas. Valendo-se da proximidade com Dom Mateus, fez gestões junto ao bispo para a criação de uma freguesia em Pouso Alegre, desmembrada de Santana do Sapucaí (Silvianópolis). Essa era uma reivindicação dos moradores do povoado de Capela do Mandu. Em novembro de 1810, um alvará régio oficializava o nascimento da freguesia do Senhor Bom Jesus de Pouso Alegre, da qual José Bento seria o primeiro vigário.

O envolvimento do sacerdote com a política temporal o transformou num porta-voz dos interesses da elite sul-mineira. Perspicaz e bem relacionado, foi escolhido, em 1821, para o colégio eleitoral que elegeria representantes de Minas Gerais na Corte de Lisboa. No ano seguinte, o imperador Pedro I proclamou a independência do Brasil e tornou-se líder da nova nação, mas José Bento ingressou nas fileiras oposicionistas. O padre-político radicalizou seus posicionamentos anos mais tarde, defendendo, inclusive, a renúncia do monarca. Pedro I acabou abdicando de seu trono em 1831, abrindo espaço para o governo regencial. Sem descuidar dos pleitos de sua região, o líder religioso obteve outra vitória no mesmo ano, com a elevação de Pouso Alegre à condição de vila.    Foi no período da Regência que a carreira política de José Bento atingiu o ápice. Deputado geral por três legislaturas, foi escolhido para o Senado, em 1834. Aproximou-se então do poder central, ganhando a amizade do regente Diogo Antônio Feijó e do líder liberal Evaristo da Veiga, dois dos mais prestigiosos políticos da época. Integrante da bancada do Partido Moderado, o senador José Bento fundou em Pouso Alegre a Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional. Expôs ideias liberais no primeiro jornal pouso-alegrense, “Pregoeiro Constitucional”, por ele criado em 1830.
Cruz demarca local onde foi assassinado o Senador José Bento (Bairro Faisqueira).
José Bento colocou seu talento de articulador a serviço de dois movimentos revolucionários, em 1832 e 1842. No primeiro caso, usou as oficinas tipográficas do “Pregoeiro” para imprimir a célebre “Constituição de Pouso Alegre”, que não passou de tentativa frustrada de reforma constitucional. O movimento de 10 anos depois teve sua intensa participação (o plano definitivo para a revolução teria sido traçado na residência do senador, no Rio de Janeiro, que ficava na rua do Conde e era muito frequentada por parlamentares de Minas e de São Paulo).

A atuação legislativa de José Bento exigia dedicação praticamente exclusiva, o que o forçava a passar meses longe de Pouso Alegre. A última viagem do senador à sua base eleitoral aconteceu em fevereiro de 1844. A temperatura do ambiente político estava elevada naquele verão. A caminho de sua fazenda, nas proximidades da vila de Pouso Alegre, o sacerdote foi alvejado com dois disparos e não resistiu ao atentado. O assassinato se deu em circunstâncias misteriosas, colocando sob suspeita adversários políticos de José Bento e até ex-protegidos do senador envolvidos numa disputa por terras.

O desaparecimento prematuro não apagou da memória dos sul-mineiros a marcante carreira política do padre. O nome do senador José Bento ainda hoje ocupa posição de destaque na região, designando a praça principal de Pouso Alegre e um município vizinho.

(Jonas Costa)

Um oferecimento:

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Especialista em estudos sobre o Rio Sapucaí fala sobre a questão das enchentes em Santa Rita

A reportagem do Jornal Empório de Notícias esteve presente em uma palestra na Loja Maçônica Caridade Sul Mineira, por ocasião do Programa de Meio Ambiente promovido pela entidade, onde pudemos assistir a uma palestra com o Doutor Alexandre Augusto Barbosa – especialista em estudos sobre as cheias do Rio Sapucaí. Professor da Unifei (Universidade Federal de Itajubá) nos cursos de graduação de Engenharia Hídrica, Engenharia Ambiental, entre outras, Alexandre é engenheiro mecânico, possui pós-graduação em Engenharia Ambiental e trabalha com a questão das enchentes no Rio sapucaí, desde 2000.

