quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pe. Furu completa hoje 90 anos

Padre Furu nasceu no dia 21 de setembro de 1920, no sul do Japão, em uma península chamada Kuiamoto. Chegou ao Brasil de navio, aos nove anos de idade, como imigrante, em uma viagem que levou 40 dias. A intenção de sua família era fazer dinheiro no Brasil. Ele contou que, naquela época, os imigrantes vinham ao Brasil para ganharem dinheiro e depois voltarem. Entretanto, a maioria dos japoneses que vieram, acabaram ficando.

Padre Furu nos contou também que durante a viagem de vinda, quase caiu no Oceano Indico. Ele estava na parte de trás do navio, na popa, olhando para fora da embarcação. Naquele momento, estava ocorrendo uma tempestade e o navio balançava muito. Furu se divertia, olhando a hélice traseira do navio que aparecia todinha quando passava pelas ondas. “Ela saía todinha da água e girava no vazio. Eu achei aquilo muito engraçado e fiquei olhando”, conta. Em um determinado momento, Furu se desequilibrou e quase ficou no meio do caminho! “Quase virei comida de tubarão!” Em 1929, o Brasil estava muito mehor do que o Japão. Por isso, eram comuns as imigrações japonesas.
Logo que chegou, o menino Furusawa foi para o interior de São Paulo, a uma cidade na divisa com o mato-grosso, chamada Segunda Aliança. Ele então trabalhou na lavoura com sua família até se transferirem para a capital do estado. Nosso amigo lembrou também que, no começo, foi muito difícil aprender a língua. Durante a viagem de navio, um instrutor ensinava algumas palavras básicas como “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” aos tripulantes. Furu disse que quando foi estudar Teologia na Espanha, onde passou 5 anos, voltou falando fluentemente o espanhol, mas esqueceu como se falava o português. Por incrível que pareça, certa vez um brasileiro perguntou se ele era Argentino! Desde antes de vir para o Brasil, Furu já era católico. Ele nos contou que optou pela religião porque seu padrasto fazia parte dela. Após casar-se novamente, sua mãe, que antes era Budista, também tornou-se católica.
Após trabalhar 6 anos na lavoura, seu padrasto buscou novas perspectivas, e ele entrou para o seminário em Nova Friburgo, onde fez noviciado, juniorado e filosofado.  O primeiro padre da ETE que ele conheceu foi o companheiro Dom Vaz. “Eu estava uns 4 ou 5 anos à frente dele. Quando o conheci ele ainda era uma criança e ia visitar o irmão que também estudava lá. Depois acabou ficando.”, conta.

A chegada de Furusawa a Santa Rita foi em 1963. Um ano depois de formada a primeira turma da ETE. Logo começou a lecionar. Nosso amigo confessa que só tem apego por duas coisas na vida: à Santa Rita do Sapucaí e às pessoas dessa cidade. Prova disso foi a alegria com que ele nos contou quando recebeu o título de cidadão santarritense.
Em 1990, aos 70 anos, Furu tinha o há-bito de ir de bicicleta  até o trevo da Rodovia Fernão Dias e voltar. Certa vez, por volta das 5 da tarde, ele passou por uma ponte e caiu de uma altura de uns 4 ou 5 metros. No momento do acidente, seu corpo chocou-se com a madeira da ponte e ele quebrou meia dúzia de costelas. “Eu perdi os sentidos. Passei a noite inteira naquele frio de abril. Só no dia seguinte foi que acordei ao lado do rio-zinho e não podia nem mexer direito. Fiz um esforço enorme até subir um pouquinho e chegar ao caminho e pedir ajuda.” Depois de algum tempo, um casal que estava passando o achou e o levou até a Cooperrita. Lá, eles chamaram o motorista da cooperativa que o transportou até o hospital. “Eu passei muito mal. Pensei que fosse morrer.”  Depois que se recuperou Furu continuou andando de bicicleta. Ele aposentou a magrela apenas em 2003, 13 anos depois do acidente.

Esta matéria é um oferecimento de:

5 comentários:

  1. José Alves Pimenta Filho26 de setembro de 2011 14:25

    Santa Rita nos colocou na memória, para sempre várias pessoas, o Pe. Furu se destaca, porque sempre que lembro dele, vejo uma pessoa gentil, calma e sempre prestativa que a gente gostaria que fosse eterna. Que Deus lhe dê muita saúde para saborear muitos anos de vida. Forte abraço, Pimenta.

    ResponderExcluir
  2. Nossa que alegria ver o padre Furu. Quando estudei na ETE em 1989 eu lembro dele em sua bicicleta e na manutenção elétrica dos alojamentos. Que Deus o ilumine e dê muita saúde e Paz.

    Saudades de Santa Rita do Sapucaí.

    ResponderExcluir
  3. Eu( Tadeu Galote) e o Guracy escapavamos das aulas do Furu após as chamadas, era muito divertido fazer isto.
    Tenho o maior respeito por este grande homem.
    abs a todos.
    Tadeu Galote

    ResponderExcluir
  4. 1975 foi o ano que conheci o Padre Furu no Lab de Eletrotécnica, ficaram na memória as aulas interessantes e os macetes que ele passava para todos ao par da matéria, nunca esqueci-me de muitos desses ensinamentos e dos momento em sala.
    Foi um dos meus Grandes Mestres na ETE.
    Abração Padre Furu e que Deus lhe permita muitos anos de vida mais!
    Abraço forte aos colegas.
    Paladino.

    ResponderExcluir
  5. 1975 foi o ano que conheci o Padre Furu no Lab de Eletrotécnica, ficaram na memória as aulas interessantes e os macetes que ele passava para todos ao par da matéria, nunca esqueci-me de muitos desses ensinamentos e dos momento em sala.
    Foi um dos meus Grandes Mestres na ETE.
    Abração Padre Furu e que Deus lhe permita muitos anos de vida mais!
    Abraço forte aos colegas.
    Paladino.

    ResponderExcluir