Segundo o expositor, a primeira cheia do rio Sapucaí, de que se tem registro, aconteceu em 1874. Tal informação foi obtida através de documentos e as enchentes seguintes, como a que aconteceu em 1919, pôde ser constatada através da análise de fotografias antigas, onde foram feitas comparações com pontos referenciais da cidade. Segundo o pesquisador, ocorrências semelhantes são constatadas, em média, a cada dois anos – embora em níveis diferentes. Alexandre explicou que os motivos das enchentes são vários: ocupação de áreas alagáveis, desmatamento das matas ciliares e ocupação irregular das encostas.
Em 2000, 80% do município foram afetados – 90cm a mais que na década anterior. Caso existisse um barramento para conter o nível do Rio Sapucaí, efeitos seriam reduzidos. Para se ter uma ideia das dimensões daquela enchente, o normal é que passem 13 mil metros cúbicos de água por segundo e, naquela ocasião, o fluxo foi de 500 mil metros cúbicos por segundo. Caso existisse uma microbacia para conter a água, ela se encheria em um minuto e meio. Para ele, o que torna a situação de Santa Rita mais delicada é que a cidade se expandiu em locais inadequados, mas a probabilidade de acontecer uma cheia como a de 2000 é de uma para 500.

Medidas para conter as enchentes em Santa Rita

Alexandre, no decorrer de sua explanação, falou sobre os métodos que poderiam ser aplicados na cidade e a eficácia de cada um deles. Em relação à drenagem, por exemplo, explicou que, por passar cerca de 2500 toneladas de areia por dia, este método não seria duradouro. Ao ser questionado sobre a possibilidade de construção de um dique para contenção das águas, o pesquisador também descartou essa hipótese, uma vez que o Sapucaí corta a cidade de ponta a ponta. Para ele, Santa Rita seria beneficiada no caso da construção de um reservatório, em Campos do Jordão.
A velocidade  com que as águas chegam de Itajubá a Santa Rita

Para explicar como as águas chegam de Itajubá a Santa Rita, Alexandre relatou que o nível do rio tem um declínio de 1 cm a cada quilômetro. Com a retificação e os desmatamentos, a velocidade da correnteza aumentou, fazendo com que a água chegue mais rápido ao município. O pesquisador também afirmou que, para monitorar estes níveis, a Unifei dispõe de um ponto de coleta de informações em Santa Rita capaz de calcular o quanto de água irá chegar à cidade, com 36 horas de antecedência. Tal ferramenta - resultado de um investimento de 600 mil Reais feito pela Copasa a partir de 2002 – envia uma mensagem ao celular dos pesquisadores, caso seja necessário alertar os moradores.

Como evitar maiores transtornos?

Para que, no futuro, não haja vítimas, o especialista informou que o zoneamento das áreas inundáveis e a construção de residências à prova de enchentes são medidas fundamentais. Em seguida, informou que para co-nhecer os locais onde existe o perigo de inundação e fazer o zoneamento urbano, basta que a prefeitura requisite  um mapa do Instituto em que ele atua.
Soluções concretas

O professor da Unifei afirmou que a melhor maneira de resolver o problema das cheias em Santa Rita é fazer um monitoramento constante do nível do rio e construir um barramento em Itajubá que não custaria menos de 500 milhões de Reais. Alexandre conta também que, caso o governo optasse por construir um dique, alguns bairros de Santa Rita teriam que desaparecer.

Já que, até o momento, nossa única solução é sair de casa com antecedência, Alexandre disse que – como Pouso Alegre recebeu R$ 30 milhões para construir seu dique – Santa Rita deveria receber, no mínimo, R$ 50 mil para comprar um painel e para realizar uma campanha de conscientização.
(Carlos Romero Carneiro)

Um oferecimento:

Smile Odontologia

Entrevistamos nosso grande amigo Ivon

Ivon com imagem de Santa Thereza D'ávila - sua peça mais antiga.
Conte-nos sobre sua vinda para Santa Rita

Eu fiz Ginásio em Lorena e vim estudar no IMEE. Meu pai queria que eu estudasse no melhor colégio da região, que era aqui. O interessante foi que quando eu vim estudar aqui muita gente que havia estudado comigo em Lorena, veio junto. Nos tempos de Colégio eu morei na pensão da Dona Maria Baldoni – na entrada da cidade. Na época, o curso era chamado de Científico.

Quando o senhor começou a lecionar História?

Eu me formei em Farmácia em 1958 e me casei um ano depois. A cerimônia aconteceu em Aparecida. Saímos de Santa Rita e fomos nos casar lá. Ao chegar em Santa Rita, fui dar aula no IMEE (Instituto Moderno de Educação e Ensino). Lecionava Física, Química e Biologia. Um dia, faltou um professor de História e o Padre Constantino Gonzalez pediu que eu desse aulas no lugar. Eu disse a ele que não sabia nada da matéria, mas ele me convenceu.  Desde então, comecei a estudar História e me apaixonei. Dei aulas da matéria por um ano. De lá pra cá, nunca mais parei.
Hall do antigo IMEE
Como era o IMEE?

Entrando no local onde hoje é o Inatel, do lado esquerdo estava o Ginásio. Do lado direito, havia o Colegial. Atrás do prédio principal tinha um refeitório que, nas datas festivas como o 11 de agosto (Rainha dos Estudantes), se transformava em salão de festas. No andar de cima do prédio principal ficavam os dormitórios, já que lá era um internato. No início, o Colégio era só para homens. As mulheres estudavam na Escola Normal. Depois misturou.

E a avenida que dava acesso ao Instituto?

Daqui da Igreja de São Benedito até o IMEE era uma estrada de terra. A chácara do Sanico ia até o portão do IMEE onde ficava a casa do senhor Castilho. Nessa chácara havia um pomar onde os internos iam roubar frutas. Uma vez o senhor Sanico se queixou para o Professor Castilho e ele chamou a atenção de todo mundo. Como vingança, a molecada passou a roubar as laranjas e levar de volta só o bagaço que era deixado debaixo da árvore.  
A atual Avenida João de Camargo era apenas uma "picada" nos tempos do Instituto Moderno.
E o senhor Henrique Del Castillo?

O senhor Castilho era um homem muito inteligente. Uma vez eu saí num domingo para ir à missa e, na volta, eu não abri a porteira, eu pulei. Vendo aquilo, ele me chamou e disse: “Ô moço... não pula mais a porteira, não... O cavalo vê e aprende.”

E os bailes daquela época?

Lembro que a cidade era muito agitada, era muito bom. Já os bailes, todo mundo adorava. A orquestra que mais vinha era a de São Gonçalo. Tinha também a Cassino de Sevilha, a Jazz Brasil, além de cantores como Gregório de Barros e  outros.
A lendária Orquestra Jazz Brasil.
O senhor se lembra da Festa das Jabuticabas?

Lá no Chalé tinha muitos pés de Jabuticaba. Você pagava um dinheirinho, entrava e se esbaldava. A renda do evento, promovido por Dona Sinhá, era revertida em benefício de alguma Instituição. Também tinha uma ação onde as meninas vendiam votos e quem arrecadasse mais dinheiro se tornava a “Rainha da Jabuticaba”.

Para o senhor, como são as pessoas daqui?

Eu estava lendo um livro chamado “Comer, rezar e amar” onde a escritora contou que nas viagens que fez, percebeu que cada cidade tinha uma feição, uma característica. Então eu fiquei pensando nisso aí, até que escrevi uma crônica que dizia que Santa Rita tinha um misto de esperança e desilusão. As pessoas não confiam na Câmara, não confiam no executivo... ficam numa situação de ter que mascarar essa desconfiança através de brincadeiras, próprias do brasileiro.

Qual é o objeto mais raro de sua coleção de antiguidades?

É uma imagem de Santa Thereza D´Ávila, datada de 1720, em madeira talhada. Mas eu também tenho muitos documentos, como um exemplar de papel almaço. (Ivon começa a mostrar alguns documentos antigos) No tempo do Império, os papéis eram importados. Eles eram produzidos no norte da África em um lugar chamado Almaço. (Ivon coloca a folha contra a luz e é possível ver uma marca d´água com as inscrições Gior Magnani e Almaço.) Este documento é de 1889. Uma carta ao sub-delegado de Polícia de Cambuí. Eu tenho também uma procuração da época do Império, datada de 1882, também em papel Almaço. No Brasil não tinha nada. O papel era importado, a tinta era importada e o clipe também.

Qual foi o fato mais emocionante em sua carreira como professor?

Foram muitos. Um deles aconteceu na Escola Normal. Eu dava aula no Magistério e havia uma menina com alguns probleminhas de afetividade e que, de vez em quando, se sentia mal. Em uma das aulas ela saiu de sua carteira e disse: “Estou me sentindo mal. Você poderia me dar um abraço?” Eu a abracei e ela foi se acalmando. A classe ficou toda quieta. Na década de 60 isso não era muito comum. Quando ela ficou melhor, voltou para a sua carteira e eu continuei a aula. Fiquei muito emocionado.
Lembra de algum fato pitoresco?

Uma vez, eu estava dando aula no andar de cima do Colégio Sinhá Moreira. Enquanto falava ficava andando de um lado para o outro e, nisso, notei que tinha um menino (Laudo Vilela) murchando o pneu do meu carro! Eu olhei bem e vi quem era. Quando terminou a aula eu mandei chamar o menino e falei: “Você vai lá, tira o pneu, abre o porta-malas, troca o pneu e me entrega as  chaves sem dar um arranhão no carro.” Ele não sabia nem o que era estepe e teve que pedir ajuda para o Fausto. Ele foi rodando o pneu até o posto do Zé Padoia, consertou, voltou rodando e colocou o pneu de volta. Uma semana depois, o pai dele veio aqui me agradecer. Foi a maior lição que ele teve...

E a história do Jipe?

Eu tinha um Candango (Jipe DKV) e ia com ele lecionar em Cambuí. Na porta da escola tinha uma rampa, onde eu deixava o carro porque, se eu soltasse o carro ali, não seria preciso empurrar para fazê-lo funcionar. Todo dia, no final das aulas, eu ia pegar o carro e ele estava lá embaixo. Eu não via um único aluno, mas o carro sempre estava no final da rampa. Em uma das aulas, quando eu abri a porta do carro, saíram umas dez galinhas de dentro. Quando eu tomei o susto, os alunos todos apareceram e começaram a dar risada. Em 2000, após uma palestra que eu fiz em Cambuí, um rapaz chegou até mim pra contar que o autor da brincadeira tinha sido ele.

Qual é a lenda local de que o senhor mais gosta?

Conheço uma lenda daqui mas que tem uma raiz na história. É a lenda da lagoa do bicho. Aqui onde ficam a FAI e a ETE tinha uma lagoa onde as pessoas diziam viver um Minhocão. De vez em quando ele acordava, se mexia e a água transbordava. Era uma forma de explicar as enchentes. Com os egípcios acontecia o mesmo. Para explicar a cheia do Nilo, diziam que eram as lágrimas de Isis. Em São Luiz do Maranhão tem um poço atrás da catedral, onde dizem que existe o olho de uma cobra. Então eles dizem que a cidade de São Luiz está disposta sobre o bicho e que ninguém pode jogar nada no poço para ele não despertar. O Padre Carvalhinho fala em seu livro (Trem de Manobra) que a origem do Bairro Cruz das Caveiras está na Lagoa do bicho também.
Aterro da Lagoa do Bicho para Construção da ETE.
Antes de vir para Santa Rita onde o senhor lecionou?

Em 1962 e fiz concurso para Santa Rita, Cambuí, Santos Dumont e Aimorés. No início eu queria vir para cá, mas o concurso ainda não tinha sido aberto. Então eu fui para Aimorés, que era uma área de litígio. Minas falava que Aimorés era território deles e o Espírito Santo dizia o mesmo. A cidade tinha duas prefeituras, duas coletorias... os alunos iam para a escola com revólver. Resolvi me mudar para Santos Dumont. Lá havia uma indústria de carbureto e, quando eles davam descarga na chaminé, a fuligem batia nas roupas do varal e queimava tudo. No meio do ano eu vim para Santa Rita e, nesse período, passava a semana lecionando aqui, em Cambuí e estudando pedagogia em Itajubá. Tempo bom...

Oferecimento:

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Doutor Eduardo Adami revela lendas e causos de nossa cidade (Parte 6)

Cornélio Lemos Carneiro (Cornelinho) e Doutor Antenor
Doutor Antenor

Estava tudo certo para que Antenor Pinto de Almeida se formasse em medicina no ano de 1920. Mas em 1918 chegou ao Brasil, através de um navio grego, a terrível gripe espanhola. Para ajudar no tratamento daquela doença que já somava milhares de vítimas por aqui, o governo se viu obrigado a antecipar a formatura dos estudantes de medicina e o santarritense acabou voltando pra casa mais cedo. Desde então, o médico colecionou milhares de histórias por seu senso de humor incrível e acabou se tornando  uma verdadeira lenda por suas respostas irônicas e atravessadas. Uma delas, muito difundida por aqui, foi quando diagnosticou um amigo que vivia se empanturrando de comida.
- Seu problema é insuficiência.
- Cardíaca doutor?
- De bunda. Você precisa de duas para dar vazão a tudo que come.
Outra vez, encontrou um hipo-condríaco que quis saber dele o que era bom para reumatismo. De pronto, Antenor respondeu:
- Você já viu cavalo e vaca com reumatismo? Tem que comer mato!
Chegando em casa, o hipocondríaco fez um chá de capim gordura e quase morreu de diarréia. No outro dia, com mania de anotar todas as receitas que via pela frente, escreveu em seu caderninho: “Capim gordura, pra reumatismo, não vale nada. Já pra prisão de ventre é um santo remédio.”

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Doutor Eduardo Adami revela lendas e causos de nossa cidade (Parte 5)

Membros da Cia Força e Luz em 1931: José dos Santos Filho, Antônio Moreira da Costa (Tonico Moreira), José Longuinho Sobrinho e José de Miranda Santos.
 Companhia Força Minas Sul

Por volta de 1910, o senhor Tonico Moreira, altamente visionário, decidiu criar uma empresa para trazer a energia elétrica para Santa Rita. Essa usina foi construída em Natércia e sua linha de transmissão cortava as terras do Senhor Antenor, no distrito do Vargedo. Somente em 1935 a Companhia Sul Mineira de Energia – como era chamada - se transferiu para Santa Rita para abastecer as cerca de 4 mil residências locais e comprou a primeira estação. Com um sistema bem diferente do atual, a pessoa pagava um valor fixo por mês e podia consumir o que quisesse.

Um dos fatos interessantes, acontecidos nesse período, envolveu o senhor Joaquim Carneiro de Abreu, muito respeitado por suas convicções políticas e membro de uma das famílias mais tradicionais, que costumava produzir um jornal de oposição em forma de mural, colado na parede da Matriz. Sempre muito imparcial, suas críticas não poupavam nem a Minas Sul – de propriedade do seu cunhado, Tonico – que imediatamente mandou cortar o fornecimento de energia ao tomar conhecimento de que ele havia reclamado das altas taxas. Quando um funcionário chegou à sua residência para desligar os fios, Joaquim deu um tiro pra cima e gritou: “Vou ficar de guarda! Minha energia ninguém corta!” Conta-se que o rapaz foi embora e nunca mais voltou.

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Doutor Eduardo Adami revela lendas e causos de nossa cidade (Parte 4)

Anauê: mais uma do Integralismo

No auge do Integralismo, Santa Rita chegou a contar com cerca de 1200 membros e se tornou uma espécie de referência na região. Com jornal próprio, escola e organização suficiente para eleger diversos representantes na esfera pública, a cidade foi escolhida para sediar uma reunião do partido que contou com a participação de representantes de Pouso Alegre, Itajubá e outros municípios. Estava tudo pronto. Cinema lotado, representantes uniformizados, saudações na ponta da língua. Só não contavam que assim que a reunião tivesse início um rojão seria aceso nos fundos do cinema colocando a multidão toda pra correr. Felizmente, ninguém se feriu e todos puderam participar do congresso, alguns minutos depois. Só não tiveram o gosto de encontrar o engraçadinho para fazê-lo gritar “Anauê!”.

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Doutor Eduardo Adami revela lendas e causos (Parte 3)

Integralismo X Maçonaria

Na primeira metade do Século XX, se havia 3 coisas que não se misturavam na cidade eram o Integralismo, a Igreja e Maçonaria. O primeiro trazia entre seus afiliados alguns dos habitantes mais importantes da cidade como os senhores A. de Cássia, Martiniano Ribeiro (Avô de Eduardo), Doutor Arlette, Paulo Pinho, dentre outros. Do lado dos Maçons, personalidades não menos proeminentes como o senhor Adelino Carneiro Pinto e seu filho Rui, José Ribeiro da Silva e Eli Amaral. Todos se respeitavam, mas sabiam que as ideologias eram muito distintas. Certo dia, surgiu um comentário de que os Integralistas estavam prestes a invadir a “Caridade Sul Mineira” por suspeitarem encontrar documentos que fossem contra sua ideologia. Ao saber do boato, senhor Ferreira, Presidente da Loja, na época, comunicou ao comandante do Batalhão de Pouso Alegre, que imediatamente enviou duas metralhadoras para serem instaladas na entrada da Loja e um alarme no portão que dispararia caso algum intruso chegasse. A vigília durou alguns meses, mas o suposto plano jamais se concretizou.

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Doutor Eduardo Adami revela lendas e causos (Parte 2)

Senhor Arnauld

O Sr. Arnauld era uma pessoa extremamente interessante e polêmica. Seu senso de humor era conhecido pela cidade toda e acabou ultrapassando os limites do vale quando, junto com alguns amigos, resolveu fazer uma viagem a São Paulo. Entusiasmado com a paulicéia, Arnaud convidou todos para conhecerem um restaurante francês e só não se encantou quando o maitre trouxe uma conta repleta de zeros.
- Mais isso é um absurdo! Eu quero um descontinho – reclamou o santarritense.
- Me desculpe messier, mas aqui é um restaurante chique, não oferecemos desconto... – retrucou o maitre.
- Mas o senhor vai negar um abatimento para o seu companheiro de profissão? – devolveu Arnauld.
- Que honra! O senhor também trabalha em restaurante?
- Não – disse Arnauld – sou ladrão!
Injuriado, o santarritense pagou as despesas e nunca mais voltou ao local.

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Doutor Eduardo Adami revela lendas e causos (Parte 1)

O Delegado Assumpção
O delegado Assumpção morava na esquina da Praça Américo Lopes (Grupão) e colecionou uma série de causos interessantes. Segundo contam, era uma pessoa tão polêmica que envergava a lei de acordo com a necessidade. A mais notória delas foi quando recebeu a denúncia de que alguns santarritenses estavam jogando carteado a dinheiro no Clube Santarritense e chamou alguns policiais para averiguar. Quando percebeu que os jogadores tratavam-se de algumas das figuras mais importantes de cidade e, muito sem jeito de prender seus amigos de convivência, mandou para o xadrez todo mundo que estava assistindo, pelo crime de vadiagem.
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

SUL DE MINAS RECEBE TRÊS NOVOS INVESTIMENTOS

Três investimentos no Sul de Minas, no valor total de R$ 8,6 milhões foram anunciados nesta quinta-feira (22). Os protocolos de intenções foram assinados pelo presidente do Instituto Integrado de Desenvolvimento Econômico (Indi), José Frederico Álvares, com os representantes das empresas Sekisui Comércio Importação e Exportação, Condminas Indústria de Fios Especiais Ltda. e distribuidora de pneus West. Em Santa Rita do Sapucaí, a Sekisui Comércio Importação e Exportação Ltda. irá investir R$ 1,25 milhões na construção de sua fábrica. A nova planta será destinada à montagem, fabricação e comercialização de produtos eletroeletrônicos. Com a nova unidade, serão gerados 68 empregos diretos e outros 19 indiretos. Fundada em 1993, a empresa atua no segmento de fabricação, distribuição de produtos e prestações de serviços voltados para o atendimento de clientes do setor público e privado. O projeto, iniciado em julho deste ano, deverá ser concluído em dezembro de 2013. Com a nova unidade, serão gerados 68 empregos diretos e outros 19 indiretos.
 
A outra empresa a assinar protocolo de intenções com o Indi foi a Condminas Indústria de Fios Especiais, que irá implantar uma unidade industrial em Camanducaia. Sediada na cidade de São Paulo, a empresa investirá R$ 6,7 milhões na transferência de máquinas e equipamentos da planta fabril para Minas Gerais, onde também irá desenvolver novos produtos. O novo empreendimento irá gerar 55 novos empregos diretos e 55 indiretos e, de acordo com o cronograma de execução do projeto, o início das operações está previsto para maio de 2012. A Condminas atua há 40 anos no desenvolvimento e fabricação de cabos e fios elétricos especiais, com um portfólio de mais de 3 mil produtos.
 
Já a distribuidora de pneus West irá investir R$ 690 mil na implantação de uma filial da empresa no Sul do Estado. O município do empreendimento ainda não está definido. A inauguração da filial da empresa em Minas está prevista para abril de 2012 e irá gerar 63 empregos diretos. A West foi criada para atender ao mercado distribuidor no segmento de pneus, com uma proposta diferenciada de atendimento e uma estrutura pronta para os clientes em geral.